Archive for the ‘Voz Portucalense’ Category

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Julho 29, 2012

OS TRAPOS VELHOS

 

“…sobre Deus que se revela, a liturgia que O celebra, a Igreja que o testemunha e o mundo que O espera…”, embora não sinta muito movimento sobre a carta que os Bispos do Porto escreveram, não nos cansaremos de a refletir, e assim mais uma pequena frase, das grandes linhas que eles sistematizam na sequência do Concílio. A reflexão sobre este Deus que se revela, como e onde quiser, talvez não muito por nós cristãos ditos praticantes (de quê?), é celebrada numa liturgia viva, e se o não for, nunca será celebrante, nem a Igreja testemunho atuante e muito menos seremos as árvores que dão frutos ao mundo, sedente como se encontra!

Tenho encontrado neste Porto, de Portugal, quem discuta a vida, e se valerá a pena ou não, dados os custos económicos manter os “velhos”. Estes “velhos” são aqueles que deram a vida a uma geração que agora os discute, como se estivesse nas mãos de cada legislador, dizer que morre ou quem vive, dada uma idade, que só gasta dinheiro ao erário publico. E fazem as contas, como bons agentes económicos, que não políticos, querem gerir a velhice, ou melhor os trapos. Não sei bem, se um dia destes vamos ou não, discutir a necessidade duma incineradora para este fim. Confesso que fiquei pasmado quando vejo a discussão sobre o assunto a pretender saber quem morre, não devido à idade ou à doença, mas aos custos desta idade e desta doença.

Sabemos que muitos idosos até morrem sós, e depois de algum tempo descobre-se, e muitos mais não têm dinheiro para aviar os seus medicamentos, porque tudo está muito barato em Portugal, tendo em consideração outros países da União Europeia, a face de uma moeda, porque a outra não a mostram. Sabemos que aqueles que trabalharam uma vida e deram alento à sociedade portuguesa, lembro-me muito dos antigos combatentes das ex-colónias, são a partir de determinada idade um fardo pesado, porque economicamente não produzem e só gastam e chateiam. Por isso matemos, desliguemos as máquinas, saibamos até legislar sobre a idade em que as pessoas podem viver, e até os critérios para estarem vivos. E talvez se tudo for assim, se consiga pagar um dos subsídios a quem hoje trabalha e amanhã é velho!

Criminosa uma sociedade que assim pensa, e até age, desta forma. Conivente uma Igreja se consentir esta forma de vida. Porque na frase inicial se dizia que “o mundo O espera”, ora a esperança do mundo é naquele que dá o Amor transbordante a cada pessoa. O mundo O espera, através do testemunho da Igreja, de todos os cristãos, que O celebram, em comunidade.

Velhos são os trapos, e os trapos serão aqueles que podem pensar numa sociedade legislada sobre matérias destas. Deus revela-se como e onde quer, e não o deixará de fazer, também aqui. Levemos ao altar, trazemos do altar, não fiquemos lá, porque Deus está presente na história dos homens.

Joaquim Armindo

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Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

O GRITO!

 

“Que Deus, o Criador de todas as coisas, se digne abençoar seus filhos e filhas nesta nobre missão de “cultivar e guardar” a terra, lugar de vida para todos (cf. Gn 2,15)”, assim termina o comunicado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acerca da Conferência da ONU Rio+20, sobre o Desenvolvimento Sustentável, que decorreu no Brasil.

Este é o grito de toda a Igreja na defesa da Criação, que “carrega consigo a irrenunciável responsabilidade de responder aos anseios e expectativas mundiais em relação à defesa e promoção de toda a forma de vida”, e esclarece que “é urgente repensar a nossa relação com a natureza, que “nos precede, tendo-nos sido dada por Deus como ambiente de vida” e está à nossa disposição “não como um lixo espalhado ao acaso, mas como um dom do Criador” (Bento XVI – Caritas in Veritate, n. 48)”. Neste seu texto, de profunda riqueza, e de denúncia, lembra a V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe (2007), em que já se afirmava que “com muita frequência se subordina a preservação da natureza ao desenvolvimento econômico, com danos à biodiversidade, com o esgotamento das reservas de água e de outros recursos naturais, com a contaminação do ar e a mudança climática”.

Bastantes críticos sobre o que os mais de 190 países e 130 chefes de estado e de governo aprovaram, e sobre a chamada “Economia Verde”, a CNBB declara “A Rio +20 indica uma resposta a essas questões com a chamada Economia verde. Se esta, em alguma medida, significa a privatização e a mercantilização dos bens naturais, como a água, os solos, o ar, as energias e a biodiversidade, então ela é eticamente inaceitável. Não podemos nos contentar com uma roupagem nova para proteger o insaciável mercado, que só tem olhos para o lucro, configurando-se como “lobo em pele de cordeiro” ao manter inalteradas as causas estruturais da crise ambiental”.

Um apelo grande a cada um de nós, nesta Diocese do Porto, e neste Portugal, quase silencioso sobre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos, e urgentemente reclama que todos nós assumamos que este “compromisso deve ser assumido por todos. Os cristãos, de modo especial, movidos pela solidariedade, que gera fraternidade e comunhão, são convocados a trabalhar pela preservação do meio ambiente e a colaborar na construção de uma sociedade justa, ecologicamente sustentável”.

Este é um grito, uma chamada dos cristãos, estaremos com a garra de nas nossas comunidades cristãs, respondermos ao desafio?

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

SERVOS DE TODOS?

 

Estava a ler dois documentos importantes e a meditar neles: “A Carta Apostólica – A Porta da Fé” e a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé”, quando de repente, parei. É que no ponto 22, desta Carta, os Bispos citando o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (Compêndio, 330), referem “O diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade”. Aqui eu disse para mim, Alto! E comecei a pensar, a pensar, e desculpem os meus colegas do diaconado, a pensar em nós. Eu, Joaquim Armindo, tenho sido o servo de todos? E o ministério da palavra, exerço? Do culto divino? Da condução pastoral? Da caridade? Onde e como?

A Carta Porta Fidei, (A Porta da Fé), tem sido “mastigada” já por diversas vezes, para me encontrar nela, para sentir em mim, aquilo que devo viver, e agora os Bispos da, minha, Diocese do Porto, vêm fazer uma intrusão na minha reflexão e logo lembrar-me questões, escritas em 2005, sobre o exercício da diaconia. Confesso que fizeram bem, é oportuno, tempestivo, como se diz “acertaram na muche”. Eu, servo de todos? Eu, a exercer o ministério da palavra? No culto divino, vá lá, estou, talvez não como deveria, mas estou! Condução Pastoral, onde exerço? Da caridade, do amor, onde? Bem, penso, lá vou escrevendo estas crónicas, e para alguma coisa devem servir (não que eu saiba, mas também não serão assim tão más, porque o Diretor do Jornal já me tinha tirado a palavra, e fazia bem!).

