Archive for Julho, 2012

Poema

Julho 29, 2012

vês aquele barco ali, no alto mar,
e as gaivotas em terra, anunciando
a torrente do amor.

são os teus seios envoltos, nas pétalas dos girassóis
ao vento, revolvendo os moinhos.

e assim, os teus beijos, são o sol, dentro dos meus,
não, não o eclipse,
porque a lua e as estrelas, testemunharam,
o sussurrar das fontes
lá da montanha.

e sabes: quando as línguas se cruzam, na dialéctica do arfar,
dos bombos e das gaitas de foles,
as bandeiras, hão-de dizer,
vejam, vejam, as bandeiras desfraldadas,
da liberdade, nos teus cabelos.

e é assim, que construímos as pontes, do sabor e do cheiro,
da maresia,
no calcorrear dum caminho, sem sono,
porque este não é o cantar dos pássaros,
nas esquinas da liberdade, que construímos.

e tu, e eu,
saberemos meu amor, construir, pedra a pedra,
o amor do perigo, que dá sabor ao nosso paladar,
e haveremos de cantar, a canção do único
barco que acalma,
o dedilhar das violas,
cantadas em teu ventre.

joaquim armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Julho 29, 2012

OS TRAPOS VELHOS

 

“…sobre Deus que se revela, a liturgia que O celebra, a Igreja que o testemunha e o mundo que O espera…”, embora não sinta muito movimento sobre a carta que os Bispos do Porto escreveram, não nos cansaremos de a refletir, e assim mais uma pequena frase, das grandes linhas que eles sistematizam na sequência do Concílio. A reflexão sobre este Deus que se revela, como e onde quiser, talvez não muito por nós cristãos ditos praticantes (de quê?), é celebrada numa liturgia viva, e se o não for, nunca será celebrante, nem a Igreja testemunho atuante e muito menos seremos as árvores que dão frutos ao mundo, sedente como se encontra!

Tenho encontrado neste Porto, de Portugal, quem discuta a vida, e se valerá a pena ou não, dados os custos económicos manter os “velhos”. Estes “velhos” são aqueles que deram a vida a uma geração que agora os discute, como se estivesse nas mãos de cada legislador, dizer que morre ou quem vive, dada uma idade, que só gasta dinheiro ao erário publico. E fazem as contas, como bons agentes económicos, que não políticos, querem gerir a velhice, ou melhor os trapos. Não sei bem, se um dia destes vamos ou não, discutir a necessidade duma incineradora para este fim. Confesso que fiquei pasmado quando vejo a discussão sobre o assunto a pretender saber quem morre, não devido à idade ou à doença, mas aos custos desta idade e desta doença.

Sabemos que muitos idosos até morrem sós, e depois de algum tempo descobre-se, e muitos mais não têm dinheiro para aviar os seus medicamentos, porque tudo está muito barato em Portugal, tendo em consideração outros países da União Europeia, a face de uma moeda, porque a outra não a mostram. Sabemos que aqueles que trabalharam uma vida e deram alento à sociedade portuguesa, lembro-me muito dos antigos combatentes das ex-colónias, são a partir de determinada idade um fardo pesado, porque economicamente não produzem e só gastam e chateiam. Por isso matemos, desliguemos as máquinas, saibamos até legislar sobre a idade em que as pessoas podem viver, e até os critérios para estarem vivos. E talvez se tudo for assim, se consiga pagar um dos subsídios a quem hoje trabalha e amanhã é velho!

Criminosa uma sociedade que assim pensa, e até age, desta forma. Conivente uma Igreja se consentir esta forma de vida. Porque na frase inicial se dizia que “o mundo O espera”, ora a esperança do mundo é naquele que dá o Amor transbordante a cada pessoa. O mundo O espera, através do testemunho da Igreja, de todos os cristãos, que O celebram, em comunidade.

Velhos são os trapos, e os trapos serão aqueles que podem pensar numa sociedade legislada sobre matérias destas. Deus revela-se como e onde quer, e não o deixará de fazer, também aqui. Levemos ao altar, trazemos do altar, não fiquemos lá, porque Deus está presente na história dos homens.

