Archive for the ‘Moscadeiro’ Category

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Julho 29, 2008

MOSCADEIRO

A CULTURA DA SEGURANÇA

Há poucos dias ouvíamos todos que em Portugal, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). Verificou mais de 10 000 estaleiros, tendo verificado anomalias graves em mais de 1 000,e por isso instaurado as devidas contra-ordenações. Algumas delas referem-se a coisas simples de cumprir, mas muito preciosas para todos, por exemplo, os exames periódicos ou ocasionais que os Médicos do Trabalho têm de efectuar, sendo responsáveis pela sua não realização as entidades patronais e os respectivos Técnicos Superiores de Segurança e Higiene. Mas no nosso país só uma intervenção “tipo ASAE” conseguirá o assegurar de condições para assegurar as condições mínimas de segurança e saúde, para todos os trabalhadores. É verdade que essa intervenção não cria, nem vai criar, uma cultura de segurança e saúde nas organizações, se só levarem a efeito a gestão dos perigos e riscos por uma actuação coerciva; é necessário criar todas as condições para que as organizações e os seus dirigentes compreendam que o início de qualquer “obra” e/ou “estaleiro”, ou o normal funcionamento do trabalho é necessário para a defesa dos homens e mulheres que trabalham, o que traduzido dá por um empenhamento de todas as partes interessadas: os governos, os empregadores e os trabalhadores. Quando os dirigentes das organizações são os primeiros a prevaricar, porque não são eles que estão no meio dos perigos e riscos, deixando funcionar “obras/estaleiros”, sem o cumprimento integral de condições normais, então tornam-se coniventes com o número de mortes e feridos, por motivo da sua incompetência e arrogância para aqueles que são os trabalhadores, é de facto uma questão de cultura substantiva, que muitas vezes possuem o beneplácito dos trabalhadores.

O 18.º Congresso Mundial sobre Segurança e Saúde no Trabalho, reunido em Seul, a 29 de Junho de 2008, tendo consciência desta questão mortífera, decidiu apelar aos governos, empregadores e trabalhadores, no sentido que uma nova consciência nasça, afim de que os 2,3 milhões anuais de vitimas, com uma perda de 4% do PIB (esta é para os economistas!), assumam “ a liderança da promoção de uma cultura preventiva de segurança e saúde no trabalho e a assegurar que os seus planos nacionais dêem prioridade à segurança e saúde no trabalho”. Declaram que “ a melhoria contínua da segurança e saúde no trabalho deveria ser promovida através da introdução de sistemas de gestão da segurança e saúde no trabalho”, e consideram que os governos deveriam “garantir que a segurança e saúde laboral dos trabalhadores esteja protegida por um sistema adequado e apropriado de execução de regras de segurança e saúde que inclua um sistema sólido e eficaz”, assim como os empregadores deveriam garantir que “a prevenção constitua uma parte integrante das suas actividades, já que o bom desempenho empresarial está associado a normas que garantam um elevado nível de segurança e saúde no trabalho”. Este Congresso Mundial que reconhece “que os progressos na segurança e saúde no trabalho têm um impacto positivo nas condições de trabalho, na produtividade e no desenvolvimento económico e social”, recorda “a importância da educação, da formação, da consulta e intercâmbio de informação e de boas práticas na prevenção e promoção de medidas preventivas”. E reafirma que “uma cultura nacional de prevenção em matéria de segurança e saúde no trabalho é aquela em que o direito a um ambiente de trabalho seguro e saudável é respeitado a todos os níveis, em que governos, empregadores e trabalhadores participam activamente em iniciativas destinadas a garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis mediante um sistema de direitos, responsabilidades e deveres bem definidos e em que se concede a máxima prioridade ao princípio da prevenção”. Gostaria agora que “vamos a férias” os responsáveis políticos, na Maia também, reconhecessem a necessidade de afirmar um cultura de segurança.

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente

Anúncios

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Julho 15, 2008

MOSCADEIRO

PS DA MAIA: E AGORA?

Poderíamos reflectir sobre o PS ao nível nacional, tendo em consideração o seu trabalho enquanto governo, as medidas bem tomadas, os não cumprimentos de promessas, os erros ou até a ineficácia de uma oposição que não ajuda, e que parece continuar nesta situação. Ou, também, poderíamos, pensar no PS do distrito do Porto, rendido ao poder central, numa solidariedade activa a favor de José Sócrates, e também na sua capacidade de liderança, neste distrito, para mim uma única cidade, de romper com o passado e testemunhar a sua eficácia na efectiva actuação na nomeação, a um ano de distância, dos candidatos às varias câmaras. Hoje, porém, falemos na Maia, e no PS da Maia. Depois de umas eleições disputadas e ganhas por Mário Gouveia, bem ou mal, e de considerar que pelo menos está a cumprir, que reunirá a comissão política nos termos estatutários, qual tem sido a sua nova postura. A verdade é que se a nível concelhio as reuniões estão a efectuar-se, também o é, que para os militantes de base, as secções, ou pelo menos a Secção de Pedras Rubras não reúne, tem de o fazer pelo menos duas vezes por ano, o que é um muito mal começo, para quem quer ganhar a câmara municipal. Soube pela imprensa, que a próxima reunião da comissão política, a reunir em 16 do corrente, irá analisar, entre outras matérias, o perfil do candidato à câmara, e, agora, percebo melhor porque os militantes de base sem qualquer cargo, como eu, se afastam das decisões dos eleitos, é que não existe democracia representativa. Penso que questões fundamentais como esta deveriam dar lugar aos plenários das secções, como previsto nos estatutos, e o seu somatório levado aos eleitos da comissão política, para então decidirem, não é assim a prática, mas outra, a de um partido fechado à contribuição dos seus militantes. A verdade é que ainda bem que na lista de que fazia parte entraram dezoito militantes, e sou o décimo nono, assim posso sentir o quanto é penosa a prática política das direcções e respectivos aparelhos.

Após a eleição, de há uns meses, o facto é que o seu secretariado tem ficado calado, mesmo perante problemas sérios, o que não garante, desde já, uma posição activa. Compreendo a necessidade de “arrumar a casa”, mas as informações que me chegam, via comunicação social, é unicamente de duas visitas a freguesias, para melhor compreenderem o que se passa na Maia. Claro que quem não compreende sou eu, porque é que ainda existem “três poderes” na Maia: o secretariado, os deputados municipais e os vereadores, que ao que parece não estão ainda em consonância. Ora não é possível passar a definições de acção política concreta se o PS não falar a uma só voz, o que pressupõe discussão, análise a todos os níveis (também com os militantes). E não venham dizer depois que alguém vem para a comunicação social, sem primeiro discutir as questões dentro das estruturas, porque se estas não partilham espaço político para tal, onde há-de ser? Os cidadãos, mesmo pertencendo a partidos políticos, possuem opiniões e devem partilhá-las, com os demais, ora dentro – se existirem hipóteses, para tal – quer na “praça pública”, porque um partido não é uma instituição secreta. Na minha condição de militante, com os “poderes” que me são conferidos, estou perplexo com os silêncios desta direcção do PS da Maia, a verdade também seja dita que é constituída por muita insanidade intelectual de alguns dos seus membros, atirados para a cena política, por interesses, que até não são obscuros, dada a claridade porque foram nomeados, unicamente por razões familiares, que não por clara inteligência política e muito menos de gestão autárquica. O perfil de candidato a presidente, a ser no dia 16 aprovado, não pode assentar numa pessoa pré-determinada, quase como feito, para dizer que ali, naquele fato, só cabe uma pessoa, que parece ser a estratégia de quem parecendo de fora, ainda manda no PS da Maia, malgrado as derrotas que o povo da Maia lhe tem dado. O PS da Maia só centrará a sua actuação numa alternativa se tiver em consideração aqueles que são a sua origem: o povo, aquele povo que lhe tem dito não em todas as autárquicas. Esperemos para ver!

Joaquim Armindo

Militante do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Julho 1, 2008

MOSCADEIRO

A BOA GOVERNAÇÃO

Um dos aspectos em que se baseia o êxito da sustentabilidade das organizações, é conhecido pela boa governação; aliás esta questão é afirmada em todos os documentos das Nações Unidas, União Europeia, ou mesmo na Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável. O governo das instituições, sejam as câmaras municipais, ou as juntas de freguesia, deve ser impregnado por linhas de orientação de responsabilidade social, que dão substantividade ao Desenvolvimento Sustentável, isto é, à não dependência das organizações para o seu funcionamento da economia de subserviência. E esta questão faz-se de acordo coma estrutura adoptada, a transparência e carácter ético das actividades, à informação, consulta a participação das partes interessadas, a questões relacionadas com a corrupção e suborno/extorsão, à relação com os fornecedores, à relação com os clientes/consumidores e às relações com os investidores/accionistas, incluindo o empoderamento dos pequenos accionistas (ver Anexo C, NP 4469-1:2008). Como facilmente poderemos ajuizar nos órgãos autárquicos o cliente confunde-se com o accionista, é a mesma forma de estar. Esta forma de proceder carece de práticas de governação que se aproximem dos cidadãos, que como se afirma na Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável, “um estado de direito e uma justiça célere e eficiente, aliadas a novas práticas de governação baseadas nos princípios de abertura, participação e responsabilização, devem permitir renovar a confiança nas entidades públicas, empresas e organizações não governamentais. O progressivo alheamento por parte dos cidadãos, da intervenção política e social representa um sinal da insuficiente percepção da utilidade prática do seu empenhamento e da sua desconfiança perante as instituições. A implementação de um processo de desenvolvimento sustentável pode ser muito útil para reverter esta situação, medida que concretiza um envolvimento nos processos de tomada de decisão. Enquanto componentes dos sistemas de governação, as instituições (o “quarto pilar” da sustentabilidade) devem liderar/promover a mudança e assegurar a participação dos cidadãos nos processos de tomada de decisão tendo simultaneamente em conta um objectivo de desburocratização dos procedimentos administrativos que permita agilizar e credibilizar a própria função institucional” (páginas 8, do documento citado).

