Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

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OS TRAPOS VELHOS

 

“…sobre Deus que se revela, a liturgia que O celebra, a Igreja que o testemunha e o mundo que O espera…”, embora não sinta muito movimento sobre a carta que os Bispos do Porto escreveram, não nos cansaremos de a refletir, e assim mais uma pequena frase, das grandes linhas que eles sistematizam na sequência do Concílio. A reflexão sobre este Deus que se revela, como e onde quiser, talvez não muito por nós cristãos ditos praticantes (de quê?), é celebrada numa liturgia viva, e se o não for, nunca será celebrante, nem a Igreja testemunho atuante e muito menos seremos as árvores que dão frutos ao mundo, sedente como se encontra!

Tenho encontrado neste Porto, de Portugal, quem discuta a vida, e se valerá a pena ou não, dados os custos económicos manter os “velhos”. Estes “velhos” são aqueles que deram a vida a uma geração que agora os discute, como se estivesse nas mãos de cada legislador, dizer que morre ou quem vive, dada uma idade, que só gasta dinheiro ao erário publico. E fazem as contas, como bons agentes económicos, que não políticos, querem gerir a velhice, ou melhor os trapos. Não sei bem, se um dia destes vamos ou não, discutir a necessidade duma incineradora para este fim. Confesso que fiquei pasmado quando vejo a discussão sobre o assunto a pretender saber quem morre, não devido à idade ou à doença, mas aos custos desta idade e desta doença.

Sabemos que muitos idosos até morrem sós, e depois de algum tempo descobre-se, e muitos mais não têm dinheiro para aviar os seus medicamentos, porque tudo está muito barato em Portugal, tendo em consideração outros países da União Europeia, a face de uma moeda, porque a outra não a mostram. Sabemos que aqueles que trabalharam uma vida e deram alento à sociedade portuguesa, lembro-me muito dos antigos combatentes das ex-colónias, são a partir de determinada idade um fardo pesado, porque economicamente não produzem e só gastam e chateiam. Por isso matemos, desliguemos as máquinas, saibamos até legislar sobre a idade em que as pessoas podem viver, e até os critérios para estarem vivos. E talvez se tudo for assim, se consiga pagar um dos subsídios a quem hoje trabalha e amanhã é velho!

Criminosa uma sociedade que assim pensa, e até age, desta forma. Conivente uma Igreja se consentir esta forma de vida. Porque na frase inicial se dizia que “o mundo O espera”, ora a esperança do mundo é naquele que dá o Amor transbordante a cada pessoa. O mundo O espera, através do testemunho da Igreja, de todos os cristãos, que O celebram, em comunidade.

Velhos são os trapos, e os trapos serão aqueles que podem pensar numa sociedade legislada sobre matérias destas. Deus revela-se como e onde quer, e não o deixará de fazer, também aqui. Levemos ao altar, trazemos do altar, não fiquemos lá, porque Deus está presente na história dos homens.

Joaquim Armindo

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