Eu sei, e já aqui o escrevi, o diácono deve sobre tudo, servir, levar ao altar as aspirações das mulheres e dos homens, e trazer de lá a certeza da fé, que move montanhas, para eles. Podem crer que sei isto, e o meu Bispo não se cansa de o repetir, quase à exaustão. Estamos numa situação grave no mundo, em Portugal e na Diocese do Porto, é necessário que nos deixemos apanhar pelo altar do Senhor, que a Força do Espirito nos cative, porque atentos a tantos sinais que recolhemos da vida, e por força desse Espirito, semear por aí, em todos os lugares as bem aventuranças, de que nos fala o Evangelho de Mateus. Ontem era tarde, para a perceção da Boa Nova, duma Humanidade outra, da ética de vida, da Nova Evangelização, no “Ano da Fé”.

Estou a pensar, na “crise”, naqueles que não têm voz, nem vez, nos milhões desempregados, nas filas para a “sopa dos pobres”. E penso, numa outra frase da Carta dos Bispos, “União a Cristo significa participação na sua missão, pois a vida é para todos. Ele inaugurou na terra aquele “reino” tão esperado…”. Então o reino está aí, aqui, em cada um de nós, mas os diáconos não podem andar só a pensar, têm de ser servos de todos, exercer o ministério da palavra, ser, também, parceiros do culto, da condução pastoral e da caridade, do Amor de Jesus. Levar ao altar, e trazer do altar!

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

A VIDA DAS PESSOAS

 

“…cada vigararia, cada unidade pastoral, cada paróquia, cada movimento, procure organizar e oferecer, a públicos indiferenciados ou específicos, um itinerário de formação na fé cristã, com incidência na vida das pessoas e das comunidades”, é uma das diretrizes que a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé” (ponto 31).

A chamada de toda a Diocese do Porto é um sinal que os Bispos colocam uma enfase muito especial no Ano da Fé. Em primeiro lugar dirigem-se a todos os cristãos, apelam às “bases”, para que o movimento seja imparável, com um fim muito claro de “formação na fé”, porque só esta é capacitadora do agir comungante de toda esta nuvem, que deve pairar sobre cada um e cada uma, como Filhos de Deus e Templos do Espírito Santo, no sentido de serem sinais vivos, duma Fé adulta, informada e formada, para que a grande novidade da Boa Nova, se torne Palavra compreensível, para as pessoas e as comunidades.

O pronuncio de uma Fé atuante, faz-se pela formação na fé, portadora dos sinais dos tempos, que se tornam realidade nas Vidas Vivas, e nas razões da nossa esperança. A este grande caminho não podemos ficar indiferentes, e contentarmo-nos a participar (muitas vezes a assistir) à missa, mas sermos portadores dessa mensagem que Jesus viveu, e nos mandou anunciar: a liberdade aos oprimidos, o pão aos famintos, a água aos que têm sede, a Vida a cada pessoa. Jesus é a Água Viva, que se dá, sem nada querer, como à Samaritana. Somos portadores dessa água, mas quantas vezes a sonegamos famintos que estamos da ignorância da humanidade em que vivemos. É de facto uma realidade factual, a necessidade deste “itinerário de formação na fé cristã”, e que mil flores desabrochem, de pensamentos, de ideias, de quereres, do movimento que carecemos para fermento da nossa Diocese.

Mas os nossos Bispos referem ainda, que este “itinerário de formação na fé cristã”, tem de possuir “incidência na vida das pessoas e das comunidades”. Grande palavra e grande desafio, colocar os moinhos a produzir farinha, desenterrar a persistente inércia de que somos possuídos, como se Deus não residisse em cada um de nós. Esta incidência não é unicamente pessoal, do foro do “eu”, mas como afirmam os Bispos também são dos “tus”, das comunidades famintas duma linguagem de amor, do Amor do Ressuscitado.

Quero ter fé, quero que Deus me conceda o benefício da fé, para acreditar, que todos nós vamos também querer como sua, essa fé. A partir de mim, e de ti, das nossas comunidades, dos movimentos, não podemos ser indiferentes a esta “Porta da Fé”. Seremos ou não?

Joaquim Armindo

Artigo publicado no jornal Voz Portucalense, de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

A BÍBLIA

 

“Desconhecer a Bíblia é desconhecer a Cristo”, esta frase lapidar de S. Jerónimo, citada na Dei Verbum, e agora lembrada, e bem, na revista “bíblica”, de julho/agosto do ano corrente, vem convocar-nos a todos para a grande necessidade do conhecimento, que devemos possuir da palavra inspirada. Não existe Ano da Fé, se este não for consubstanciado na Palavra, na Tradição e no Magistério da Igreja, este na procura da razão banhada pela água corrente do Espírito do Senhor. A carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, a propósito do Ano da Fé, reconhece isso mesmo, ao citar a Constituição Sacrosanctum Concilium, que afirma “Cristo…Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura”.

Temos todos de reconhecer que ao abrigo de práticas legitimas de piedade popular, nos esquecemos muito, e muito mesmo, que a Fé dada aos Santos, provém da nossa intimidade com Deus, na oração e na leitura diária da bíblia, e que a Igreja só o será, quando a sua missão for proclamar o Evangelho do Senhor.Por isso há um trabalho insanável para todos nós, convocados por Deus, nos diferentes ministérios, enviados pelo seu Filho, na comunhão do Espírito Santo, de ensino, de instrução, de leitura individual e coletiva, para descobrirmos que o Reino aí está, só que nós quais cegos de Jericó, não o vemos, não lemos a sua mensagem e prostrados, inanimados, quedamo-nos pelo facilitismo de que “eu cá tenho a minha fé”!

Viver o Ano da Fé é ser testemunha fiel de Cristo Ressuscitado, falar aos Homens em linguagem que nos entendam, e é tão fácil se for assumido o conhecer a Cristo, e para tal, também, conhecer e rezar a Bíblia; aprofundá-la e estudá-la, não fazer dela só o “livro da cabeceira”, mas da humanidade. Este livro sagrado não pode ser ignorado, porque se o for não alimentaremos a nossa fé, que só será alimentada quando vivida e proclamada. E se nós, com especialmente incidência nos bispos, presbíteros e diáconos, não o fizermos, somos responsáveis por uma fé ignorante e codificadora de matrizes, bem-intencionadas, mas que não respondem aos apelos incessantes do mundo onde devemos estar mergulhados.

Hoje, aqui e agora, haveremos de ser “porta estandartes”, de que meditar na Palavra do Senhor, é uma urgência sem igual, que sermos “muito católicos”, cumprirmos “regras”, que não nos farão mal, não é suficiente para o “Ide e proclamai o evangelho a toda a criatura”. Todos somos de menos, ninguém poderá ficar de “fora”, porque a Palavra é para ser meditada e proclamada. Cuidado, que se nos calarmos, “as pedras falarão”!