Isto é, na Câmara da Maia, e nas Juntas de Freguesia deste concelho, os nossos políticos, decisores sempre, sem consultas periódicas, devem assegurar um procedimento de avaliação regular, com recurso a indicadores para a sustentabilidade, acessíveis ao público, aplicar mecanismos de avaliação de desempenho, baseados em objectivos relacionados com o desenvolvimento de competências e com a atitude pessoal, de forma a valorizar a qualidade, as boas práticas e a recompensa do mérito e dignificar a justiça, consolidada numa cultura de responsabilidade, da credibilidade e da eficácia, a excelência ao serviço do cidadão. Os programas eleitorais que, em breve, começarão a ser gizados, que se baseiam em premissas ideológicas, devem pressupor esta consulta activa aos cidadãos, tendo como base instrumentos de fácil consulta, porque um programa político deverá pressupor sempre uma administração de democracia participativa (um dos exemplos, é o dos orçamentos participativos). Uma vez eleitos os políticos devem garantir que os seus programas políticos, pressupõe a credibilidade criativa daqueles que os elegeram, dado que a sustentabilidade requer uma fusão entre a parte discursiva e a prática, ora esta deverá em momentos definidos, e não são os da eleição, chamar os cidadãos à avaliação dos serviços prestados e à possível redefinição de horizontes mais vastos. Esta cultura da responsabilidade dos eleitos, só terá sentido com a humildade da escuta das organizações partidárias e da acção participativa das organizações que gravitam no concelho, e até aos conselhos consultivos que podem unir várias autarquias. Seria muito bom, que na Maia, esta cultura fosse impregnada, e assumpção de uma nova forma de ser e estar conduzisse à globalização da sustentabilidade.

Militante do PS

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Junho 17, 2008

MOSCADEIRO

NORMA DE SEGURANÇA

Uma das características importantes do governo do PS foi a de colocar, em prática, a observância do que está normalizado para o sector da alimentação, com a actuação tempestiva da ASAE, que muitos políticos deploram, mas que ficou a ser uma importante marca de segurança alimentar e económica, e que corresponde a promessas que muitos governos fizeram da aplicação da legislação nacional e comunitária. A aplicação das leis, uma vez aprovadas, é de observância total ou de desobediência civil generalizada. Por isso, desde há muitos anos, que vimos dizendo que os senhores dos poderes políticos e económicos, devem basear-se em dois pilares fundamentais: o legislativo e o normativo. O normativo, na generalidade, são actos voluntários das organizações, como o caso da ISO 22000, norma de gestão da segurança alimentar, ou mesmo as boas práticas conhecidas neste domínio. A norma ajuda a cumprir a legislação, mediante avaliações da conformidade legal, por isso instrumento indispensável, quer a uma boa gestão, quer ao cumprimento dos requisitos aceites pelos organismos internacionais. Por isso, não têm alguns dirigentes políticos ficar indignados pela actuação dos organismos governamentais que velam pelo cumprimento da lei; sei, porém, que em Portugal estávamos habituados a legislar, mas a não cumprir, sem que nada acontecesse, o farol que veio contrariar esta visão cultural, a ASAE, colocou nos carris aquilo que se tem de cumprir, e vai daí vem sendo atacada ignobilmente. Como disse, se uma lei é injusta, porque as há, ou mal feitas, promova-se a indignação e a desobediência generalizada, mas não quando está em causa o bem-estar dos cidadãos, como acontece com a segurança alimentar. Outras, se o governo não ceder a interesses mesquinhos surgirão, como o cumprimento das leis da formação, da inspecção-geral do trabalho, da segurança e saúde no trabalho, do ambiente. E quando assim suceder não venham os aparelhos partidários, da oposição, esgrimir contra quem quer cumprir o que está determinado.

Como afirmava as normas são um contributo indispensável para não só um bom governo, mas para cumprimento da legislação. Nesse sentido, acaba de ser publicada uma nova versão da Norma de Segurança e Saúde, chamada OHSAS 18001: 2007, que substitui a de 1999, e que sem dúvida constitui a sua aplicação certificada, o desenvolvimento daquelas matérias aplicadas aos trabalhadores. Ao focalizar, desta vez, a importância do vector “Saúde” contribui para uma atmosfera saudável da sustentabilidade. Existe um exemplo claro do que na lei não é cumprido, em muitas organizações e empresas, que diz respeito aos exames médicos periódicos dos trabalhadores: dos 18 aos 50 anos de idade, têm de ser realizados de dois em dois anos, fora destas idades de ano a ano, excepto decisão médica que determine produtos mais curtos. Isto é, quando a inspecção da Autoridade para as Condições de Trabalho começar a actuar, a inspecção da Agência Portuguesa do Ambiente também o fizer, teremos, certamente, oportunidade de verificar muitas “ASAE” a verificar o cumprimento da legislação, e, por isso, nada melhor, que todos as organizações comecem a implementar normas, como esta da OHSAS 18001:2007, Occupational health and safety management systems, a fim de não existirem surpresas desagradáveis. Aos políticos, e suas organizações, mesma as concelhias, compete incentivar, desde já, todas as organizações à sustentabilidade, o que significa a colocar-se ao serviço de uma política de pró-actividade, não só tendo em consideração a certificação dos órgãos de governação, e de todos os organismos que trabalhem no concelho, porque o que interessará, sobretudo, são concelhos ou regiões certificadas. A Maia, concelho onde se sorri!, deveria ser pioneira na implementação destas normas, porque se assim o for quem aqui trabalhar não terá questões do cumprimento da legislação, a ASAE e todos os organismos de inspecção passarão a considerar a Maia como concelho modelo. A nós, cidadãos e cidadãs maiatos, e àqueles que possuem os poderes políticos compete a caminhada para que, preventivamente, possa tudo acontecer com normalidade.

Joaquim Armindo

Militante do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada hoje no Jornal O Primeiro de Janeiro

Maio 20, 2008

MOSCADEIRO

RECURSOS HUMANOS

A vida tem destas coisas, depois de uma semana a passar por esta Angola, Luanda, Lubango (antiga Sá da Bandeira) e Lobito, eis-me no dia do regresso, nesta manhã de sábado, em plena época do cacimbo, novamente nesta Luanda onde o sol é radioso, a escrever a crónica quinzenal para este jornal. Faz-nos bem estar longe das políticas da Maia, porque assumimos uma outra dimensão, a de não dar ouvidos a mesquinhas frases como aquela que me dá já avençado da Câmara Municipal da Maia, uma mentira de quem já não encontra nada com que me acusar. Talvez neste país de onde escrevo isso não fizesse, porque dormir à sombra de um embondeiro lhe seria mais eficaz. Mas deixemos aos mal dizentes cultivar a sua crónica embriaguez de que vivem e vamos centrar-nos naquilo que é o título desta crónica: recursos humanos. Uma importante norma foi publicada pelo IPQ (Instituto Português da Qualidade), em 2004, sobre os sistemas de gestão de recursos humanos, certificável, isto é, verificável por entidade independente, é singular no universo normativo internacional. Os seus requisitos, e a sua aplicabilidade, é para qualquer organização fundamental para uma boa gestão das pessoas, e, diga-se, o cumprimento da legislação aplicável, porque ao ser obrigatório o exercício da avaliação da conformidade legal, podemos ter a certeza do cumprimento ou não da mesma. A norma a NP 4427:2004 (Sistemas de gestão de recursos humanos – Requisitos), é caracterizada por um princípio base, e a partir do qual toda ele é desenvolvida: atrair – manter – desenvolver – atrair, ou seja, a partir de uma estratégia de recursos humanos, dever-se-á aplicar esta triologia, atrair os melhores trabalhadores, mantê-las através das melhores práticas de incentivos e fornecer os conhecimentos e atitudes, para conseguir novamente atrair as pessoas a trabalhar bem e cada vez melhor. Convém, também, referir que são entendíveis recursos humanos de uma organização, o “conjunto de pessoas ao serviço da organização”, aquelas, que independentemente do seu vínculo laboral, “falam em seu nome”. Esta questão é muito importante dado que todos são um conjunto, e não só “os do quadro”; define ainda a norma o desempenho (“ nível do resultado alcançado por uma pessoa, um grupo de pessoas, um processo, um sistema ou uma organização, face a objectivos previamente definidos”), ou a competência (“conjunto de saberes, de saberes – fazer e de saberes – estar/relacionar-se que caracterizam uma pessoa ou um grupo de pessoas”), estas definições usam um novo paradigma de entendimento sobre as pessoas, o melhor “capital” (eu não gosto da palavra), de qualquer empresa.