Joaquim Armindo

Moda Portuguesa

Julho 22, 2012

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Reflexão de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

O ALIVIO

 

O alívio é “uma diminuição de carga, fadiga, de sofrimento”, e aliviar “desoprimir, dar alívio a, atenuar, suavizar, consolar (aquelas palavras aliviam-me…)” . Uma determinada pessoa, não sendo uma ilha, quer fisicamente, quer psicologicamente, que possui uma “carga”, a desagrabilidade de carregar, de estar afectada, mesmo que não possua o conceito do UNO e do MÚLTIPLO, ou seja, a sua vida não seja compartilhada com outrem, enquanto ENTE, mas só requeira o AMOR DE AMIZADE, se não consegue digerir por si, que a normalidade dos actos diz que é verdade, só pode desoprimir-se, aliviar-se, se compartilhar isso com o ENTE ou o amigo. Se, porém, o conto não se faz, dado que as palavras não aliviam, então isso significará a perda do UNO, ou melhor a sua nunca existência, ou do Amor de Amizade. Porque se o quotidiano, seja qual for, constitui uma profunda fadiga fazê-lo sentir a quem é ENTE, é uma negação da PESSOA enquanto vivencial, uma negação da vida.

Não é possível existir relação séria onde a partilha do SER é escamoteada, porque tradutora de mais sofrimento, estaremos perante uma contradição entre sentimentos que dizemos ter e a sua prática. Só a prática de uma teoria, leva a oferecer-nos enquanto dom ao outro, porque se este dom sofre de arritmia, enquanto movimento sofredor, traduz uma doença arterial, então o “coração” não bate, e acaba por morrer. Não se poderá afirmar, então, uma dualidade de procedimentos e de caracteres, porque levará à mentira e à obcecação. Isso é deprimente, e em vez do aliviar, estamos no castigo de falar disso a outrem, seja ENTE ou PESSOA, na sua diversidade. Por isso não existem matérias tabus, mas declarações que acalmam.

Se, porém, não aclamam, então a relação é inquinada, não existe alívio, e não será procedente a sobrevivência dos ENTES, ou até da AMIZADE, dado existir uma ocultação da vida que produz sofrimento. E se esse sofrimento é duplo, isto é, é dirigido vectorialmente em dois sentidos contrários, no que não se quer, e naquele que se quer, uma NEGAÇÃO é evidente, e pelas evidências confirmamos a verdade.

Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

O GRITO!

 

“Que Deus, o Criador de todas as coisas, se digne abençoar seus filhos e filhas nesta nobre missão de “cultivar e guardar” a terra, lugar de vida para todos (cf. Gn 2,15)”, assim termina o comunicado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acerca da Conferência da ONU Rio+20, sobre o Desenvolvimento Sustentável, que decorreu no Brasil.

Este é o grito de toda a Igreja na defesa da Criação, que “carrega consigo a irrenunciável responsabilidade de responder aos anseios e expectativas mundiais em relação à defesa e promoção de toda a forma de vida”, e esclarece que “é urgente repensar a nossa relação com a natureza, que “nos precede, tendo-nos sido dada por Deus como ambiente de vida” e está à nossa disposição “não como um lixo espalhado ao acaso, mas como um dom do Criador” (Bento XVI – Caritas in Veritate, n. 48)”. Neste seu texto, de profunda riqueza, e de denúncia, lembra a V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe (2007), em que já se afirmava que “com muita frequência se subordina a preservação da natureza ao desenvolvimento econômico, com danos à biodiversidade, com o esgotamento das reservas de água e de outros recursos naturais, com a contaminação do ar e a mudança climática”.

Bastantes críticos sobre o que os mais de 190 países e 130 chefes de estado e de governo aprovaram, e sobre a chamada “Economia Verde”, a CNBB declara “A Rio +20 indica uma resposta a essas questões com a chamada Economia verde. Se esta, em alguma medida, significa a privatização e a mercantilização dos bens naturais, como a água, os solos, o ar, as energias e a biodiversidade, então ela é eticamente inaceitável. Não podemos nos contentar com uma roupagem nova para proteger o insaciável mercado, que só tem olhos para o lucro, configurando-se como “lobo em pele de cordeiro” ao manter inalteradas as causas estruturais da crise ambiental”.

Um apelo grande a cada um de nós, nesta Diocese do Porto, e neste Portugal, quase silencioso sobre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos, e urgentemente reclama que todos nós assumamos que este “compromisso deve ser assumido por todos. Os cristãos, de modo especial, movidos pela solidariedade, que gera fraternidade e comunhão, são convocados a trabalhar pela preservação do meio ambiente e a colaborar na construção de uma sociedade justa, ecologicamente sustentável”.