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 24, 2012

A CIMEIRA: RIO+20

 

Estamos no tempo em que realiza a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, conhecida por Rio+20, porque foi há 20 anos que no Rio de Janeiro se realizou a Conferência sobre a Terra. Temos também em consideração que foi no ano de 2000, que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou os “Objetivos do Milénio”, que pouco se conhecem, e muito menos se fez. Ao “falhanço político”, que têm sido estas conferências, onde se assinam muitos tratados, que não se cumprem, devem responder os cristãos com a ousadia da Esperança, e no espaço converterem em ações concretas o “pensar global, agir local”. Esta a tarefa de todos nós!

O documento base da conferência, que deverá ser aprovado, discute um novo pensamento, o da “economia verde”, com as boas intenções de erradicar a pobreza, promovendo a ética como base para uma nova civilização e ordem mundial. Mais de cem presidentes ou primeiros ministros, de quase 180 países, estarão presentes, para darem o seu “sim” a documentos, depois não cumpridos. A “economia verde”, de acordo com o documento, vem mitigar os efeitos da economia mundial, mas não resolve os problemas, as raízes das causas que os originam. Não seremos nós que julgaremos os bons propósitos dos países presentes, mas como podemos classificar quem defende uma “economia verde”, como ponto fundamental, e não respeita nos seus países o Ambiente e os Direitos Humanos?

A grande crise que vivemos terá uma resolução, quando através do conhecimento, formos capazes do desenvolvimento cultural, única forma de vencermos o ostracismo e a não participação das populações. O documento síntese, mas que contém dezenas de páginas, continua confinado aos três pilares do Desenvolvimento Sustentável: economia, ambiente e coesão social e vagamente coloca o fulcro na participação das populações livres e literatas. Não poderemos barricar a atuação, e esconder o desenvolvimento cultural, no social, porque aquele é de facto o motor essencial à presença dos povos e nações, livres, mas numa liberdade com pão! A Sustentabilidade, só o é, na medida do conhecimento e respeito pela democracia, numa vénia constante à Criação, que quotidianamente desprezamos.

Nós cristãos e cristãs, defenderemos a Criação, como emanação surpreendente de Deus, não poderemos nunca desconhecer o que o nosso mundo político decide, porque estamos no mundo, por mais lamacento que seja e deveremos defender todos os projetos aprovados, exigindo a sua real concretização, sabendo bem que o Espirito sopra onde e como quer, e que Deus está na história hoje, bem dentro dela, e será o Amor de Jesus, que iluminará as nossas ações locais. Não iremos esperar mais, pois não?

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 24, 2012

A NOSSA MISSÃO

 

“Missão é também a promoção do desenvolvimento, da justiça e da paz entre os povos. Missão não é só anúncio; é também presença, diálogo e partilha de valores entre os povos e religiões. Missão, é por fim e também, defesa da natureza e da criação, da terra, do ar, da água, dos recursos naturais, de um modelo de sustentável, respeitador da Natureza e das gerações futuras” (Editorial da Além Mar, junho de 2012).

“Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa”, está escrito no livro do Génesis (1,31), no poema épico da criação da humanidade. Tudo era bom! Só que existimos nós, com defeitos e virtudes, com pecado e omissão, a agarramos nesta liberdade e aspergimos com o sol tórrido da autosuficiência e da indignidade humana. Não toleramos, vestimo-nos com fatos domingueiros, bem dourados, mas sem a sustentabilidade do Espírito. Exigimos direitos, mas falta-nos o sonho da utopia, de vivermos como irmãos, de juntarmos o lobo e o cordeiro, na Paz de Jesus, que não é uma qualquer, mas o anúncio do perdão e da dignidade humana, da reconciliação e da justiça, do bem de cada um, só e quando existir o bem comum.

Estamos às portas de um acontecimento mundial, onde cerca de duzentos países estarão presentes, mais de cem chefes de estado, na Rio+20, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, na defesa da Natureza e da Criação, a que não podemos ficar indiferentes. Ao mesmo tempo e na mesma cidade, do Rio de Janeiro (Brasil), acontecerá uma conferência paralela, o Conclave dos Povos, onde milhares de pessoas representantes de ONG e outros organismos, discutirão e serão a denúncia, daquilo que por incapacidade os “chefes dos povos” não tiverem a suficiente coragem para defender.

Curiosamente, e por coincidência, celebramos o 50º aniversário desse grande Concílio do Vaticano II, convocado por João XXIII, e os nossos bispos reunir-se-ão, em Roma, para dar um novo folego à Evangelização, afinal para animar a nossa Missão. E Jesus foi tão simples ao expressá-la: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura, e batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo”. Tão simples e nada complicada a nossa Missão, ela hoje neste Universo sem fim, e falando a todos, e, principalmente, aos senhores dos vários poderes, é a defesa dos povos, da liberdade, da justiça, da fraternidade, da criação, da natureza e desta sustentabilidade (económica, ambiental, social e cultural), até atingirmos a graça de sermos saudáveis e vivermos, com a bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Cada um de nós é responsável por isso! No silêncio do teu quarto, unido a Jesus, pergunta-te o que tens feito para que tal aconteça.

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Junho 14, 2012

A RESPOSTA!

 

Igreja da Trindade. Porto. Sábado. Vinte e uma horas e trinta minutos. Centenas de jovens encheram aquele templo. Repleto. Cantavam, balanceando os seus corpos ao som de “Eu estou aqui!”, com força e vigor perante o bispo da Diocese e alguns padres e diáconos, proclamavam que Jesus estava ali, “tão certo como o ar que eu respiro”. Ligados os pulsos com fitas de cores várias, impressionaram pela vivacidade e pela alegria, ao levantarem os seus braços, ligados entre si, balanceavam-se cantando. Não era um espetáculo, é a doação de si, que em tempos da “crise”, do desemprego, da fome, dos débitos que têm, não sabem como, apareceram de toda a diocese, para marcar a fulcral identidade dos valores cristãos, do trabalho e de uma sociedade outra, com água viva, saída de um “poço”, construído com os tijolos, que cada um lá colocou.

Esta impressionante resposta dos jovens da diocese do Porto, é um ato concreto do Espírito Santo, na Vigília da Santíssima Trindade. A irreverência destes rapazes e raparigas, homens e mulheres do amanhã, é um veto a todos que julgam ou pensam que a Igreja está moribunda, porque estas mãos dadas são a prova indelével de que Jesus está com na Igreja, que construiu. “A Igreja não vem de si, mas de Cristo; não é para si, mas para Cristo e para o mundo para onde Ele veio, como Missionário do Pai, e por quem Ele se entregou em amor jamais igualado”, como refere o Padre Almiro Mendes (Revista Além Mar, número de novembro de 2011), por isso é missionária na sua própria casa, neste caso a grande diocese do Porto.