Estas questões são importantes saber-se nos nossos meandros políticos da Maia, até porque afinal o que é o presidente da câmara ou de junta, e seus pares, se não gestores da coisa pública? Os funcionários, palavra aberrante para mim, são afinal quem pode ou não funcionar o sistema de trabalho, e é necessário geri-los, como em qualquer outra organização. Esta questão não é interiorizada assim, com a força de gestão, nas nossas autarquias, e por isso a necessidade de sistemas de gestão de recursos humanos certificados. Quem se preocupa com o planeamento dos recursos humanos, com o cumprimentos dos requisitos legais (verificáveis como disse já, pela avaliação da conformidade legal), com as compensações, com o acolhimento e integração (que não são a mesma coisa, mas feitos em tempos muito diferentes), com a formação, a aquisição de bens e serviços (em empresas de pessoal temporário e sua legalidade, ou se as empresas que trabalham dentro das autarquias (seguranças, limpezas ou outras), cumprem as suas obrigações? E a necessidade da melhoria contínua? Ou mesmo os comportamentos como a igualdade de oportunidades, assédio sexual, coacção física, psicológica e moral ou a ética profissional? Senhores que exercem o poder político, preocupem-se com estas coisas, afinal a melhor forma dum serviço de qualidade, em cada um dos serviços públicos, e como sabemos, por experiência, salvo raras excepções, essa qualidade não será assim tão profícua. Por isso aqui fica esta reflexão, para os cidadãos e todos aqueles que exercem o poder, e vamos lá poder e oposição, façam o favor de funcionar como gestores, para além de políticos.
Joaquim Armindo

Militante do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada no Primeiro de Janeiro

Maio 6, 2008

MOSCADEIRO

PRIMAVERA DOS POLÍTICOS?

Terminou uma campanha eleitoral no concelho da Maia, do PS local, e agora avança uma inacreditável campanha para eleições no PSD nacional. Uma não se compara com a outra, é certo, mas esta primavera na política, afasta os cidadãos mais uma vez da nobre arte do servir. Alguém será tão ingénuo que seja capaz de separar os interesses pessoais de todas estas campanhas? O povo, aquele que trabalha confiará em algum dos nossos políticos? Os jogos de bastidores, regados com bons almoços e jantares, conferem a credibilidade ética a toda esta baralhada, do “diz”, do “eu”, do “salvador”. Não estamos em tempo de desconfiança por cada palavra dita por um suposto político? Quem fala esteve ao lado das barricadas de Maio de 68, em França, ou nas crises do ano de 1969 em Portugal, principalmente nos meios estudantis. Quem fala viu o seu jornal “esboço”, policopiado, em 18 de Maio de 1970, ser proibido pela comissão de censura. Quem fala foi de castigo para a tropa, e mobilizado para Angola, teve de disparar. Quem fala esteve ao lado das lutas no Vietname, contra os americanos, dos sandinistas na Nicarágua, de El Salvador, de Cuba, mas fundamentalmente do Evangelho em que sempre acreditou. E agora olha para isto, para as eleições concelhias da Maia do PS, ou para a fantochada da demissão de Menezes do PSD, passados seis meses da sua eleição, e vamos continuar a acreditar nisto? Mas também sabe que esteve na recepção a Humberto Delgado, homem do regime, com coragem para a denúncia, no Porto, e viu, ainda pequeno, o povo maltrapilho a vibrar por uma nova humanidade. Continuou na luta clandestina nos quartéis, lutou, na CDE, levou um murro na cara, que a deixou muito maltratada, por agentes da PIDE, em pleno Porto, e não gostaria de ter lutado para que alguns façam da sua vida as rosas, que ensombram os trabalhadores. Por isso é natural que pergunte pelas primaveras do 25 de Abril, pelo Maio de 1968 ou pelo Alberto Martins, de 1969, como Presidente da Associação Académica de Coimbra. È natural que nos interroguemos sobre tudo o que damos a causas, perto ou longe, e depois o que sucedeu, e o que dizem hoje os protagonistas de ontem.

Não nos falta a esperança, nem sequer o dom de continuar a luta, porque em cada rosa florida deste Maio, existe essa primavera que as mulheres e os homens, de braço dado, conferindo o cheiro do caminho de Maio de 68, hoje e agora, mas começa a faltar a paciência de ouvir os papagaios da nossa praça política, de qualquer cor, não foi para isto que tantos e tantos lutaram e caíram, mas por ideais de primavera, de que a política se tornasse o espaço de liberdade e igualdade, onde os famintos e os sem abrigo, não têm lugar. E essa falta de paciência leva-nos a ser mais combativos, a forjar as causas que deram sentido ao nosso caminho, com partido ou sem ele, e a acreditar nos movimentos dos cidadãos, que exigem participar nas decisões comuns. É este colectivo das pessoas que tomam nos seus braços os destinos dos povos, com eles irmanados pelo sentido comum do bem estar, que nos leva a perguntar a tantos políticos, bem sentados nas cadeiras do poder, como outrora cadeiras que partem onde estão os Salazares, onde está a sua primavera, onde pássaros cantam, onde os ralos nos afirmam as canções de embalar. È por isso que hoje nos faltam Maio ou Abril, a utopia de ser socialistas, da luta pelas causas perdidas, que se tornam ganhadoras, e é mesmo por isso que as nossas mãos farão renascer o espírito das primaveras, tão mal tratadas pelas eleições da Maia no PS, ou no PSD. O acreditar é cada dia mais preciso, nas mulheres e nos homens, que sem nada a perderem dão os seus corpos à sanha duma luta sem tréguas, pela construção das primaveras onde as papoilas renasçam e os girassóis se voltem ao vento do sol. Aqui estamos, aqui estaremos, as primaveras nunca mais nos hão-de fugir, e os cadeirões do poder hão – de ruir, como os outros em tempos idos.

Joaquim Armindo

Militante do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Abril 22, 2008

MOSCADEIRO

E NO PS DA MAIA, NADA DE NOVO!

Era natural que o vencedor das eleições para a Comissão Política da Maia, mantivesse as suas posições iniciais. Até porque no seu panfleto de apresentação, porque não é um programa, afirmava “Durante as últimas semanas percorri o Concelho, conheci as bases do Partido, falei com praticamente todos os militantes e até independentes sensíveis ao estado do nosso Partido”, quando li estas palavras percebi existir um equívoco em Mário Gouveia, porque ele pode ter ouvido muitos “independentes”, mas não falou com as bases do Partido, e se o fez afirmo, como sempre afirmei, foi uma candidatura clandestina, apócrifa, pois só falou com quem lhe dava jeito. Mas existiam outras afirmações, já não escritas, de Mário Gouveia, a primeira era de que se ganhasse seria a sua “tropa” a liderar, e nunca abriria as portas a qualquer diálogo, posição forte, de quem entende a política partidária de certa forma, em nada condizente com os tempos de um partido democrático, aberto às minorias, como ainda hoje afirmava José Sócrates nos Açores. A segunda, eram os proscritos, isto é, aqueles que à partida sempre seriam irradiados de qualquer sequer pensamento, porque minoritários, e não obedientes aos senhores governantes do partido na Maia. A recente informação de quem vai compôr o secretariado da Comissão Política, é, pois, sintomático, duma jarra de flores, onde as ordens de uns poucos são para ser seguidas sem qualquer discussão. É que para além dele próprio, do José Manuel Correia e de Rogério Rocha, não se vislumbra no secretariado algo de novo, serão eles a ditar as “leis” e a prosseguir uma política de razia e depuração, tão ao gosto de alguns. Irá existir assim, se a comissão política lhes for favorável, uma cadavérica forma de agir, bem contra as causas e os ideais socialistas, mas bem ao jeito de outros partidos. Gostaria de estar enganado, mas a condução de tal estratégia política virá a ditar o silêncio do PS da Maia, e a continuada perda das próximas autárquicas. Eu sei que a unidade não se faz em jantares, mas na discussão política e nos consensos dela derivantes, mas também não se realiza em musculadas formas de actuação, tão ao sabor de Mário Gouveia.

Costuma-se dizer “dêem tempo ao homem”, e vai tê-lo, porque esta escrita não está eivada de uma verdade imutável, acontece, porém, que as sua palavras, as omissões, os erros, e agora a composição do secretariado, são sinais mais claros, do percurso suicida da actual gestão do PS da Maia. Dizia Mário Nuno Neves, porta-voz da maioria, e da direita na Maia, que o futuro do PS da Maia passava por três pessoas, Dr. Jorge Catarino, José Manuel Correia e Miguel Ângelo (cuja esposa fará parte do novo secretariado), e que teria todo o prazer em derrotá-los nas próximas autárquicas, e eu queria lhe dizer, que não vai ser um prazer assim tão grande, pois como muito bem sabe, são eternos perdedores dessas eleições, não lhe gabo o prazer. Curioso é que MNN retira daqui Rogério Rocha, que fará parte do novo secretariado, talvez por este já não ser o cabo mor de Barca, ter perdido a junta de freguesia, e o seu potencial eleitoral estar perfeitamente derrotado. Assim sendo Mário Gouveia, com um ano de socialista, deve retirar as ilações devidas para não sofrer as pesadas derrotas de outras eleições, e isso passa pela sua palavra “todos”, serem todos os militantes e simpatizantes do PS, e não só “todos” aqueles que o apoiaram, mas para isso o seu paradigma tem de se transformar, e passar a ouvir as pessoas e não só as que ele quer. Mário Gouveia, por quem tenho um homem inteligente, deve ler os números com que ganhou, e verificar que nos outros lados também existem ideias, lutadores por causas e princípios, porque se assim não fizer, pode, e terá certamente, muitos amargos de boca. E para começar como vai votar na Assembleia Municipal, o Presidente do PS da Maia, o Relatório de Actividades da Câmara e Orçamento, dado que os vereadores votaram contra. Esperemos para ver!

