Archive for Junho, 2012

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 24, 2012

A CIMEIRA: RIO+20

 

Estamos no tempo em que realiza a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, conhecida por Rio+20, porque foi há 20 anos que no Rio de Janeiro se realizou a Conferência sobre a Terra. Temos também em consideração que foi no ano de 2000, que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou os “Objetivos do Milénio”, que pouco se conhecem, e muito menos se fez. Ao “falhanço político”, que têm sido estas conferências, onde se assinam muitos tratados, que não se cumprem, devem responder os cristãos com a ousadia da Esperança, e no espaço converterem em ações concretas o “pensar global, agir local”. Esta a tarefa de todos nós!

O documento base da conferência, que deverá ser aprovado, discute um novo pensamento, o da “economia verde”, com as boas intenções de erradicar a pobreza, promovendo a ética como base para uma nova civilização e ordem mundial. Mais de cem presidentes ou primeiros ministros, de quase 180 países, estarão presentes, para darem o seu “sim” a documentos, depois não cumpridos. A “economia verde”, de acordo com o documento, vem mitigar os efeitos da economia mundial, mas não resolve os problemas, as raízes das causas que os originam. Não seremos nós que julgaremos os bons propósitos dos países presentes, mas como podemos classificar quem defende uma “economia verde”, como ponto fundamental, e não respeita nos seus países o Ambiente e os Direitos Humanos?

A grande crise que vivemos terá uma resolução, quando através do conhecimento, formos capazes do desenvolvimento cultural, única forma de vencermos o ostracismo e a não participação das populações. O documento síntese, mas que contém dezenas de páginas, continua confinado aos três pilares do Desenvolvimento Sustentável: economia, ambiente e coesão social e vagamente coloca o fulcro na participação das populações livres e literatas. Não poderemos barricar a atuação, e esconder o desenvolvimento cultural, no social, porque aquele é de facto o motor essencial à presença dos povos e nações, livres, mas numa liberdade com pão! A Sustentabilidade, só o é, na medida do conhecimento e respeito pela democracia, numa vénia constante à Criação, que quotidianamente desprezamos.

Nós cristãos e cristãs, defenderemos a Criação, como emanação surpreendente de Deus, não poderemos nunca desconhecer o que o nosso mundo político decide, porque estamos no mundo, por mais lamacento que seja e deveremos defender todos os projetos aprovados, exigindo a sua real concretização, sabendo bem que o Espirito sopra onde e como quer, e que Deus está na história hoje, bem dentro dela, e será o Amor de Jesus, que iluminará as nossas ações locais. Não iremos esperar mais, pois não?

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 24, 2012

A NOSSA MISSÃO

 

“Missão é também a promoção do desenvolvimento, da justiça e da paz entre os povos. Missão não é só anúncio; é também presença, diálogo e partilha de valores entre os povos e religiões. Missão, é por fim e também, defesa da natureza e da criação, da terra, do ar, da água, dos recursos naturais, de um modelo de sustentável, respeitador da Natureza e das gerações futuras” (Editorial da Além Mar, junho de 2012).

“Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa”, está escrito no livro do Génesis (1,31), no poema épico da criação da humanidade. Tudo era bom! Só que existimos nós, com defeitos e virtudes, com pecado e omissão, a agarramos nesta liberdade e aspergimos com o sol tórrido da autosuficiência e da indignidade humana. Não toleramos, vestimo-nos com fatos domingueiros, bem dourados, mas sem a sustentabilidade do Espírito. Exigimos direitos, mas falta-nos o sonho da utopia, de vivermos como irmãos, de juntarmos o lobo e o cordeiro, na Paz de Jesus, que não é uma qualquer, mas o anúncio do perdão e da dignidade humana, da reconciliação e da justiça, do bem de cada um, só e quando existir o bem comum.

Estamos às portas de um acontecimento mundial, onde cerca de duzentos países estarão presentes, mais de cem chefes de estado, na Rio+20, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, na defesa da Natureza e da Criação, a que não podemos ficar indiferentes. Ao mesmo tempo e na mesma cidade, do Rio de Janeiro (Brasil), acontecerá uma conferência paralela, o Conclave dos Povos, onde milhares de pessoas representantes de ONG e outros organismos, discutirão e serão a denúncia, daquilo que por incapacidade os “chefes dos povos” não tiverem a suficiente coragem para defender.

Curiosamente, e por coincidência, celebramos o 50º aniversário desse grande Concílio do Vaticano II, convocado por João XXIII, e os nossos bispos reunir-se-ão, em Roma, para dar um novo folego à Evangelização, afinal para animar a nossa Missão. E Jesus foi tão simples ao expressá-la: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura, e batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo”. Tão simples e nada complicada a nossa Missão, ela hoje neste Universo sem fim, e falando a todos, e, principalmente, aos senhores dos vários poderes, é a defesa dos povos, da liberdade, da justiça, da fraternidade, da criação, da natureza e desta sustentabilidade (económica, ambiental, social e cultural), até atingirmos a graça de sermos saudáveis e vivermos, com a bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Cada um de nós é responsável por isso! No silêncio do teu quarto, unido a Jesus, pergunta-te o que tens feito para que tal aconteça.

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Junho 14, 2012

A RESPOSTA!