Este rio de água pura que encheu o Porto, cidade da Virgem, com as suas velas luminosas, num dia, a via-sacra, percorrendo, sem medos, as ruas da cidade, noutro, e a vigília de que vimos a falar, são respostas de Vida em Jesus. O sermos minoritários é uma bênção, se formos testemunhas da Igreja de Jesus, que percorre um caminho, um longo caminho, não se preocupando com a sua manutenção, porque isso é obra do Espírito Santo. “Olhai os lírios do campo” – diz Jesus. Eles florescem em cada esquina, são as flores que não se preocupam se vão murchar, porque sabem que é da sua semente, que morre, que multidões nascem, para percorrer o caminho em frente.

As mãos erguidas dos jovens, unidas por um só querer, “tão certas como o ar que respiro”, são, e têm de ser, os empurrões dados aos céticos, que, talvez pelas desilusões, estão cansados de caminhar.

Comunidades da diocese não estejam desiludidas, porque as bocas, os pés e as mãos, destes jovens, são a evidência do vento que sopra. Vamos lá a isso, Jesus está aqui!

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 10, 2012

AMAR A IGREJA

Amamos a Igreja tal como é, com os seus erros, nós os cometemos, com a sua santidade. Amamos esta Igreja Cristã, até damos a nossa vida por ela. Não estamos fora, mas dentro, como corresponsáveis por tudo o que nela acontece. A Igreja somos todos nós, por isso está adstrita a tantos artigos de um Direito Canónico, que muitas vezes, como todas as leis, foge do amor de Deus. Mesmo assim, é a Igreja de Jesus, o Ressuscitado, aquele que não abandona ninguém, e está sempre no Templo do Espírito Santo, que é cada homem e cada mulher.

No Pentecostes lembramo-nos da Maria (nome fictício), 42 anos, divorciada, porque o seu marido assim quis, cheia de fé em Jesus, no Deus incarnado, e que mandou atirar aquele que estivesse sem pecado, pedras a uma mulher. Ninguém o fez, foram-se embora e Jesus abençoou a mulher, e mandou-a em Paz, na sua Paz. Mas Maria, não é prostituta, e se o fosse o Senhor faria o mesmo. Ela é uma mulher, cheia de fé em Maria, a mãe de Deus e nossa mãe.

De repente Maria apela nas redes sociais para uma situação que vive na carne. Não era crismada, mas preparou-se para o ser, sente uma necessidade infinita de o ser, está convicta deste ato, e no desespero grita, porque o Sr. Padre da sua Paróquia não permite o seu crisma. E Maria ainda afirma, amar esta Igreja, estar nela, embora o desgosto no seu coração, e pergunta ao mundo, então que fazer. Muitos comentários nesta rede social, de vários matizes, perante alguém que cumprindo a lei diz não, a uma fé em Jesus!

Maria, pertence a uma diocese deste Portugal (não, não é a do Porto), onde o preceito não conseguiu falar para uma pessoa de hoje. Se fosse Jesus, o que faria? Perante uma Maria banhada em lágrimas, que roga o crisma? Está faminta deste sacramento e reza para que os homens desta Igreja, compreendam que Jesus não condena, mas Ama. O grito de Maria é muito sério, é o de muitas Marias, e Maneis também, prontos a dar tudo o que possuem ao seu Jesus, mas que esbarram nas leis que nós, os cristãos, fizemos.

A Nova Evangelização, este Ano da Fé, que vamos viver, deverá ter, também, uma resposta para a Porta que Jesus abre a toda a humanidade, e a Maria também. Porque, Senhor Jesus, nos arreigamos tanto aos preceitos, e não conseguimos discernir que o Espírito Santo, atua como e onde quer? Quem seremos nós para entender, como queremos, o sopro do Espírito Santo?

Entretanto Maria não foi crismada, mas a sua fé, vai mover montanhas, porque para além das leis que estabelecemos, uma linguagem que as pessoas já não entendem, continua firme, muito firme, na sua convicção, para servir o Senhor, com crisma ou sem ele.

Dá que pensar, não dá?

Joaquim Armindo

O EURO! Artigo publicado por Joaquim Armindo, no Voz Portucalense

Novembro 19, 2011

O EURO!

Nestes tempos existe um deus inamovível: O EURO! Um deus feito à imagem e semelhança das conveniências incompreensíveis dos valores que fomentam determinada economia. Temos que dar a vida pelo Euro, colocá-lo em letra maiúscula, não vá ele zangar-se! Nestes tempos do século XXI descobrimos que devemos prestar-lhe o maior culto, as liturgias adaptam-se a este deus maravilhoso, sacrossanto e omnipresente. A ele os seus mais diletos ministros, leiam-se os economistas e afins, prestam toda a devia vénia, e sacrificam as vidas, em holocausto vivo, para a sobrevivência da humanidade.
A discussão do Orçamento de Estado, documento que pouco vale, já que sabemos que os sacrifícios vão ser maiores, para que o deus viva, é uma atoarda de corta aqui, põe acolá. E corta no que for necessário, sacrifica todos, mesmo os que nada têm, porque esses ainda podem possuir roupa esfarrapada que este deus, esfomeado, necessita. E aqueles que durante a vida foram juntando um pouco para a viver com dignidade, corte-se, retire-se, vamos à busca de todos e saquemos o que pelo seu esforço possuem. Este deus elevado à categoria maior, pela europa civilizada e ocidental, solidária com todos os dólares que existam, mesmo para comprar o pão quotidiano, está faminto, e tudo devora.
É porque esses, esses os vassalos, são incompreensíveis, gastaram mais do que o que produziam, por isso que paguem, que deixem a bolsa e a vida, para os défices diminuírem, as dívidas soberanas, que a grande maioria nem sabe o que é!, entre na ordem estabelecida, e tudo possa florescer num outro tempo, que está para lá, muito para lá, mas para nosso bem!
A esta perturbação a Igreja tem respondido, palavras e ações, socorrendo quem precisa, sendo paradigma duma outra economia, a da solidariedade. Mas não basta, nós cristãs e cristãos devemos, em voz única, proclamar que existem outras saídas, que são as do Amor, duma economia do Amor, para nós a do Samaritano, que não passa, mas fica, como presença visível, de quem dá, gratuitamente. A humanidade, esta Europa, este nosso Portugal, precisa dos valores de Deus, que se dá, morre e ressuscita, para uma Nova Vida, numa outra Humanidade, focada na Vida, porque Deus criou o Éden, para que todos vivamos. Só é necessária a proclamação da Boa Nova, duma Nova Evangelização, que faça de cada um de nós, não servos do Euro, mas de Deus Vivo, da Vida. Ninguém se pode refugiar, e fazer que não sabe, todos seremos muito poucos, para que sob a orientação do Espírito, sejamos filhas e filhos de Deus. Vamos a isto!
Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, escrito no Jornal Voz Portucalense

