Artigo escrito por Joaquim Armindo, no jornal Voz Portucalense

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COMPANHEIROS

Jesus quando da última ceia com os seus companheiros, pegou no pão, abençoou-o, partiu-o e deu-o, aos seus companheiros, e com o vinho fez o mesmo. Ele deu a Vida!

Por isso a palavra “companheiro”, tem um significado extremamente importante, companheiro é aquele que está comigo, e com os outros, aquele que dá a Vida, aquele que parte o pão e o come, juntamente com as mulheres e os homens, aquele que faz dos problemas dos outros, os seus próprios. Jesus fez isso, deu a Vida, neste gesto do partir do pão, elemento essencial à vida. Dizia o cónego Rui Osório, na homília de domingo, que quando há anos, um pouco de pão caía no chão, nós apanhávamos, beijávamos e comíamos, ícone mais lindo e belo, do que é comer à mesma mesa, do mesmo pão, e vinho, porque isso é dar a Vida.

Estamos numa economia que não conhece este ser companheiro, vivemos numa humanidade que colocou o mito de origem de Adão e Eva, e o jardim paradisíaco, nas antípodas do viver e da vida. Preocupamo-nos em estabelecer tantas relações com orçamentos, défices, exportações, importações, ativos fixos tangíveis e intangíveis, palavras e correlações, servidoras de problemas, quando a solução é bem mais simples. Estamos numa crise, dizem, sem precedentes, com bancos na falência, com poupanças e menos poupanças, com milhões, que já não sabemos o que valem, e, até, com os mais ricos a dizerem que o não querem ser. Os mercados do dinheiro, com as correrias do ganhar mais por minutos, do ter, do receber dinheiro, euros ou dólares, que nem sequer perscrutamos a Vida. Não somos capazes de ouvir as marés, os ventos e cheirar as flores, porque na azáfama das Bolsas, se esvai a nossa alegria de viver.

Estamos confundidos, totalmente confusos, porque nos falta este gesto do partir do pão e do vinho, alimentos imprescindíveis, com os nossos companheiros. E a nossa mesa já é uma roleta dos mercados cambiais! O gesto simples de Jesus, de dar o pão e o vinho, de compartilhar, é a eucaristia da nossa Vida, o chamamento das cristãs e dos cristão, de todas as religiões e dos de boa vontade, e sermos os companheiros na Vida, vivida e sentida. E este não é um sonho, mas a perenidade da Vida em Jesus. É preciso dizer não, a quantos subjugam a Vida, aos ditames dos euros e dos dólares e das correrias sem sentido. Sejamos Companheiros!

Joaquim Armindo

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