Joaquim Armindo

Militante do PS

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada 3.ª feira, no Primeiro de Janeiro

Abril 9, 2008
Moscadeiro
A reflexão eleitoral


Joaquim Armindo

Quando forem conhecidos os resultados das eleições para a Comissão Política do PS, da Maia, já não estarei no país. Neste momento em que escrevo penso que nem as urnas abriram, dado que nunca se sabe quando em Pedras Rubras se cumpre o horário. Ausente em Angola, em trabalho profissional, não poderei, assim seguir de perto estas eleições, mas não poderei de deixar à laia de reflexão pessoal dizer o que me parece destas eleições, mais próprias de um país do terceiro mundo, que de um partido que está no poder. São inacreditáveis as trapalhadas, que os senhores do aparelho e do poder na Maia, eternos ganhadores no interior do partido, perdem sucessivamente quando as maiatas e os maiatos se pronunciam: é que não está fora do horizonte que o eterno candidato à câmara municipal, continue a apostar na maioria absoluta, até ao dia em que o povo se pronuncia. De facto, quem seguiu toda a campanha eleitoral não pode, porque não deve, deixar de sublinhar as profundas divergências éticas do estar na política, entre os dois principais candidatos. Mas foram três as candidaturas apresentadas: a de Mário Gouveia, que não precisava da fraude para nada, a de Luís Rothes e a da Maria Luísa. Esta última aceite sem cumprir os estatutos, pela comissão de jurisdição, entendo que foi corajosa, pois seguiu na discordância perante o “senhor chefe” do PS da Maia, o que lhe valeu uma corrigenda exemplar, apresentou-se como pode, não se lhe conhecendo muito os pormenores da sua estratégia, e onde se sentiu uma ausência de qualquer acto de campanha. Tem elementos válidos e perfeitamente integrados no PS, saibamos não os colocar de fora. Mário Gouveia, apresenta-se com o apoio, só?, do “chefe”, também foi muito difícil saber o que fazia na sua campanha, a ponto de eu pensar que tinha sido clandestina, pois além de um sítio na Internet que não funcionava, mais não se lhe conhece, excepto que os apoios são aqueles que sempre conferiram ao PS da Maia, uma descredibilização aos olhos de todos, a fraude é notória e não há ninguém na Maia que não conheça o caso da célebre secção do consultório. Luís Rothes avançou sem o apoio de muitos, mas a sua actuação e dos seus apoiantes deram uma nova visão do que pode ser uma oposição combativa, com ideias e causas; é a candidatura que se apresentou quase sem mácula, apresentando projecto, sem máquina de propaganda, sem discussões inúteis sobre a composição das listas, unindo a juventude socialista e muitos daqueles que agora, novamente, voltarão a confiar no PS da Maia.
Seja qual for o resultado, no momento em que esta crónica vem a público já se saberá, o PS da Maia nunca mais poderá ser o mesmo, até porque se Mário Gouveia concorreu sob a batuta do “chefe”, não será liquido que a ruptura entre ambos se fará, até porque não me parece que ele seja pessoa de se deixar dominar. Se este candidato ganhou, será razoável que tenha em consideração os valores das outras listas e trabalhe com todos, porém não será assim tão transparente até porque o domínio do reino, do “senhor absoluto”, será sempre deste, e inúmeros militantes que desde o início foram colocados de “fora”, continuarão a ser escorraçados. Sabe, no entanto, Mário Gouveia que do lado das forças que apoiaram Luís Rothes terá a colaboração necessária, mesmo que tenha ganho com métodos de burla, e que todos os militantes já conhecem muito bem. Se Luís Rothes ganhou então uma nova aragem estará no PS da Maia, pela postura política, e com o sentido da unidade em torno dos princípios socialistas e ninguém ficará de fora da convocatória para o trabalho. Luísa Barreto, que apareceu dividindo as forças de Rothes, terá sempre o seu lugar, pois o PS da Maia, não pode aparecer e trabalhar mais dividido, para o bem da Maia, e do próprio partido do poder autárquico. Importante será referenciar que a candidatura de Luís Rothes, pelo seu estilo próprio, será uma mais valia na Maia, e no PS. Quer Mário Gouveia, ou Luís Rothes e os respectivos apoiantes, apesar das aldrabices que se passam há anos no PS da Maia, não poderão ignorar que será com todos que o PS poderá ser alternativa, se o fizerem é perfeitamente ingovernável, este partido, que é o meu.

Militante do PS da Maia
jarmindo@clix.pt
http://www.bemcomum.wordpress.com
Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Março 25, 2008

MOSCADEIRO

GESTÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

 

“No quadro da globalização, as organizações podem existir sob jurisdição de diferentes leis em diferentes Estados. A identidade das organizações, aliada à diversidade dos requisitos legais, levou a opinião pública a um maior grau de exigência sobre o seu desempenho, no sentido de adoptarem práticas socialmente responsáveis que vão para além do contexto legislativo local”, assim começa a introdução a uma das mais importantes normas portuguesas, certificáveis, (NP 4469 -1:2008 – Sistema de gestão da responsabilidade social), que acaba de ser publicada, e que é, sem dúvida, um valioso contributo para a gestão integrada de qualquer organização moderna. Mais perceptível e rigorosa que a americana SA 8000 (Responsabilidade Social), mais dinâmica e na senda da próxima publicação da linhas orientadoras sobre a matéria que a ISO (comité internacional de normalização), a ISO 26000, consegue fornecer o enquadramento necessário para a gestão ao nível do desenvolvimento sustentável, tendo em consideração os impactes positivos e negativos ao nível económico, social e ambiental, de cada organização. Estávamos habituados a ouvir falar em impactes ao nível ambiental, no entanto nunca aos níveis da economia ou do social que cada empresa, ou organismo, gera. Esta norma vem favorecer o fechar dum ciclo que estava demasiado incompleto, dado que todos sabíamos o que era a certificação da qualidade, e até do ambiente ou da segurança, ou outras como os recursos humanos e a investigação e desenvolvimento, mas neste sentido estratégico de valores e princípios, “em diálogo consistente com as partes interessadas”, faltava de facto, até para o comércio justo, uma norma que coloca-se os “interesses da sociedade, alicerçadas num comportamento ético”, como o factor fundamental do desenvolvimento harmonioso da globalização. Entendendo como responsabilidade social “as acções voluntárias das organizações tendo em vista a criação e maximização dos seus impactes positivos, bem como a redução ou eliminação dos seus impactes negativos”, a norma agora publicada pelo Instituto Português da Qualidade, e da responsabilidade da Associação Portuguesa de Ética Empresarial, fornece um conjunto de requisitos sobre os aspectos da responsabilidade social, que vão desde o governo das organizações, os direitos humanos (civis, políticos, económicos, sociais, culturais e de igualdade de oportunidades), até às práticas laborais e operacionais (o trabalho e o emprego, a saúde, higiene e segurança no trabalho, a formação profissional, ambiente, cadeia de valor, fornecedores e consumidores, para só citar alguns), acabando com o desenvolvimento da sociedade, onde o mecenato/filantropia ocupam também um lugar, mas não confundem este com o largo espectro que é a responsabilidade social. Até porque esta terá de ser consistente e ética com “o desenvolvimento sustentável e o bem estar da sociedade”, ter “em conta as expectativas das partes interessadas”, estar “em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com normas de conduta internacionais” e “esteja integrado em toda a organização”.

Num quadro concelhio, como a Maia, que pretende ser um exemplo de autarquia, esta norma não pode, nem deve passar de lado, mas os agentes políticos, deverão ser os galvanizadores da sua aplicação em todas as “partes interessadas” do concelho, porque só assim se constrói a sustentabilidade da vivência comunitária. Às vezes os políticos, para não dizer a maioria delas, colocando-se no seu casulo pretendem com medidas avulso, e ataques de circunstância, confundir a acção política, não tendo em consideração os documentos inovadores e cientificamente provados para levar a uma sociedade onde o contexto ambiental, social e económico interajam, refugiam-se nas suas incapacidades e reduzem quase sempre tudo, a uma mera gestão economicista, o que de facto não é traduzível pelo bem estar das populações, mas pelo divertimento que lhes produzem os actos eleitorais e a consequente não participação das pessoas que os elegem. Ora aqui está um documento que todos devem reflectir e praticar. Era muito bom sabermos, por exemplo, as opiniões dos candidatos, sobre esta questão, à Comissão Política do PS da Maia. Serão capazes disso?

Joaquim Armindo
Militante do PS

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com
Escreve esta coluna quinzenalmente.  

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Março 11, 2008

MOSCADEIRO


MAIA, SUSTENTÁVEL?