Este é um grito, uma chamada dos cristãos, estaremos com a garra de nas nossas comunidades cristãs, respondermos ao desafio?

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

SERVOS DE TODOS?

 

Estava a ler dois documentos importantes e a meditar neles: “A Carta Apostólica – A Porta da Fé” e a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé”, quando de repente, parei. É que no ponto 22, desta Carta, os Bispos citando o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (Compêndio, 330), referem “O diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade”. Aqui eu disse para mim, Alto! E comecei a pensar, a pensar, e desculpem os meus colegas do diaconado, a pensar em nós. Eu, Joaquim Armindo, tenho sido o servo de todos? E o ministério da palavra, exerço? Do culto divino? Da condução pastoral? Da caridade? Onde e como?

A Carta Porta Fidei, (A Porta da Fé), tem sido “mastigada” já por diversas vezes, para me encontrar nela, para sentir em mim, aquilo que devo viver, e agora os Bispos da, minha, Diocese do Porto, vêm fazer uma intrusão na minha reflexão e logo lembrar-me questões, escritas em 2005, sobre o exercício da diaconia. Confesso que fizeram bem, é oportuno, tempestivo, como se diz “acertaram na muche”. Eu, servo de todos? Eu, a exercer o ministério da palavra? No culto divino, vá lá, estou, talvez não como deveria, mas estou! Condução Pastoral, onde exerço? Da caridade, do amor, onde? Bem, penso, lá vou escrevendo estas crónicas, e para alguma coisa devem servir (não que eu saiba, mas também não serão assim tão más, porque o Diretor do Jornal já me tinha tirado a palavra, e fazia bem!).

Eu sei, e já aqui o escrevi, o diácono deve sobre tudo, servir, levar ao altar as aspirações das mulheres e dos homens, e trazer de lá a certeza da fé, que move montanhas, para eles. Podem crer que sei isto, e o meu Bispo não se cansa de o repetir, quase à exaustão. Estamos numa situação grave no mundo, em Portugal e na Diocese do Porto, é necessário que nos deixemos apanhar pelo altar do Senhor, que a Força do Espirito nos cative, porque atentos a tantos sinais que recolhemos da vida, e por força desse Espirito, semear por aí, em todos os lugares as bem aventuranças, de que nos fala o Evangelho de Mateus. Ontem era tarde, para a perceção da Boa Nova, duma Humanidade outra, da ética de vida, da Nova Evangelização, no “Ano da Fé”.

Estou a pensar, na “crise”, naqueles que não têm voz, nem vez, nos milhões desempregados, nas filas para a “sopa dos pobres”. E penso, numa outra frase da Carta dos Bispos, “União a Cristo significa participação na sua missão, pois a vida é para todos. Ele inaugurou na terra aquele “reino” tão esperado…”. Então o reino está aí, aqui, em cada um de nós, mas os diáconos não podem andar só a pensar, têm de ser servos de todos, exercer o ministério da palavra, ser, também, parceiros do culto, da condução pastoral e da caridade, do Amor de Jesus. Levar ao altar, e trazer do altar!

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

A VIDA DAS PESSOAS

 

“…cada vigararia, cada unidade pastoral, cada paróquia, cada movimento, procure organizar e oferecer, a públicos indiferenciados ou específicos, um itinerário de formação na fé cristã, com incidência na vida das pessoas e das comunidades”, é uma das diretrizes que a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé” (ponto 31).

A chamada de toda a Diocese do Porto é um sinal que os Bispos colocam uma enfase muito especial no Ano da Fé. Em primeiro lugar dirigem-se a todos os cristãos, apelam às “bases”, para que o movimento seja imparável, com um fim muito claro de “formação na fé”, porque só esta é capacitadora do agir comungante de toda esta nuvem, que deve pairar sobre cada um e cada uma, como Filhos de Deus e Templos do Espírito Santo, no sentido de serem sinais vivos, duma Fé adulta, informada e formada, para que a grande novidade da Boa Nova, se torne Palavra compreensível, para as pessoas e as comunidades.

