Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

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SERVOS DE TODOS?

 

Estava a ler dois documentos importantes e a meditar neles: “A Carta Apostólica – A Porta da Fé” e a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé”, quando de repente, parei. É que no ponto 22, desta Carta, os Bispos citando o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (Compêndio, 330), referem “O diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade”. Aqui eu disse para mim, Alto! E comecei a pensar, a pensar, e desculpem os meus colegas do diaconado, a pensar em nós. Eu, Joaquim Armindo, tenho sido o servo de todos? E o ministério da palavra, exerço? Do culto divino? Da condução pastoral? Da caridade? Onde e como?

A Carta Porta Fidei, (A Porta da Fé), tem sido “mastigada” já por diversas vezes, para me encontrar nela, para sentir em mim, aquilo que devo viver, e agora os Bispos da, minha, Diocese do Porto, vêm fazer uma intrusão na minha reflexão e logo lembrar-me questões, escritas em 2005, sobre o exercício da diaconia. Confesso que fizeram bem, é oportuno, tempestivo, como se diz “acertaram na muche”. Eu, servo de todos? Eu, a exercer o ministério da palavra? No culto divino, vá lá, estou, talvez não como deveria, mas estou! Condução Pastoral, onde exerço? Da caridade, do amor, onde? Bem, penso, lá vou escrevendo estas crónicas, e para alguma coisa devem servir (não que eu saiba, mas também não serão assim tão más, porque o Diretor do Jornal já me tinha tirado a palavra, e fazia bem!).

Eu sei, e já aqui o escrevi, o diácono deve sobre tudo, servir, levar ao altar as aspirações das mulheres e dos homens, e trazer de lá a certeza da fé, que move montanhas, para eles. Podem crer que sei isto, e o meu Bispo não se cansa de o repetir, quase à exaustão. Estamos numa situação grave no mundo, em Portugal e na Diocese do Porto, é necessário que nos deixemos apanhar pelo altar do Senhor, que a Força do Espirito nos cative, porque atentos a tantos sinais que recolhemos da vida, e por força desse Espirito, semear por aí, em todos os lugares as bem aventuranças, de que nos fala o Evangelho de Mateus. Ontem era tarde, para a perceção da Boa Nova, duma Humanidade outra, da ética de vida, da Nova Evangelização, no “Ano da Fé”.

Estou a pensar, na “crise”, naqueles que não têm voz, nem vez, nos milhões desempregados, nas filas para a “sopa dos pobres”. E penso, numa outra frase da Carta dos Bispos, “União a Cristo significa participação na sua missão, pois a vida é para todos. Ele inaugurou na terra aquele “reino” tão esperado…”. Então o reino está aí, aqui, em cada um de nós, mas os diáconos não podem andar só a pensar, têm de ser servos de todos, exercer o ministério da palavra, ser, também, parceiros do culto, da condução pastoral e da caridade, do Amor de Jesus. Levar ao altar, e trazer do altar!

Joaquim Armindo

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