 

Igreja da Trindade. Porto. Sábado. Vinte e uma horas e trinta minutos. Centenas de jovens encheram aquele templo. Repleto. Cantavam, balanceando os seus corpos ao som de “Eu estou aqui!”, com força e vigor perante o bispo da Diocese e alguns padres e diáconos, proclamavam que Jesus estava ali, “tão certo como o ar que eu respiro”. Ligados os pulsos com fitas de cores várias, impressionaram pela vivacidade e pela alegria, ao levantarem os seus braços, ligados entre si, balanceavam-se cantando. Não era um espetáculo, é a doação de si, que em tempos da “crise”, do desemprego, da fome, dos débitos que têm, não sabem como, apareceram de toda a diocese, para marcar a fulcral identidade dos valores cristãos, do trabalho e de uma sociedade outra, com água viva, saída de um “poço”, construído com os tijolos, que cada um lá colocou.

Esta impressionante resposta dos jovens da diocese do Porto, é um ato concreto do Espírito Santo, na Vigília da Santíssima Trindade. A irreverência destes rapazes e raparigas, homens e mulheres do amanhã, é um veto a todos que julgam ou pensam que a Igreja está moribunda, porque estas mãos dadas são a prova indelével de que Jesus está com na Igreja, que construiu. “A Igreja não vem de si, mas de Cristo; não é para si, mas para Cristo e para o mundo para onde Ele veio, como Missionário do Pai, e por quem Ele se entregou em amor jamais igualado”, como refere o Padre Almiro Mendes (Revista Além Mar, número de novembro de 2011), por isso é missionária na sua própria casa, neste caso a grande diocese do Porto.

Este rio de água pura que encheu o Porto, cidade da Virgem, com as suas velas luminosas, num dia, a via-sacra, percorrendo, sem medos, as ruas da cidade, noutro, e a vigília de que vimos a falar, são respostas de Vida em Jesus. O sermos minoritários é uma bênção, se formos testemunhas da Igreja de Jesus, que percorre um caminho, um longo caminho, não se preocupando com a sua manutenção, porque isso é obra do Espírito Santo. “Olhai os lírios do campo” – diz Jesus. Eles florescem em cada esquina, são as flores que não se preocupam se vão murchar, porque sabem que é da sua semente, que morre, que multidões nascem, para percorrer o caminho em frente.

As mãos erguidas dos jovens, unidas por um só querer, “tão certas como o ar que respiro”, são, e têm de ser, os empurrões dados aos céticos, que, talvez pelas desilusões, estão cansados de caminhar.

Comunidades da diocese não estejam desiludidas, porque as bocas, os pés e as mãos, destes jovens, são a evidência do vento que sopra. Vamos lá a isso, Jesus está aqui!

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 10, 2012

AMAR A IGREJA

Amamos a Igreja tal como é, com os seus erros, nós os cometemos, com a sua santidade. Amamos esta Igreja Cristã, até damos a nossa vida por ela. Não estamos fora, mas dentro, como corresponsáveis por tudo o que nela acontece. A Igreja somos todos nós, por isso está adstrita a tantos artigos de um Direito Canónico, que muitas vezes, como todas as leis, foge do amor de Deus. Mesmo assim, é a Igreja de Jesus, o Ressuscitado, aquele que não abandona ninguém, e está sempre no Templo do Espírito Santo, que é cada homem e cada mulher.

No Pentecostes lembramo-nos da Maria (nome fictício), 42 anos, divorciada, porque o seu marido assim quis, cheia de fé em Jesus, no Deus incarnado, e que mandou atirar aquele que estivesse sem pecado, pedras a uma mulher. Ninguém o fez, foram-se embora e Jesus abençoou a mulher, e mandou-a em Paz, na sua Paz. Mas Maria, não é prostituta, e se o fosse o Senhor faria o mesmo. Ela é uma mulher, cheia de fé em Maria, a mãe de Deus e nossa mãe.

De repente Maria apela nas redes sociais para uma situação que vive na carne. Não era crismada, mas preparou-se para o ser, sente uma necessidade infinita de o ser, está convicta deste ato, e no desespero grita, porque o Sr. Padre da sua Paróquia não permite o seu crisma. E Maria ainda afirma, amar esta Igreja, estar nela, embora o desgosto no seu coração, e pergunta ao mundo, então que fazer. Muitos comentários nesta rede social, de vários matizes, perante alguém que cumprindo a lei diz não, a uma fé em Jesus!

Maria, pertence a uma diocese deste Portugal (não, não é a do Porto), onde o preceito não conseguiu falar para uma pessoa de hoje. Se fosse Jesus, o que faria? Perante uma Maria banhada em lágrimas, que roga o crisma? Está faminta deste sacramento e reza para que os homens desta Igreja, compreendam que Jesus não condena, mas Ama. O grito de Maria é muito sério, é o de muitas Marias, e Maneis também, prontos a dar tudo o que possuem ao seu Jesus, mas que esbarram nas leis que nós, os cristãos, fizemos.

A Nova Evangelização, este Ano da Fé, que vamos viver, deverá ter, também, uma resposta para a Porta que Jesus abre a toda a humanidade, e a Maria também. Porque, Senhor Jesus, nos arreigamos tanto aos preceitos, e não conseguimos discernir que o Espírito Santo, atua como e onde quer? Quem seremos nós para entender, como queremos, o sopro do Espírito Santo?

Entretanto Maria não foi crismada, mas a sua fé, vai mover montanhas, porque para além das leis que estabelecemos, uma linguagem que as pessoas já não entendem, continua firme, muito firme, na sua convicção, para servir o Senhor, com crisma ou sem ele.

Dá que pensar, não dá?

Joaquim Armindo