Apresentam-se três candidatos à liderança do PS da Maia, com os seus programas, atitudes e pessoas. Todos com legitimidade de concorrer, com as suas ideias, podemos concordar ou discordar, mas, mesmo aqueles que no passado cometeram erros de palmatória, podem continuar a insistir neles. Luís Rothes, o candidato que apoio, com uma visão estratégica e de estar na política que é singular, novo discurso, e com capacidades de estabelecer o ideário do socialismo, com a presença activa dos militantes, num caminho de estabelecer pontes para um futuro. Mário Gouveia, homem lutador, que nas últimas eleições autárquicas “arrancou” ao PSD a freguesia de Milheiros, diz-se das bases, mas aparece com o apoio dos grandes do partido na Maia, quer novos discursos e protagonistas, não deu contudo ainda sinais dessa viragem. Luísa Barreto, a que por questões profissionais não pude estar presente na sua apresentação, dizendo-se da 3.ª via, não se conhecendo ainda os contornos dessa via, mas afirmando que é uma alternativa de muitos militantes, que não se revêem nas outras duas candidaturas, alguns dizem que serve objectivamente a candidatura de Mário Gouveia. Nesta crónica gostaria, no entanto, de colocar aquilo que mais me parece importante de discussão política, para, afinal, servir as maiatas e os maiatos, nesta campanha, desafiando o Primeiro de Janeiro a organizar um debate entre os candidatos, a sustentabilidade da Maia. Este é o epicentro necessário para ganhar a Câmara Municipal, aquilo, afinal, que todos os candidatos prometem. Nas duas primeiras candidaturas isso é claro, quando afirmam ambos que o Desenvolvimento Sustentável é dominante nas suas estratégias para a Maia, e o programa político que se desenvolverá para as autárquicas. Mário Gouveia, chega mesmo a estabelecer como prioridade um Observatório do Desenvolvimento Sustentável, ideia que devo dizer meritória (nem sempre o “outro” é isento de mérito, e aqui tem todo), acontece, porém, que não foi definido esta Sustentabilidade, por isso não sabemos o que lhe estará subjacente. Tenho afirmado sempre, e infelizmente, que os programas e as ideias ficam em gavetas depois das eleições, o que vem sendo uma verdade, apesar da surpresa da moção de estratégica de Luís Rothes apontar 10 medidas, para os 100 primeiros dias, um compromisso deveras aliciante.

O importante seria saber se sabem que o desenvolvimento sustentável, é um conceito muito mais amplo de uma estratégia ambiental, pois assenta em dimensões, também na imprescindibilidade de garantir uma articulação sistémica entre aquela e a económica, a social e da responsabilidade social; não menos importante é saber a diferença entre sustentável e sustentado, e o que queremos para a Maia, e saber-se-á qual é?. Partindo da definição de sustentabilidade, e que o Conselho Europeu de Gotemburgo, em 2001, aprovou uma Estratégia Europeia de Desenvolvimento Sustentável, completada em 2002, pelo Conselho de Barcelona, como pensar ligar isso ao capítulo 3, do Objectivo quinto, “Melhor conectividade internacional do país e valorização equilibrada do território”, onde se fala no vector “Cidades atractivas, acessíveis e sustentáveis”, da Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável, aprovada pelo governo português, em 2007? É que a idealização dum Concelho de Excelência, é só mais um passo para o Desenvolvimento Sustentável, e não o contrário. Desenhar para a Maia a sustentabilidade, significará traçar um rumo cultural de desenvolvimento, onde todas as forças activas, desde as autarquias às fábricas, dos serviços ao turismo, das escolas aos centros de formação, das colectividades à participação das pessoas, seja uma garantia constante, e não uma mera coisificação. A certificação da qualidade, ambiente, segurança, recursos humanos, responsabilidade social, investigação e desenvolvimento, são prioridades de extrema importância, passando pela excelência, para o desenvolvimento sustentável (que também, diga-se, nunca o terá em si, porque não é uma ilha isolada). Creio que analisar e discutir estas matérias, e de como colocá-las a funcionar, seria um bom contributo para todos nós. Vamos a isso?

Joaquim Armindo

Militante do Partido Socialista.

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomumwordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

 

 

 

 

Crónica publicada hoje no Primeira de Janeiro

Fevereiro 26, 2008
MOSCADEIRO
O paradigma da sustentabilidade


Joaquim Armindo*

A verdadeira assumpção de uma cultura viva em qualquer programa partidário, é o único paradigma da sustentabilidade duma cidade, ou dum concelho, e, nesta altura no da Maia. Não é possível “estabelecer políticas de ambiente e de urbanismo para um desenvolvimento sustentável do concelho”, como estabelece o primeiro ponto da candidatura “Ganhar o Futuro”, do PS da Maia, sem esta compreensão, e estabelecer a conexão entre a sustentabilidade e o conceito de cidade saudável e sustentável; reduzir o desenvolvimento sustentável a políticas de “ambiente e de urbanismo”, como parece indicar a frase, é um desconhecimento técnico, e atrevo-me a dizer grosseiro, do que se pretenderá. Os sete objectivos da Estratégia Nacional do Desenvolvimento Sustentável, aprovado em Conselho de Ministros, e que advém da Declaração do Milénio, aprovada pela Assembleia-geral das Nações Unidas, refere explicitamente serem: “Prepara Portugal para a Sociedade do Conhecimento”, “Crescimento Sustentado, Competitividade à Escala Global e Eficiência Energética”, “Melhor Ambiente e Valorização do Património Natural”, “Mais equidade, igualdade de oportunidades e Coesão Social”; “Melhor Conectividade Internacional do País e Valorização Equilibrada do Território”, “Um papel Activo de Portugal na Construção Europeia e na Cooperação Internacional” e “Uma Administração Pública mais Eficiente e Modernizada”. O que significa ser absolutamente redutor o propósito enunciado na candidatura, para como disse, ser um erro técnico, até porque o Decreto Lei que estabelece o “Desenvolvimento Sustentável”, é clarificador sobre o rumo do país ao estabelecer como desígnio nacional “retomar uma trajectória de crescimento sustentado que torne Portugal no horizonte de 2015, num dos países mais competitivos e atractivos da União Europeia, num quadro de elevado nível de desenvolvimento económico, social e ambiental e de responsabilidade social”.
Em primeiro lugar é necessário que como diz o diploma se deva “Pensar globalmente, decidir regionalmente e agir localmente”, seja a ambição de quem quer possuir uma perspectiva deste novo paradigma da sustentabilidade, porque existe uma impossibilidade de resolver a equação das matérias que se colocam ao Concelho da Maia, sem a perspectivar ao nível de toda a região Norte, e até da Galiza, porque sem esta noção estaremos a conflituar com todo o desenvolvimento integrado, digo mais, é necessário estabelecer pactos entre os vários actores políticos, sindicais e patronais e as populações, para que alguns enfoques fundamentais sejam levados a efeito, de boa fé e para o bem das populações. Qualquer omissão no que a isto se refere por parte de qualquer programa significa o fracasso e o marasmo, “mais do mesmo”, como se costuma referir. Em segundo lugar, e não colocando dúvidas do papel fundamental que constituem as “políticas de ambiente e de urbanismo”, como considera o documento aprovado em Conselho de Ministros, afirmamos que a ligação estruturante passa pela trave mestra do desenvolvimento sustentável, porque se assim não fosse estaríamos reduzidos ao “ambiente” e ao “urbanismo”, e não, mas como tenho vindo a referir à necessidade de um crescimento harmonioso entre a economia, o ambiente, a coesão social e a responsabilidade social; amputar qualquer destes vectores é, sem dúvida, reduzir a cinzas a sustentabilidade, e, logo, ferir de morte os fundos comunitários do QREN, porque não envolvidos desta cultura de actuação. Se a questão “ambiental” faz parte do desígnio nacional a matéria respeitante ao “urbanismo” está na coesão social, isto é, na capacitadora menção de encararmos o nosso concelho (“agir localmente”), com um dos patamares críticos da acção política, e isso passa necessariamente por criar este paradigma duma nova intervenção ao nível do social, da justiça que gera a paz (“pensar globalmente”), o que passa em primeiro lugar pela aquisição do conhecimento, pela cidadania e participação das populações.
A discussão do programa da candidatura é pública, logo, mesmo sendo um seu apoiante, não posso deixar de referir de forma transparente o que me parece um erro na sua formulação. Aqui fica, então!

* Membro da Comissão Política do PS da Maia
jarmindo@clix.pt
http://www.bemcomum.wordpress.com
Escreve esta coluna quinzenalmente

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Fevereiro 12, 2008

MOSCADEIRO

A PARTICIPAÇÃO CÍVICA

 

Os cidadãos não podem, nem devem, ser meros eleitores, de uns tantos que merecendo a confiança, depois não dão “confiança” a quem os elegeu e a democracia perde-se, esboroa-se, dá lugar aos músculos de quem tem o poder. Por isso a intervenção cívica deve ser apoiada e dinamizada, pelos partidos, como forma sedutora de que a resolução dos problemas que se colocam à humanidade, e ao microcosmos do que é uma freguesia ou um concelho, sejam assumidos de uma forma solidária. Ninguém pode ser o senhor da resolução das questões dos grupos, dos cidadãos, e se o quiserem ser esmagam e sepultam os cadáveres ressequidos daqueles que, ingenuamente, acreditam que outros podem assumir por si as soluções que competem a todos, como uma entidade ontológica. O seres são situados, diversificados, plurais mas unidos no querer comum. Por isso é que quando os “senhores políticos” pretendem ser os arautos das causas e seus defensores únicos, a praga do indiferentismo prolifera. Mas são eles o que forjam a indiferença, para depois erguerem muros de lamentações sobre as baixas taxas de votações, é que estas para nada servem se os actores, os eleitos, não forem participativos em cada passo do desenvolvimento das comunidades. É evidente que uma prática destas é perigosa, porque contém o salutar néctar da desobediência, da impertinência, da diferença e de querer saber afinal porque uns quantos são os sábios, enquanto outros são os mandados. As classes média e baixa da sociedade descrêem dos processos democráticos e tornam-se indiferentes para com tudo, rebaixando as populações à mediocridade, mas pela praxis dos detentores dos poderes, e como tal, subjugam as pessoas tornando-as esqueléticas nas formas de pensar e agir, sufocam-nas e remetem-nas para o silêncio, como melhor forma de criar a indiferença. A identificação das causas de tais questões está na acintosa forma de dirigir a política, criando assim a descrença. E quando as classes médias da sociedade são espoliadas na sua forma de pensar, contribuindo para que as mais baixas tentem “safar-se” como podem e sabem, com medidas, às vezes, bem criativas, a indiferença mata a própria vida, e o viver não é mais que um passar sem contributos para uma humanidade baseada numa nova ordem internacional.