Outubro 30, 2011

KADAFI: A PESSOA

 

A criação, que tudo compreende, é boa, “ e Deus viu que tudo era bom!”, diz-nos o mito de origem, escrito em Génesis, sobre a criação da humanidade. Quando o mesmo mito de origem, nos conta a história de Adão e Eva, uma desobediência ao bem, no segundo relato da criação, do mesmo livro, eles sofrem pelos seus actos, aqui não existe um “castigo”, mas um sofrimento pelo mal que é feito à Criação. Deus na sua justiça não mata, não assassina, mas leva a consciência da rotura entre quem pecou e a Criação perfeita. Este poema da criação da Humanidade é muito belo, e traduz a verdadeira face de Deus, perante os homens e as mulheres, e todo o resto criado, ou em constante criação, mesmo hoje.

Kadafi, era um homem, uma pessoa, criado por Deus, e ninguém pode rejubilar pelo seu assassinato. Foi, é!, uma criatura em tudo formado à imagem e semelhança do Deus Uno-Trino, não podem existir sentenças executórias da vida. Ele foi um ditador, de ameaça constante à liberdade, assassino de homens, mulheres e crianças, mas foi o mesmo que recebido em Portugal, teve honras de grande homem, o mesmo que recebido nos países europeus ou nos Estados Unidos, sempre acarinhado. Onde estavam a voz dos Obamas, que agora rejubilam pelo seu assassinato, em denúncia por todos os atropelos e crimes contra a humanidade? Onde? Há sombra de negócios, tendo por conta a centralidade do dinheiro, do petróleo e quejandos, em todo o lado foi recebido muito bem, e até instalava tendas para as suas estadias. E qual a voz que se levantou para acusar Kadafi das atrocidades cometidas? E vamos ver a partir de agora o que sucede à Líbia, onde estará a unidade da luta pela dignidade humana, que não foi considerada neste assassínio.

Não defendo o que fez ou não Kadafi, horrorizo-me por isso, são crimes que não podem ficar impunes, mas um atentado à vida, é mesmo um atentado. A comunicação social, que teceu loas a este homem, agora partilha imagens sem moral. São atitudes destas, que em nada contribuem para uma nova ética mundial. Compreendo a desorientação dos assassinos, mas não posso aceitar.

Kadafi, é uma Pessoa, o que fez, seria julgado, de acordo com a justiça dos homens, mas não massacrado, como se viu, isso é um desprezo da sua condição humana. Estas mortes não contribuem para a Paz, antes a submetem a novas violências. Assim não fez Deus, o Criador do Universo, no mito de Adão e Eva.

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no jornal Voz Portucalense

Outubro 22, 2011

SER CRISTÃO

“Tras medio siglo de coexistencia  com el comunismo, los cristianos ham elaboradi estratégias efectivas para sobrivivir, y cuando se les perseguia sabian como resistir y preserverar en su fe, e incluso hallaran en el comunismo una búsqueda afín por la justicia social. Ahora, ante el dominio casi universal del capitalismo, las iglesias cristianas se encuebtran perdidas, sim saber qué hacer para ayudar a sus fieles, sobre todo a los jóvenes, para que resistan al canto de las sirenas. No sorprende en absoluto que el denominado “El evangelio de la prosperidad” haya resultado tan atractivo en los países comunistas de Asia como en los Estados Unidos. En consecuencia, es probable que el desafio más difícil para ser Cristiano en los países comunistas de Asia y en todo el continente no sea y ala represión de la liberdad religiosas, sino qué hacer com ella cuando a la gente ya no le preocupa absoluto”. [1]

Não resisti a este texto tão bem elaborado, da Revista Concilium, de Abril do corrente ano, que sobre a temática “Ser Cristiano” tão bem reporta os desafios e os sinais, das nossas comunidades, não só na Ásia, mas mesmo em Portugal, se bem que as circunstâncias da liberdade religiosa sejam outras. O texto merece uma reflexão da nossa parte, perante aquilo que são os sinais no nosso país. É que de facto, como na Ásia, na Europa e em Portugal, existem desafios dos “cantos das sereias”, do capitalismo absurdo e ultraliberal. Este é o desafio mais difícil, o da repressão selvagem contra a Criação, abortando a Vida, quando se vive em plenitude.

As “sereias” que hoje cantam não são mais que abjetos valores que tudo violam, e numa sagaz e furiosa ganância colocam, não só os mais novos, mas todos, nas antípodas da Boa Nova, duma nova ética mundial, para o desenvolvimento sustentável, via da saudabilidade das pessoas. Os “valores” duma sociedade sem ética, coloca-nos desafios mais agudos, que a simples repressão proibitiva, e afirmo “simples”, porque é mais subtil, mais parcimoniosa, mais principesca, em cativar os incautos. As manifestações justas de desagrado, a que chamam e justamente de “indignação”, tem origem nesta nefasta compreensão do que é a criação, são gritos da sociedade que escutamos, sem ter qualquer receio de estar no seu meio, porque Deus também está aí. Está nos que sofrem, e a sofrer, está nos indignados, e a indignar-se.

Não vamos por aí, pela selvajaria dos mercados financeiros, que pouco se importam de quem sofre, mas vamos escutar os gestos e atitudes de Jesus, que no seu tempo inaugurou a economia do Amor e da Solidariedade, esta sim, a os valores perenes da alegria dos povos. É só preciso saber se estamos ou não com as nossa forças, a querer descobrir o “Evangelho da Solidariedade” ou o dito “ Evangelho da Prosperidade”.

Joaquim Armindo


[1] – Concilium, n.º 340, Abril de 2011,  Phan, Peter C., páginas 251 e 252.

Artigo escrito por Joaquim Armindo, no jornal Voz Portucalense

Outubro 16, 2011

COMPANHEIROS

Jesus quando da última ceia com os seus companheiros, pegou no pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o, aos seus companheiros, e com o vinho fez o mesmo. Ele deu a Vida!

Por isso a palavra “companheiro”, tem um significado extremamente importante, companheiro é aquele que está comigo, e com os outros, aquele que dá a Vida, aquele que parte o pão e o come, juntamente com as mulheres e os homens, aquele que faz dos problemas dos outros, os seus próprios. Jesus fez isso, deu a Vida, neste gesto do partir do pão, elemento essencial à vida. Dizia o cónego Rui Osório, na homília de domingo, que quando há anos, um pouco de pão caía no chão, nós apanhávamos, beijávamos e comíamos, ícone mais lindo e belo, do que é comer à mesma mesa, do mesmo pão, e vinho, porque isso é dar a Vida.