O pronuncio de uma Fé atuante, faz-se pela formação na fé, portadora dos sinais dos tempos, que se tornam realidade nas Vidas Vivas, e nas razões da nossa esperança. A este grande caminho não podemos ficar indiferentes, e contentarmo-nos a participar (muitas vezes a assistir) à missa, mas sermos portadores dessa mensagem que Jesus viveu, e nos mandou anunciar: a liberdade aos oprimidos, o pão aos famintos, a água aos que têm sede, a Vida a cada pessoa. Jesus é a Água Viva, que se dá, sem nada querer, como à Samaritana. Somos portadores dessa água, mas quantas vezes a sonegamos famintos que estamos da ignorância da humanidade em que vivemos. É de facto uma realidade factual, a necessidade deste “itinerário de formação na fé cristã”, e que mil flores desabrochem, de pensamentos, de ideias, de quereres, do movimento que carecemos para fermento da nossa Diocese.

Mas os nossos Bispos referem ainda, que este “itinerário de formação na fé cristã”, tem de possuir “incidência na vida das pessoas e das comunidades”. Grande palavra e grande desafio, colocar os moinhos a produzir farinha, desenterrar a persistente inércia de que somos possuídos, como se Deus não residisse em cada um de nós. Esta incidência não é unicamente pessoal, do foro do “eu”, mas como afirmam os Bispos também são dos “tus”, das comunidades famintas duma linguagem de amor, do Amor do Ressuscitado.

Quero ter fé, quero que Deus me conceda o benefício da fé, para acreditar, que todos nós vamos também querer como sua, essa fé. A partir de mim, e de ti, das nossas comunidades, dos movimentos, não podemos ser indiferentes a esta “Porta da Fé”. Seremos ou não?

Joaquim Armindo

Artigo publicado no jornal Voz Portucalense, de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012

A BÍBLIA

 

“Desconhecer a Bíblia é desconhecer a Cristo”, esta frase lapidar de S. Jerónimo, citada na Dei Verbum, e agora lembrada, e bem, na revista “bíblica”, de julho/agosto do ano corrente, vem convocar-nos a todos para a grande necessidade do conhecimento, que devemos possuir da palavra inspirada. Não existe Ano da Fé, se este não for consubstanciado na Palavra, na Tradição e no Magistério da Igreja, este na procura da razão banhada pela água corrente do Espírito do Senhor. A carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, a propósito do Ano da Fé, reconhece isso mesmo, ao citar a Constituição Sacrosanctum Concilium, que afirma “Cristo…Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura”.

Temos todos de reconhecer que ao abrigo de práticas legitimas de piedade popular, nos esquecemos muito, e muito mesmo, que a Fé dada aos Santos, provém da nossa intimidade com Deus, na oração e na leitura diária da bíblia, e que a Igreja só o será, quando a sua missão for proclamar o Evangelho do Senhor.Por isso há um trabalho insanável para todos nós, convocados por Deus, nos diferentes ministérios, enviados pelo seu Filho, na comunhão do Espírito Santo, de ensino, de instrução, de leitura individual e coletiva, para descobrirmos que o Reino aí está, só que nós quais cegos de Jericó, não o vemos, não lemos a sua mensagem e prostrados, inanimados, quedamo-nos pelo facilitismo de que “eu cá tenho a minha fé”!

Viver o Ano da Fé é ser testemunha fiel de Cristo Ressuscitado, falar aos Homens em linguagem que nos entendam, e é tão fácil se for assumido o conhecer a Cristo, e para tal, também, conhecer e rezar a Bíblia; aprofundá-la e estudá-la, não fazer dela só o “livro da cabeceira”, mas da humanidade. Este livro sagrado não pode ser ignorado, porque se o for não alimentaremos a nossa fé, que só será alimentada quando vivida e proclamada. E se nós, com especialmente incidência nos bispos, presbíteros e diáconos, não o fizermos, somos responsáveis por uma fé ignorante e codificadora de matrizes, bem-intencionadas, mas que não respondem aos apelos incessantes do mundo onde devemos estar mergulhados.

Hoje, aqui e agora, haveremos de ser “porta estandartes”, de que meditar na Palavra do Senhor, é uma urgência sem igual, que sermos “muito católicos”, cumprirmos “regras”, que não nos farão mal, não é suficiente para o “Ide e proclamai o evangelho a toda a criatura”. Todos somos de menos, ninguém poderá ficar de “fora”, porque a Palavra é para ser meditada e proclamada. Cuidado, que se nos calarmos, “as pedras falarão”!

Joaquim Armindo