Por isso mesmo é que nesta Maia, onde um partido político vai a eleições, o PS, o tomar partido significa a capacidade salutar de dizer não à ignorância, aos jogos, aos “senhores-dos-poderes”, para próprio bem deles, porque são pessoas únicas e irrepetíveis, e logo merecedoras de toda a dignidade humana e respeito. As decisões, mesmo as de um partido político, como é o PS da Maia, os contributos para os seus programas e as linhas de actuação devem ser conhecidas, contra a indiferença, pela participação, (e isto mesmo para pessoas que não pertençam ao partido, porque o partido trabalha para elas!). O debate político interno deve tornar-se do conhecimento da comunidade maiata, porque é para ela, a seu favor que ele é efectuado. A candidatura de Luís Rothes assim tem procedido, abrindo as portas ao debate, e divulgou mesmo os doze vectores para reforçar o PS na Maia, a toda a comunicação social. Neles reconhece-se um défice de democracia, quando propõe alargar a participação de todos os militantes, incluindo a sua formação, mas para além disso “estabelecer espaços de abertura do PS Maia à vida concelhia, consolidando pontes com as instituições e os sectores mais dinâmicos do concelho” e “promover a reflexão sobre os novos desafios que se colocam à esquerda para a construção de sociedades mais justas e mais democráticas, designadamente pela analise de novas experiências e soluções políticas”. Esta moção, que está ainda em construção, conta com a participação de todos aqueles que nela queiram intervir, denotando um novo entendimento do que é a participação cívica, na luta contra a indiferença. “Ganhar o Futuro”, assim se chama a moção, é um combate ao caciquismo, optando conscientemente por convidar quem o pratica a que também contribua, porque afinal a sociedade é de todos, e os socialistas não podem ter proscritos. A indiferença só se combate, com a participação cívica de todos; é essa a grande aposta, duma candidatura sem quaisquer interesses, a não ser os do povo maiato.

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wardpress.com
Escreve esta coluna quinzenalmente

 

 

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Janeiro 29, 2008

MOSCADEIRO

OS MILITANTES

 

Nestes partidos políticos que existem ao som das trombetas, dos jornais e quejandos, os militantes são os que menos contam. Tudo se faz em nome deles: eleições, programas e informações, no tempo certo bem entendido, não vá algum deles ter a tentação de querer a democracia participativa, isto é, voz. Esta é certamente o que não existe, nem é bom que se faça sentir, enquanto a vez só se for nas filas para eleger quem os há-de “representar”, porque é bom que os de “cima”, aqueles que “sabem” escolham os mais capazes, muitas vezes os afilhados. A participação que se pretende, que “eles, os de cima” adoram, é que votem, mudos e calados, não faz mal que não leiam os programas (eles até são para não cumprir!), mas que na hora estejam e votem, para que o paraíso se torne bem real. E assim é que está bem, os políticos são aqueles que “sabem” muito bem o que é a vida, agora os militantes, chamados com a tola epigrafia dos de “base”, esses são uns coitados, porque estes nem dinheiro têm para os almoços e jantares que se fazem em algum restaurante mais recôndito, em nome da democracia e do seu pleno funcionamento. Reparem nos deputados da nação, esses os bem falantes, vieram contactar quem os elegeu? Reparem nos dirigentes das comissões políticas, mesmo do concelho, ou das secções, têm em consideração, pelo menos, a opinião dos militantes? Não valerá a pena, porque a sua percentagem que é elevada, são aqueles que, coitados, não sabem falar, nem usam gravatas ou vestidos engomados. E quando o fazem só dizem asneiras, gritam, vejam lá!, berram, pela saúde, são desorganizados, e não sabem conduzir os destinos do que quer que seja. São uns desumanos, às vezes até pretendem que o partido os ouça, para não concordar com os coronéis de cada terra. Assim não pode ser, os dirigentes são pessoas bem educadas, vestidas a rigor, com estudos, pois claro!, cheiram bem com os perfumes dos holofotes, porque carga de água não hão-de substituir os que não têm voz ou vez? Muitas vezes aparecem de lá do meio deles alguns, que, não se percebe muito bem, querem a democracia participativa, e até falam em democracia representativa, e lutam uns por uma coisa, outros por outra. E os militantes aqueles que pagam as quotitas, ou alguém lhas paga para poderem votar, não percebem dessas coisas, só sabem as agruras da vida, e que não podem ir a reuniões até às tantas da madrugada, aquelas que se fazem depois dos jantares decisórios, porque no outro dia têm de trabalhar.

Os partidos são assim, constituídos à sombra dos militantes, organizados hierarquicamente como convém, com presidentes e tudo, e falam em nome dos deserdados, do povo que sofre, como se isso fosse verdade. Na Maia é a mesma coisa, e no PS em particular, que é o que conheço, em breve em eleições internas. Fazem-se jantares, prometem-se empregos e outras coisas mais, pagam-se quotas, colocam-se meios de transporte necessários para os votantes, e depois são uns poucos a mandar, em detrimento de muitos. Os acordos e os apoios de “peso” procuram-se, estabelecem-se estrategicamente, para dali a uns meses existirem os desacordos, mas é assim que a democracia do PS da Maia vai vivendo, e o poder sabe-o! Por isso muitos passam a suas Excelências por isto, ou por aquilo. Parece que duas candidaturas à concelhia do PS da Maia estão já no terreno, uma que refere Ganhar o Futuro, outra que ainda tenta agarrar aqueles que são detentores de dezenas de votos, os “sindicatos de votos”. A primeira, aquela que apoio, não tem até hoje os “pesos pesados” dos de outrora, a segunda ao que parece já os assegurou. Apesar que muitos militantes preferem, porque não sabem quem ganha, estarem no meio, e num instante passar para o lado que dá mais estabilidade pessoal. O programa que Luís Rothes vai apresentar está em discussão em todo o lado, ou não fosse ele um defensor dos “orçamentos participativos”, logo da democracia participativa. O que se pede e o que conta, é que os militantes assumam o seu lugar, discutam, analisem e votem, e depois exerçam a fiscalização quotidiana. Assim se fazem militantes de voz e vez, contra os que dizem defendê-los, sem sequer saber das suas vidas. Porque é da vida que se trata, mesmo nestas eleições de uma concelhia. Vamos ao debate, sem medos, chamemos todos os militantes a este, sem dúvida, virar de página na vida do PS da Maia.

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Janeiro 15, 2008

MOSCADEIRO

GANHAR O FUTURO


Uma candidatura tem sempre um lema, a de Luís Rothes à Comissão Política do PS da Maia, também: “Ganhar o Futuro”. Nesta frase está sintetizada toda a prática política e estratégica dum homem, e da equipa que o acompanha, para virar o PS da Maia. Por um lado, a ruptura com um passado, por outro a necessidade de perseverar o património do PS, mesmo que seja de lições amargas. È necessário afirmar que a ruptura é com práticas, e não com pessoas, porque estas podem ser educadas no sentido político de uma visão da necessidade de construir diálogos profícuos com todos os militantes, e de sair ao encontro das necessidades das maiatas e dos maiatos. Na sua declaração de candidatura, duas linhas força podem ser verificadas, uma a não exclusão de qualquer militante (ao contrário de tempos passados, e mesmo actuais), outra a construção de uma alternativa socialista ao actual poder da maioria PPD/PSD, na Câmara da Maia. Temos verificado quantas candidaturas vencedoras por maiorias esmagadoras no PS da Maia, são trituradas pelo eleitorado, porque estes sentem bem que o PS tem tido as costas voltadas para os seus anseios, num concelho que, diga-se, é socialista, por isso esta candidatura, que apoio, significa uma ruptura, mas não exclusão, porque em cada forma de sentir e ser dos socialistas aí está uma forma de melhorar a discussão política. Perante dois anos desastrosos de uma liderança imposta pelo “chefe do consultório”, começada por eleições fraudulentas, há necessidade de tirar as devidas lições, e não cometer os mesmos erros; por isso mesmo, se existir outra candidatura, e que seja ganhadora, onde o “chefe” manda, estaremos muito longe de constituir a alternativa a um poder autárquico, que só governa ainda porque não existe quem tenha sido consequente com o assumir de uma outra propositura. O tom dado por Luís Rothes na sua declaração vem chamar todos os militantes à análise da sua moção, não exclui, isto é, em vez de num gabinete forjar um programa, coloca-a nas mãos dos militantes, e isto já significa que um passado está enterrado, e que ganhar o futuro é possível. Esta prática política é participativa e inovadora, por isso corta com os jogos de jantares, e abertamente leva todos os assuntos às mãos dos militantes.