Estamos numa economia que não conhece este ser companheiro, vivemos numa humanidade que colocou o mito de origem de Adão e Eva, e o jardim paradisíaco, nas antípodas do viver e da vida. Preocupamo-nos em estabelecer tantas relações com orçamentos, défices, exportações, importações, ativos fixos tangíveis e intangíveis, palavras e correlações, servidoras de problemas, quando a solução é bem mais simples. Estamos numa crise, dizem, sem precedentes, com bancos na falência, com poupanças e menos poupanças, com milhões, que já não sabemos o que valem, e, até, com os mais ricos a dizerem que o não querem ser. Os mercados do dinheiro, com as correrias do ganhar mais por minutos, do ter, do receber dinheiro, euros ou dólares, que nem sequer perscrutamos a Vida. Não somos capazes de ouvir as marés, os ventos e cheirar as flores, porque na azáfama das Bolsas, se esvai a nossa alegria de viver.

Estamos confundidos, totalmente confusos, porque nos falta este gesto do partir do pão e do vinho, alimentos imprescindíveis, com os nossos companheiros. E a nossa mesa já é uma roleta dos mercados cambiais! O gesto simples de Jesus, de dar o pão e o vinho, de compartilhar, é a eucaristia da nossa Vida, o chamamento das cristãs e dos cristão, de todas as religiões e dos de boa vontade, e sermos os companheiros na Vida, vivida e sentida. E este não é um sonho, mas a perenidade da Vida em Jesus. É preciso dizer não, a quantos subjugam a Vida, aos ditames dos euros e dos dólares e das correrias sem sentido. Sejamos Companheiros!

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Outubro 11, 2011

EU TENHO UM SONHO

 

Assim começava o famoso discurso do Pastor da Igreja Baptista, e líder do movimento negro, nos Estados Unidos da América, Martin Luther King. Eu também tenho um sonho, para o meu País, Portugal e para a Humanidade.

Tenho o sonho que provém do Sermão de Jesus, na Montanha, e que intui o plano concreto de cada cristã e cristão em Portugal. Tenho um sonho, que os meninos e as meninas do meu país, saiam de mãos dadas às ruas, e de flores em punho, as ofereçam a todos os ministros deste nosso país. Tenho o sonho que os homens e as mulheres do meu país, se levantem, e ofereçam o trabalho das suas mãos calejadas. Tenho um sonho que do Algarve ao Minho, dos Açores à Madeira, as diferenças sejam motivo da alegria incontida nas danças e cantares do meu país. Eu tenho um sonho que as finanças do meu país, sejam um paraíso de felicidade, e que não mais, nos curvemos à ditadura dos défices, que nunca mais se pagam. Eu tenho um sonho, que os meus irmãos e irmãs, não vivam debaixo das pontes e as caixas de papelão sirvam de colchão. Eu tenho um sonho, que nunca mais se distribua a sopa dos pobres. Sim, eu tenho, um sonho, que a solidariedade e subsidiariedade vençam, e nunca mais os euros estejam acima das pessoas livres. Eu tenho um sonho, que ao ouvir a rádio pela manhã, não seja informado de mais aumentos do pão, que comemos todos os dias. Eu tenho um sonho, que a vida comande a vida, e não mais ouça consecutivamente dizer que cada um de nós deve dinheiro, sem saber porquê. Eu tenho um sonho, que de Coimbra à Covilhã, das Furnas à Ribeira Brava, de Faro a Bragança, do Porto a Lisboa, de Ponte de Lima a A-das- Gordas, nunca mais se deixe de pronunciar a palavra AMOR.

Mas não é só sonho, é uma verdade imparável, porque bem aventurados sois vós, quando derdes a vossa vida, por este sonho, quando escutardes a voz das prostitutas, dos drogados, dos presos, dos marginalizados, dos arrumadores dos automóveis, dos perseguidos, das mulheres violentadas, daqueles que não têm dignidade, porque lha tiraram, quando souberdes que existem “homens que nunca foram meninos”, como diz Soeiro Pereira Gomes, no seu livro “Esteiros”.

E quando assim indignados nos erguermos, haveremos de sentir e viver, que somos o sal que dá o sabor ao pão de cada dia, e que o Senhor, o da Montanha, está sempre connosco, na Nova Evangelização, a Missão fundamental da Igreja.

 

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, da autoria de Joaquim Armindo

Setembro 27, 2011

INDIFERENÇA

Vivemos um ano grande de começo, o ano 2010, em que existiu uma movimentação substantiva de muitas comunidades, aqui na Diocese do Porto. É certo, porém, que uma parte das comunidades não se movimentou, para o Ano da Missão.  Em outras foi muito ténue, mas ficou a energia de uns tantos. O ano de 2011 não apareceu como tal, sentimos uma ausência e comodismo. Sabemos as grandes aspirações, mercê de avaliação realizada, a família e a juventude. Confesso que vivi com esperança que na “crise”, ousássemos ser mais criativos e mais dependentes do Evangelho. Sinto comodismo, quase indiferença das nossas comunidades, em enfrentar o desafio dos sinais dos tempos. Sou de certeza culpado, porque pertenço à sociedade e estou em Igreja, mas permitam-me, já agora, indignado.

Começo a pensar no que faria Jesus, aqui, onde uma parte da população está a sofrer os ditames do poderio económico e financeiro. Não seria que neste país das naus catrinetas, pegaria num “chicote” e daria umas valentes palmadas, na indiferença das nossas comunidades perante tudo o que se passa? Podem dizer-me, que não é bem verdade, estamos em campo a acudir, como bombeiros, aqui a ali, milhares de voluntários dão muito de si para acorrer à situação dramática, os nossos bispos denunciam e o Bispo do Porto, não se cansa de em todos os lugares exortar a que a solidariedade permaneça e se robusteça. Tudo isso é verdade! Seria catastrófico e injusto não reconhecerem o valor da atividade da igreja, da nossa atividade.

Mas, quando olho para todos os lados, aparece indiferença, perante o Pão Vivo e a Água Viva, perante aquela Água que não é do poço de Jacob. Quantas pessoas e organizações o fazem, e não são sequer crentes, com o maior amor de si mesma, para isso não é necessário ser cristão ou cristã. Basta ter Boa Vontade, e muitos existem a quem temos de nos curvar com muita humildade.

