Artigo de Joaquim Armindo, publicado no “Voz Portucalense”

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(IN)SUCESSO

 

As palavras são aquilo que vamos fazendo delas, deturpando a sua semântica, mas ordenando-as como expressões correntes, e estas é que contam. Está neste caso a palavra “sucesso”, normalmente lida como “boa” para uns, e “má” para outros. Uma empresa que tem sucesso, é liquidatária de uma outra, a concorrencial. Uma pessoa que tem sucesso, pode ser o insucesso de outra. Um país com sucesso, pode ser à custa de outro. O que aí pulula é isto mesmo, para haver sucesso, tenho de esmagar o outro. O sucesso e o insucesso juntam-se para destinatários diferentes. O sucesso, como entendível hoje, é inevitavelmente o insucesso. Mas ninguém pode ter sucesso, com o insucesso de outrem. É uma inevitabilidade que o “homem de sucesso”, traz a tristeza agarrada na sua vida. Teremos eleições no domingo, e significa que o “ganhar” é o sucesso, mas este tipo de considerações não faz o Uno ser Múltiplo, assim não existe unidade na multiplicidade das ideias e opiniões, o que gera descrença, muito ódio e desfaz a sociedade, como pólo de confronto (multiplicidade), saudável (unidade), para um fim comum: o bem da humanidade e uma nova ordem, baseada nos valores e consequente na sua missão. Não que este texto tenha por fim analisar os valores, mas colocar o “sucesso” na estreita margem em que se move.

Jesus lutou por uma causa, pela nova Criação, baseada no Amor, e foi morto, se fosse hoje seria com balas ou na cadeira eléctrica, mas teve “sucesso” ou “insucesso”? Fez da sua vida um contraponto religioso, cultural, económico e até político. Jesus morto, não conseguiu vencer, por isso teria “insucesso”, tinha as suas ideias, o seu modo de ser, queria uma “terra onde mana leite e mel”, e por isso é morto. Falhou! Ainda por cima clamou: “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste!”, até o Pai, abandonou o Filho, é um insucesso completo, porque Jesus não esmagou ninguém, esmagou-se a Ele próprio para dar a Vida a favor de todos. Por isso é legitimo perguntar se teve “sucesso ou insucesso”.

O uso da palavra (in) sucesso, hoje, traduz, na generalidade, que “vencemos” o outro (tu), de quem dependemos (eu). Não existe um sem o outro, não são independentes, mas complementares (o Uno e o Múltiplo, do filósofo Padre Fragata). Ninguém vence, tem sucesso, se o outro por via disso é infeliz, não tem sucesso. Os cristãos não devem querer este “sucesso”, mas a doação da Vida a favor dos outros, e então são abençoados, como mulheres e homens fazedores da Paz e da Justiça.

 

Joaquim Armindo

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