Seria, porém, enganoso ficar por aqui, porque o que verdadeiramente interessa é um futuro mais radioso para a Maia e uma alternativa credível e consistente. Também aqui o professor da Escola de Educação do Porto, agora candidato, lança o PS na busca de estar “ao serviço da democracia e do desenvolvimento sustentável”. É curioso que no seu discurso Rothes por duas vezes mencione a palavra “sustentabilidade”, porque isso significa o futuro, onde define um rumo, na alternativa a um executivo de direita e conservador. Por isso é preciso romper, “baseados na justiça e na sustentabilidade”, em permanente escuta dos anseios e expectativas deste povo da Maia, para na oposição, ou no poder, ser semente urgente de novos horizontes e fronteiras. Por isso mesmo o próprio poder agora instalado se para além das denúncias, sempre proféticas, encontrar já uma oposição, unida na diversidade, forte e consistente, pode governar melhor. E esse é o papel da oposição, encontrar ideias, forjar consensos, apresentar alternativas. Ser oposição sem alternativas, é como um barco sem leme, não chega a porto nenhum. Mas se o PS da Maia tem o papel neste momento de oposição, pode ser amanhã o poder, por isso urge a participação popular, em todos os processos políticos, para que o poder não seja autista, arregimentador de votos, por inconfessáveis interesses. Os únicos que movimentam esta candidatura, são os do povo, porventura mais daqueles sem vez, nem voz, mas que fazem o desenvolvimento. E quando não o for, não estarei lá, mas, talvez num deserto, a dizer continuamente não. A participação cívica e política dos militantes do PS, de todos!, e das populações são factores decisivos para que o PS da Maia não seja comandado por estranhos e mesquinhos interesses. Estou nesta candidatura com este propósito, a participação e escuta das mulheres e dos homens que laboram diariamente e querem ganhar o futuro.

 Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

 

 

Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

Dezembro 31, 2007

MOSCADEIRO

STCP: O CASAMENTO PERFEITO!

Já todos tínhamos consciência da incompetência da administração da STCP (Sociedade dos Transportes Colectivos do Porto), da sua inoperância e da incapacidade de entender os seus clientes, a que chamam utentes. Todos sabemos que há um ano tinham cometido erros na gestão, nem sequer escutaram aqueles que todos os dias pagam, duplamente, para andarem nos seus autocarros, nos bilhetes e nos impostos; é assim que um punhado de pessoas gerem, sem qualidade e perspectiva, a não ser pedir empréstimos bancários, para inconfessáveis interesses. Assim sabíamos que para eles a “carne humana” que transportam não passa de intoleráveis entes, que não sabem o que querem, talvez porque as pessoas não são para eles clientes. Na altura registamos no nosso íntimo a fria e muda comissão de trabalhadores e os respectivos sindicatos, cujos membros, alguns deles esperam lugares de prémio, mas estávamos longe de prever o casamento perfeito da última greve que fizeram, perfeito contra aqueles que nos abrigos aguardavam os autocarros, porque no Natal têm de se deslocar para casa dos seus familiares, assim duma talhada administração e sindicatos castigam aqueles que lhes pagam. Uma greve é um acto grave, que demonstra a consciência dos trabalhadores, um acto solene, e por isso deve-se usar com ponderação, mas com muita firmeza. A greve, que fiz muitas, e por cujo direito lutei, constitui uma sublime demonstração de seriedade, capacidade organizativa e de envolvimento colectivo com as populações e só tem significado de for política, porque luta por novas formas de ser, por humanidades outras, e ao ser decretada dispõe de um conjunto de vontades que extravasam o egoísmo e protagonizam o amanhecer de mundos novos. Isso não é defesa de interesses corporativistas, mas das vontades de caminhar para correntes nascente de novos rios, traduzidos em oceanos de fraternidade e igualdade. Ser pela greve é doar-se a uma humanidade sedenta de mulheres e homens construtores das cidadanias participativas.

Por isso é que perante o mutismo de uma comissão de trabalhadores incapaz, muda e queda, ao jeito de destruírem estes órgãos colectivos, porque querem os seus próprios interesses, alguns sindicatos dos trabalhadores dos STCP decretam para no Natal, greve: castigam os clientes e num gozo contínuo brincam aos grevistas. Que greve foi esta que nem os próprios sabiam o que estava em jogo, antes a aproveitaram para ficarem em casa gozando o prazer do Natal? Talvez muitos não saibam, mas esta greve de contornos não esclarecidos, era à vontade de cada um, numa palavra, uma greve de quatro dias, que ora fazes tu, ora faço eu! Inacreditáveis greves onde em cada dia, por horas, vamos e não vamos trabalhar. A chicotada na nobreza da greve estava dada, castigam-se os que menos podem, aqueles que compram os passes, porque já pagaram o dinheiro, gratifica-se uma administração, porque não paga algumas horas de salário, e egoisticamente ataca-se a sociedade. Porque esta greve, de que só possui o nome, é brincalhona, para que aqueles que servem a STCP não percam muito dinheiro e gozem o Natal, ataca-se com violência inaudita os que menos podem, e nem sequer têm voz, nem vez, para falarem. Curiosa esta forma de greve, onde os números não contam, mas os privilégios de alguns e aqueles que se dizem ser trabalhadores, furiosamente, ao lado de acordos com a administração celebram um bonito casamento. Se estes sindicalistas de má memória, e todos os ditos representantes dos trabalhadores, como a comissão de trabalhadores, soubessem alguma vez o que é passar fome para manter uma greve, haveriam de corar de vergonha, e todos que lutaram e pagaram com a vida a luta por melhores salários e condições de vida, para uma sociedade de justiça e verdade, moveram-se nos seus túmulos perante a ignominia traduzida nesta cruzada do interesse de cada um, e não no bem comum colectivo. Mas se ainda têm algum sentido do que é ser trabalhador, leiam o excelente livro de Manuel Carvalho da Silva, “Trabalho e sindicalismo em tempo de globalização” e talvez algum dia percebam o que é a greve. Assim é que não, compete a nós, à sociedade portuense, dizer a estes senhores do sindicalismo, que o caminho que estão a seguir é errado, e os trabalhadores não esquecerão esta afronta

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com
Escreve esta coluna quinzenalmente.    

Dezembro 18, 2007

MOSCADEIRO

A UNIDADE DO CONTRA

 

Muito se apelou na Comissão Política do PS da Maia, a terceira deste reinado, sobre a unidade, e a substancia que ela deve possuir: em torno de um adversário, o PSD, a maioria, cerrarmos fileiras, e aparecermos com a bolorenta parangona que é necessário o poder, e para tal reinar em unidade. Não posso estar em mais desacordo com as balelas, duma unidade construída para o “contra”, como se ele (o PSD) fosse o dono dos nossos valores e princípios; evidente que reflectindo bem o que tem sido forjado no PS da Maia é esse inócuo caminho de querer unidade à força de outros. Isto é, eu sou inimigo de um, o outro é inimigo de um terceiro, então dois unem-se para destruir esse, mas quando ele estiver destruído, então destruímo-nos um ao outro, são as tácticas tão ao jeito do trotskismo, que só revelam falta de uma cultura conjuntural. Este apelo para que estejamos unidos face ao nosso adversário é patético, e patenteia um sentido de ser “contra”, em vez do “serviço”, o que são coisas absolutamente contrárias ao ser político. Os do “contra” são aqueles incapazes de gerar consensos, imbuídos de que está que só ele é verdadeiro, como se a verdade fosse apanágio de alguém; esta atitude é completamente destituída de ontologia, porque verdadeira corrente de um paradigma virtual assente em purgas e inconsequências, de quem olha para si e rejeita sempre o outro, dado que o despreza e usa como arma, não o povo e as suas aspirações, mas os seus próprios interesses, e quando um político assim faz coloca na sarjeta a mais nobre cultura do ser humano, contribuindo para o desagregar da humanidade, e, aqui na Maia, na captação das pessoas para o isolamento, num solipsismo aguçado e que atinge o âmago duma nova humanidade assente no pragmatismo envolvente e capacitador da cidadania participativa. Os do “serviço”, que não são os “bons” ou os “isentos”, porque o poder corrompe sempre, mas estão imbuídos dos valores e dos princípios forjados nas lutas pelos reais interesses das populações, e sem qualquer medo de perder os “tachos”, constroem pontes, celebram a alegria da vida, e, consequentemente, colocam as pessoas no topo da pirâmide das suas preocupações.

Naquela Comissão Política uma jovem, estudante em Coimbra, mas residente na Maia, interveio, e talvez não fosse apreciado o modo como o fez, tão distante foi dos slogans, mas que acertou quando referiu que naquela reunião as palavras chave, “socialismo” e “democracia” não tinham existido, e, portanto, não estávamos a construir ciência, isto é, não sabíamos, nem percebíamos, que estávamos ali só e por causa do povo, das pessoas em concreto, mas sim para fazermos uma “unidade” contra. Apreciei as palavras desta rapariga, porque foi com uma piada cortante, daquela que se ouve e nós começamos a pensar que afinal o contributo destas reuniões, chamadas de Comissões Políticas, é para reunir forças no sentido dos nossos interesses, e não dos valores que devem mover os socialistas. Por isso mesmo é que clamar unidade, só por causa de batermos nos adversários políticos é enganoso e defrauda, a unidade dos socialistas da Maia ou é, forjada no contacto participativo e actuante com quem atravessa as avenidas, ruas e vielas da Maia, ou nunca o será. Aí se vão adquirir os anseios daqueles que queremos servir, e a política é um serviço, ou não o é, e com as nossas ideias, consubstanciadas e substantivadas em princípios e valores do socialismo participativo, até mais do que no representativo, se constrói a unidade não do “contra”, mas em favor de todos, seja como força de poder ou de oposição. Por isso mesmo digo, que desenganem-se quem, porventura, conta com o PSD da Maia para nos “unir”, dado que são tácticas obscenas e de proveito nenhum, mas na capacidade que teremos ou não de nos dar aos outros, nomeadamente aos mais carecidos, porque socialistas que ferem uma sociedade trôpega e sem destino. A oportunidade de invertermos a nossa cultura de sábios experientes, que afinal contributos à sociedade concreta maiata nada dão, mas numa sábia escuta activa, porque é na rua que se constrói essa unidade, e não dentro de paredes, onde, no segredo dos deuses, se quer atacar, porque é necessário defender interesses inconfessáveis.