Mas o que interessa, sobretudo, é o caminho para outra cidade, onde não haverá necessidade de mais sede, nem fome, porque Jesus tem essa Água Viva. E isso começa por cada um de nós, na atividade da vida, no Amor que damos, e ninguém dá aquilo que não tem. Este Amor que é gratuito, não interesseiro, por isso não está à espera da Vida Eterna, é o único capaz de ser totalmente eficaz, de derrubar todos os muros.  Sinto que na nossa Diocese, a par de um potencial, puxado pelo nosso Bispo, existe, porém, a indiferença de muitos e muitos cristãos, a denotar uma iniciação cristã desbotada e sem cor. Figueiras sem fruto! E mesmo muitos responsáveis, de cada Paróquia dão-se por vencidos, perante uma sociedade consumista, que só tem tempo para Deus, quando dele necessita. Deus não conhece o tempo, nem o espaço, para nós, porque está sempre connosco! Os sinais da necessidade de missionários estão bem dentro das nossas portas, embora acredite que mesmo pobres neste domínio, e por isso mesmo, poderemos contribuir para outras paragens. Mas a nossa é urgente, e começa na Diocese do Porto, nas Igrejas, nas pessoas, e isto é Missão contra a indiferença, seja de que for, pela Nova Evangelização.

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, no Voz Portucalense, de julho

Agosto 28, 2011

O TERROR

 

Na pacata Noruega, deu-se aquilo que ninguém pensava, bombas e tiros sacudiram o bem-estar daquele povo. Um homem, que é uma pessoa, durante dois anos, planeou assassinar crianças e jovens, homens e mulheres, que ele não devia sequer conhecer. Foi preso, mas não tem qualquer remorso, e porque o deverá ter? Tinha um objetivo, construído na sua mente, podia até ser doentio, mas tinha, e com convição, fanática?, até pode ser, mas agiu nos superiores ditames da sua consciência. Ou talvez não, mas na prossecução dos valores que construiu no quotidiano da sua vida, faziam parte do seu coração e vida, pode ter perdido a liberdade, mas ganhou o sucesso, da sua infindável “generosidade”, para aquilo em que acredita.

É horrível o que aconteceu, nos nossos sofás, as televisões mostram tudo, o que se passou e as flores terra adentro dos adros, como memória dum medo, construído. As autoridades policiais, também elas incrédulas, buscam tudo, interrogam, prendem, casa a casa, para aliviar os pesadelos sofridos. O medo pousou desta vez na Noruega. E todos nós choramos e perguntamo-nos, afinal o que é isto, o que se passa, alguns até inventam um fim do mundo, prestes a acontecer. Ao ver as fotografias fiquei incrédulo, até fui de minas e armadilhas, nas tropas coloniais, como é possível tal atrocidade. Mas foi, concretizou-se um sonho dum homem, que pensa ganhar a humanidade, com esta ignominiosa ação.

Há muitos anos, também, na Palestina ocupada pelo colonialismo romano, um homem foi assassinado, um homem que representou a humanidade, no seu todo material e espiritual, brutalmente espancado, emudecia ao som de palavras “Meu Deus, Meu Deus, porque me desamparaste?”. E quem o matou: as autoridades políticas, económicas, religiosas e o povo. Foi assim que morreu, e a televisão desse tempo, nas palavras das testemunhas escreveram para que toda a humanidade lê-se e acreditasse.

No momento da condenação ao homem que aniquilou quase uma centena de pessoas, e que nunca ninguém vai compreender, vamos refletir, e talvez esteja um pouco de cada um de nós, afincados pela nossa ignorância, intolerância e falta de amor. Todos nós devemos rever-nos neste atentado fratricida, e perguntarmo-nos onde está a força da nossa Fé, a força da nossa ação, encorajada pelo Homem que morreu na Palestina: Jesus, o Senhor. É que ainda não acabamos com os estudos, as reuniões, para partirmos, na oração, nos sacramentos, para fora a proclamar o Evangelho do Amor.

Também somos co-responsáveis, pelo atentado? Ou não?

 

Joaquim Armindo

Artigo escrito no Jornal Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 24, 2011

NOVA EVANGELIZAÇÃO

 

Recordo-me que o insigne Professor Paulo Freire, da Universidade de S. Paulo, Brasil, e autor do excelente livro “Pedagogia do Oprimido”, se referia às questões do “ensinar”, com estas palavras “Ninguém ensina ninguém, nós é que nos ensinamos uns aos outros”.

Tenho sempre uma tendência em lembrar-me destas palavras, quando falamos em “Evangelização”, e a minha tentação é saber se são, ou não, os confessadamente ateus, agnósticos, e, principalmente, os indiferentes, que ensinam aos cristãos, o que se traduz em Evangelizar, e, sobretudo, na Nova Evangelização. E na deambulação dos meus pensamentos, corro os riscos se não serão eles, que nos estão a evangelizar. E interrogo-me se não estarei a ser herege, ao ousar pensar assim.

Mas sendo ou não herege, o facto é que, com a maior consideração que me merecem os ateus, agnósticos e indiferentes, são eles, e digo felizmente, que me abrem os olhos, qual dom do Espírito?, sim, com a lama que Jesus amassou, para verificar que nós os cristãos, os baptizados, os que possuem a iniciação cristã, somos os maiores responsáveis, pela ação ou omissão, que traduzimos essa indiferença, a falta de fé, os maiores contra exemplos do que foi, e é, Jesus de Nazaré. Não me estou a autoflagelar, não senhor! O excelente livro “Ensaio sobre a Autoflagelação”, de Boaventura Sousa Santos, de ler obrigatoriamente, situou-me no ponto impossível, de o fazer.

Estou a pensar, isso sim, de como atua o Espírito do Senhor, quando e em quem quer, e a Nova Evangelização, é fortemente para nós, os cristãos, que já nem do Domingo, fazemos o Dia do Senhor, uma urgência sem par. É o exemplo de cada um de nós, a praxis, e deixem-me dizê-lo, incubados dentro das portas dos templos, de todos os que existem, e dos outros que fazemos ao nosso redor, os maiores responsáveis, porque ainda não fomos tocados pela Palavra do Senhor, quanto temos de “bater com a mão no peito”, por não termos proclamado à humanidade a Palavra, e esta pelas atitudes, pelos gestos, pela nossa camuflada indiferença. Na Nova Evangelização, que tarda em se fazer sentir, recolhamos os ensinamentos de tantos ateus e agnósticos, e até dos indiferentes, que é feroz, para sabermos proclamar a Palavra do Senhor. São eles, com todo o respeito, que nos fazem sentir a necessidade de sermos evangelizados, e nos deixarmos evangelizar, como servos inúteis, duma inutilidade tão grande, que pensamos que o não somos.

Tarda evangelizar os cristãos, tarda a Nova Evangelização.

