Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, da autoria de Joaquim Armindo

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INDIFERENÇA

Vivemos um ano grande de começo, o ano 2010, em que existiu uma movimentação substantiva de muitas comunidades, aqui na Diocese do Porto. É certo, porém, que uma parte das comunidades não se movimentou, para o Ano da Missão.  Em outras foi muito ténue, mas ficou a energia de uns tantos. O ano de 2011 não apareceu como tal, sentimos uma ausência e comodismo. Sabemos as grandes aspirações, mercê de avaliação realizada, a família e a juventude. Confesso que vivi com esperança que na “crise”, ousássemos ser mais criativos e mais dependentes do Evangelho. Sinto comodismo, quase indiferença das nossas comunidades, em enfrentar o desafio dos sinais dos tempos. Sou de certeza culpado, porque pertenço à sociedade e estou em Igreja, mas permitam-me, já agora, indignado.

Começo a pensar no que faria Jesus, aqui, onde uma parte da população está a sofrer os ditames do poderio económico e financeiro. Não seria que neste país das naus catrinetas, pegaria num “chicote” e daria umas valentes palmadas, na indiferença das nossas comunidades perante tudo o que se passa? Podem dizer-me, que não é bem verdade, estamos em campo a acudir, como bombeiros, aqui a ali, milhares de voluntários dão muito de si para acorrer à situação dramática, os nossos bispos denunciam e o Bispo do Porto, não se cansa de em todos os lugares exortar a que a solidariedade permaneça e se robusteça. Tudo isso é verdade! Seria catastrófico e injusto não reconhecerem o valor da atividade da igreja, da nossa atividade.

Mas, quando olho para todos os lados, aparece indiferença, perante o Pão Vivo e a Água Viva, perante aquela Água que não é do poço de Jacob. Quantas pessoas e organizações o fazem, e não são sequer crentes, com o maior amor de si mesma, para isso não é necessário ser cristão ou cristã. Basta ter Boa Vontade, e muitos existem a quem temos de nos curvar com muita humildade.

Mas o que interessa, sobretudo, é o caminho para outra cidade, onde não haverá necessidade de mais sede, nem fome, porque Jesus tem essa Água Viva. E isso começa por cada um de nós, na atividade da vida, no Amor que damos, e ninguém dá aquilo que não tem. Este Amor que é gratuito, não interesseiro, por isso não está à espera da Vida Eterna, é o único capaz de ser totalmente eficaz, de derrubar todos os muros.  Sinto que na nossa Diocese, a par de um potencial, puxado pelo nosso Bispo, existe, porém, a indiferença de muitos e muitos cristãos, a denotar uma iniciação cristã desbotada e sem cor. Figueiras sem fruto! E mesmo muitos responsáveis, de cada Paróquia dão-se por vencidos, perante uma sociedade consumista, que só tem tempo para Deus, quando dele necessita. Deus não conhece o tempo, nem o espaço, para nós, porque está sempre connosco! Os sinais da necessidade de missionários estão bem dentro das nossas portas, embora acredite que mesmo pobres neste domínio, e por isso mesmo, poderemos contribuir para outras paragens. Mas a nossa é urgente, e começa na Diocese do Porto, nas Igrejas, nas pessoas, e isto é Missão contra a indiferença, seja de que for, pela Nova Evangelização.

Joaquim Armindo

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