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente

Crónica a publicar amanhã no Primeiro de Janeiro

Dezembro 17, 2007

Amanhã no Primeiro de Janeiro será publicada uma crónica, da autoria de Joaquim Armindo

 

A UNIDADE DO CONTRA

 

Crónica publicada no Primeiro de Janeiro, de 3.ª feira

Dezembro 7, 2007

MOSCADEIRO

EIS MAIS UM ASSALTO!

 

Quase dois anos negros no PS da Maia, tão negros que alguns já se posicionam para dizer que não estão só mortos, mas enterrados. Mesmo assim, e à espera de bons lugares, venham de onde vierem, muitos já se posicionam para que o patriarca, “perdedor nato” lhes dê o apoio, e as centenas de votos, partindo do seu consultório só para este efeito, dite nova derrota na Maia, e o que é, particularmente, grave não possa fazer oposição séria ou assumir o poder. Bem pode assim o PSD dormir descansado, a direcção do PS da Maia, com o silêncio da Federação do Porto, irá ser conduzida por quem de facto não possui a menor perspectiva política, quanto mais prospectiva. A solução encontrada ao arrepio das bases, dos militantes do PS, dos votantes, é ignóbil e desprovida de qualquer senso político, é uma desonestidade cultural, que atinge bem no fundo os princípios basilares do Partido Socialista. Já todos conhecemos as ladainhas laudatórias da necessidade da unidade, e quem prega, como venho fazendo, a inocuidade de todo o processo só pode ser um proscrito, sem razão, mas que na altura certa se vem tudo a verificar. A solução de que uma senhora conduza como presidente o PS da Maia é ilegal, porque a comissão política nunca foi ouvida; mas o que mais preocupa é o atingir bem lá no âmago os princípios socialistas da democracia, liberdade, igualdade, solidariedade e fraternidade. O PS da Maia é conduzido por uma pessoa que não se deveria proclamar presidente, mas convocar de urgência a comissão política, para uma resolução desta grave questão, por isso não possui qualquer legitimidade para assegurar sequer os assuntos correntes do partido. Assim o PS da Maia não possui qualquer direcção após a demissão, que suada foi, do presidente eleito em eleições de fraude. Para dar uma grande volta ou existe a grande autocrítica e democracia participativa, ou a injustiça continuará a campear por este lados políticos. Dizem alguns que a solução encontrada foi de acordo com os secretariados das secções da Maia, excepto Águas Santas e Milheiros, ora qualquer pessoa minimamente séria, politicamente, pode acreditar nestes representantes basistas; vejam só que a Secção de Pedras Rubras, não reuniu a sua assembleia de militantes, nem se conhecem as reuniões do seu secretariado, certamente por serem em local bajulado por interesses mesquinhos e pessoais. Como pode o filho do “chefe” determinar a minha vontade se nunca me ouviu? Estranha democracia esta, de quem quer ser poder na Maia!

Depois dos acordos efectuados nas últimas autárquicas –uma das condições era eu não entrar nas listas – dos desacordos posteriores, das eleições para a concelhia eivada das ilegalidades conhecidas, de demissões em catadupa, de secções “rebeldes” que não reconhecem o poder instalado pela força de golpes, já era altura do PS da Maia se assumir como um partido político. Mas o que vemos e sabemos são das movimentações, tão ao gosto de jantares de trabalho, daquele que “tudo perde”, para colocar em posição de poder pessoas da sua confiança, e quem sabe o elegerem por mais de noventa por cento como novo concorrente à câmara da Maia, porque perder não interessa, ou não foi ele mesmo a dizer que o que faz falta é falar de nós, nem que seja mal? Todos já estamos fartos destas conversas, sabemos à muito, por experiência, do que está mal neste PS, um PS surdo e mudo quanto às questões dos maiatos, excepto honrosas excepções, e não podemos deixar a denúncia na gaveta, porque por omissão seremos coniventes, e se o sabemos então o mal está em continuar a colocar generais do reumático, como salvadores, quando foram eles mesmos que enterraram o PS. A solução está na movimentação dos militantes, na insurreição e desobediência contra os malefícios das posturas de quantos esperam que o PS encerre as portas, para que mandando suguem ao nosso povo a esclarecida decisão. A grande questão é que o PS da Maia possui militantes suficientes e esclarecidos para não continuarem a ver os seus princípios massacrados. São esses que devem avançar e se assim o fizerem, os tanques com flores do 25 de Abril voltarão a este PS que está na Maia.
Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve quinzenalmente esta coluna.

CRÓNICA PUBLICADA NO PRIMEIRO DE JANEIRO, de hoje

Novembro 20, 2007

MOSCADEIRO


OBRIGADO DAVID PERES!

Lembro-me muito bem era o mês de Agosto, estávamos acampados no Gerês, fomos pelo natureza dentro e zás uma forte chuvada se fez sentir. A Fernanda, a mãe do David, tinha– o no ventre há oito meses, mas também forte mulher que é, ou não seja a coordenadora nacional do Programa de Inclusão, também ia connosco, e tivemos de nos secar todos nas braseiras de uma casa bem lá na montanha, que nos acolheu, com vinho também. Estas gentes do Gerês são assim, hospitaleiras e boas. Lá comemos e bebemos, enquanto o pai do David metendo-se à chuva copiosa foi buscar o carro. E em Setembro lá tínhamos o nascimento do David, com a festa necessária diga-se. Vivi em sua casa alguns meses, enquanto esta minha se construía aqui na Maia, por isso tenho boas recordações também do seu crescimento e desenvolvimento, e de como brincava com o meu filho Daniel, entretanto nascido. Então aquela foto, que guardo, dos dois no pote a fazer cocó, é linda! O David cresceu, já lá vão trinta anos, e sempre as suas atitudes foram de uma criança e homem modelares. Quando chegava aqui a casa, na Maia, ia direito à cozinha ver o que era necessário fazer, os seus olhos eram pérolas, e são ainda, da alegria da vida, e o seu sorriso contagia todos os que à sua volta se encontra: um menino de oiro. Quando naquela manhã de sábado o seu pai me telefona a informar que teve um desastre e tinha ficado paraplégico, os meus olhos encheram-se de lágrimas, e eu não sou de chorar, porque as deixei todas na guerra colonial, como era possível tal suceder. Tinha sido na via rápida, da rotunda dos Produtos Estrela para Matosinhos, onde reside, e vinha do seu curso de Microbiologia, que frequentava na Universidade Católica; um condutor ultrapassou-o pela direita, guinou à esquerda, tocou nas traseiras do seu carro, e zás o automóvel despistou-se, foi logo socorrido, mas de nada valeu. Visitei-o no hospital de S. João onde esteve algum tempo, dessas visitas recordo o sorriso franco e aberto, como quem diz que a vida é para viver, na esperança que têm as flores ao inaugurar o período primaveril, depois do Inverno desgastante pela chuva. Mal pôde, de cadeira de rodas, apresentou-se na universidade e foi fazendo exame após exame até que concluiu a licenciatura. A Escola Superior de Biotecnologia com barreiras arquitectónicas por todo o lado teve de se adaptar, porque o David era um excelente aluno. Ainda esteve em Cuba, nas férias, e lá foi bem tratado e algum progresso obteve, mas a cadeira de rodas nunca o deixou. Activo, porém, nunca deixou de pugnar e dinamizar associações de apoio aos que dizem ser “deficientes” e que mais não são que pessoas com mobilidade condicionada.

Agora, empregado, e para isso teve de lutar, de mostrar a sua competência, (fá-lo no apoio a pessoas como ele), vai defender hoje, terça-feira, a sua tese de mestrado, titulada “Caracterização Epidemiológica do Staphylococcus aureus Resistente à Meticilina (MRSA) num hospital Distrital do Grande Porto e Sua Percepção pelos Profissionais de Saúde”, pelas 11 horas, no Instituto de Ciências Abel Salazar. Se aqui trago este exemplo de vida, de luta e de sorriso permanente, numa coluna deste tipo, é porque não consigo esconder a minha alegria e as pérolas que são os seus olhos a sorrir (sabem o que são olhos a sorrir? Talvez não! então conheçam o David Peres). É preciso muito amor à vida, que no seu centro ainda se encontre vida, para vencer as dificuldades de uma sociedade que forçosamente pensa, e quer outros a pensar, que são “deficientes”, quando este caso de um jovem é paradigmático que a humanidade não está preparada para deixar de lhes chamar os “coitadinhos”; a prova provada é este David Peres, será Mestre, para alegria de todos nós. A sociedade ferrada que está no neo-liberalismo feroz, globalizado e hitleriano, não compreende esta caminhada, mas David, tendo por memória o Steven, professor de grande craveira da Universidade do Porto, que viveu contigo até falecer, e a tua mãe, essa inteligência impar de Portugal, e pai, eu sei que deste a este mundo desumanizado a maior consistência da esperança numa outra humanidade. Obrigado David!

Joaquim Armindo

Membro da Comissão Política do PS da Maia

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente

Crónica a publicar amanhã no Primeiro de Janeiro

Novembro 19, 2007

Amanhã no Primeiro de Janeiro será publicado um texto, da autoria de Joaquim Armindo,

OBRIGADO DAVID PERES!