 

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, no Voz Portucalense

Julho 10, 2011

A GRANDE MUDANÇA

“O significado genérico de Espiritual é como o sujeito activo da ética e da cultura…por isso torna-se impossível dissociar a significação do Espiritual, pelo menos a nível antropológico, das descrições filosóficas caracterizantes do homem: lúdico, simbolizador, vivente que fala, o único que tem tempo, objectos e mundo” .
Uma das características fundamentais, aliás nas Universidades Americanas faz parte dos curricula dos cursos de gestão, é atender à transformação proveniente do Espiritual, à paragem para a reflexão pessoal e colectiva. Por isso num país em “crise”, como Portugal, as organizações e as empresas deveriam atender à reflexão do insondável poder das consciências, e ler a realidade dos nossos dias, em cada caso concreto e na observância da globalização. Sem uma leitura aprofundada, em silêncio e contemplativa, isto significa “parar para pensar”, não existem doutrinas económicas capazes de resolver as questões.
A mudança, porque se trata disso, no quotidiano da via pessoal ou das organizações, está não no “sucesso”, mas na determinante consecutiva da Vida, do viver com ou outros, de elaborar um paradigma novo, onde tenha lugar a identificação do elemento espiritual, como único portador da abertura do pensamento às coisas concretas das empresas à ética e à cultura. Não é possível libertar o País da “economia do destino” sem este pensamento espiritual, o paradigma da liberdade não se consegue pela absorção de quaisquer escolas económicas. A ciência económica tem, como é óbvio, um lugar no fortalecimento do desenvolvimento da sustentabilidade, no entanto este não possui a caracterização necessária, para, por si, caminhar de forma indelével numa outra postura de ética mundial, porque é necessário o Espiritual, para a modificação do ego centralista numa pessoa, ou numa organização. Só com esta alteração conseguimos uma sociedade do “vivente que fala”, actua, tem objectivos e postula a contemplação vivificante para modificar-se e modificar.
Jesus Cristo precisou também de “muitos tempos” de contemplação e meditação, do Espiritual, Ele retira-se para o deserto, deixa os discípulos e vai orar, e depois encontra-os a dormir. As organizações, as empresas, os seus colaboradores, que não se encontrem muitas vezes neste “deserto”, não poderão sobreviver porque não existe o Espiritual nas suas vidas, nas suas acções, e encontram-se a dormir.

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Julho 5, 2011

A MISSÃO

“Tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber, estava preso e visitaste-me, tinha frio e agasalhaste-me”. Estamos perante um ano após a Missão 2010 – co-responsabilidade para uma nova Evangelização. A Igreja do Porto começou uma caminhada, no sentido da Missão da Igreja, como Paulo de Tarso dizia: “Ai de mim, se não pregar o Evangelho”. Esta a única Missão da Igreja: Anunciar a Boa Nova. Tivemos um ano de 2010 de intensa actividade, foram as Janeiras, expressão cultural que é preciso revitalizar, Taizé, com todo o encanto, o encontro inolvidável dos frágeis, a grande procissão da Luz na Cidade, as férias e todas a grandes reuniões, mais o cordão humano da Luz. Existiu, sim senhor, uma mobilização do “Ave ao Marão”, com todos os Secretariado a dar o seu melhor, e consequentemente, o que há muito tempo não se sentia. Mais: dezassete Diáconos Permanentes ordenados. O Bispo do Porto pode estar orgulhoso de toda a movimentação, e foi ele que a dinamizou, alegrou e não teve medo dos fracassos. Foi um bom ano de inicio de um caminho invejável. E tudo foi avaliado, o que não é normal!
Estamos em Portugal, na Diocese do Porto, no ano de 2011, a Missão continua a ser: Anunciar a Boa Nova. Esta hoje, aqui e agora, é a missão profética da Igreja, e a Boa Nova, o que diz? Damos de comer a quem tem fome? De beber a quem tem sede? Agasalha-mos os que têm frio? Os perseguidos e as sarças ardentes, as mulheres e os homens desta Diocese sentem o nosso caminhar? Ou mostramos um Jesus, que não caminha na estrada de Damasco, juntos dos mais pequeninos, dos que não têm voz, nem vez? Nas fábricas, nos escritórios, nas ruas e vielas, nas avenidas e nos becos, sente-se Jesus? Este não tem outras mãos, nem outros olhos, nem outras pernas, que não sejam as nossas, somos nós possuídos por Jesus, alimentados pela Eucaristia, pela Palavra e abandonando-nos ao Espírito, os fazedores deste grito profético, necessário e urgente, no nosso País?
A “Nova Evangelização”, é a escuta dos sinais dos tempos e da vivência do hoje, ela não começa na Igreja, mas sim, dentro e fora, por isso também é profética. Estamos numa situação em Portugal dramática, e a Igreja não sendo política, é contudo a sentinela, a luz e o sal, o fermento na massa. Mais do que nunca a prática da Evangelização corresponde aos desafios lançados. Não estamos à parte do mundo, mas nele, assim como estamos em cada sítio, por mais pequeno que seja, servindo a Justiça, o novo nome da Paz, como referia Paulo VI. Ora isto começa em cada um de nós e na comunidades.
Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no “Voz Portucalense”

Junho 13, 2011

CRESCER OU DESENVOLVER

 

Ouvimos da boca dos responsáveis e lideres que é fundamental o crescimento da economia portuguesa, somos bombardeados com números e mais números, sem que entendamos muito bem do que falam. Todos querem crescer, e na minha humilde condição de cidadão participativo, não compreendo. É que o crescimento gera sempre crise. O crescimento é um chavão que esconde as realidades porque passam as pessoas, a sua cidadania. Nesta Quaresma tenho pensado nesta questão, como o povo a que pertenço sairá de juros, défices, que o leva a uma cidadania solipsista. Lembro-me que Jesus “crescia diante de Deus e dos homens”, e reflicto se este “crescer”, é o mesmo que agora todos proclamamos, e sinto uma diferença abismal. É que crescer diante de Deus e dos homens, é um desenvolvimento integral, não condicionado, colocando sempre o bem comum, as pessoas, a cidadania participativa, o perdão, num paradigma outro, que faz de cada mulher e cada homem participantes activos, construtores do novo nome da paz, que é a justiça, como referiu Paulo VI.

O “crescer” de Jesus, é um desenvolvimento integral, sem mácula, porque é de serviço, hoje diríamos que é o Desenvolvimento Sustentável, nos domínios da economia, do ambiente, da coesão social e cultural, o entendível para todos os povos, mas, e como se reconhece em algumas Universidades, da Gestão das Organizações, é uma marca indelével a espiritualidade de todas as nossas acções. Este é o desenvolvimento imprescindível, enquanto o crescimento traduz-se por números obsoletos, e que os “homens da sabedoria” andam às voltas.

Hoje na continuação da missão, em comunidade cristã, da Diocese do Porto, deveremos ter como especial atenção as “sarças ardentes”, onde está Deus, crucificado, e como referia o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes: “De pé diante dos homens, de joelhos perante Deus”. A “missão” não é abstracta, mas deve assumir a denúncia e a profecia, a intervenção a que os sinais dos tempos nos conduzem, e caminhar para uma Terra onde “mana leite e mel”.

Joaquim Armindo