Política: Pré-campanha eleitoral está a prejudicar futuro de Portugal, diz Comissão Nacional Justiça e Paz

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Ambiente de «crispação» impede partidos políticos de se ocuparem do «importante», sublinha Alfredo Bruto da Costa

D.R.

Lisboa, 19 mai 2011 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), Alfredo Bruto da Costa, considera que os ataques entre partidos na pré-campanha eleitoral podem impedir a resolução dos principais problemas de Portugal.

“O passado longínquo e recente ainda não libertou os principais partidos, especialmente PS e PSD, de uma crispação que os impede de serem suficientemente livres para se ocuparem do que é realmente importante para a vida da sociedade”, afirmou hoje o responsável à Agência ECCLESIA.

Referindo-se ao decorrer da pré-campanha para as eleições legislativas, Bruto da Costa sublinhou que os “ataques recíprocos não só gastam muito tempo da campanha como criam uma estrutura de pensamento e de campanha perfeitamente lateral”.

“Tem de haver um golpe de rins de todos os partidos, sobretudo dos dois principais, no sentido de perceberem que o bem comum do país implica que haja uma convergência”, frisou o professor universitário em áreas de política social.

No entender de Bruto da Costa, “o ideal seria os partidos pensarem o que é o bem comum neste momento da história do país”, para que depois da votação, “seja qual for o seu resultado, haja condições psicológicas para os consensos necessários”, através de “coligações” ou “acordos de incidência parlamentar”.

Alguns dirigentes partidários anunciaram durante a pré-campanha que se opõem a determinadas coligações, uma opção que tem sido “exatamente o contrário” das teses defendidas pelo membro do Comité Europeu dos Direitos Sociais do Conselho de Europa.

Alfredo Bruto da Costa recordou a distinção “entre os partidos e os seus líderes” para ressaltar que as alianças agora inviabilizadas poderão tornar-se realidade após 5 de junho.

“Não sabemos quais os dirigentes que vão continuar nesses cargos, em função dos resultados das eleições, pelo que depois dessas eventuais mudanças poderá surgir uma maior facilidade de entendimentos, que agora parecem impossíveis”, assinalou.

O responsável considera que a campanha eleitoral constitui uma oportunidade para a discussão de temas que não foram abrangidos pelo acordo entre Portugal e a equipa do Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Europeia.

“Há muita matéria importante para que os partidos apresentem a sua originalidade”, realçou Bruto da Costa, que deu como exemplo a intervenção do Estado na sociedade, a proteção social, as privatizações e as parcerias público-privadas.

Os líderes partidários podem ainda explicar como vão executar as medidas incluídas no acordo com a ‘troika’, “designadamente no sentido de minorar os aspetos negativos que ele terá na sua execução, como a austeridade e o sofrimento que muitas pessoas muito provavelmente terão”, referiu o presidente da CNJP, organismo da Igreja Católica.

O antigo ministro dos Assuntos Sociais ainda não estudou o memorando de entendimento em profundidade, mas receia que as pessoas “que estão melhor fiquem mais resguardados das mudanças”.

“Há uma certa maneira de pensar a economia, que não é a minha, que por vezes parece oferecer argumentos para que as desigualdades se mantenham e agravem, ao mesmo tempo que certos custos, a suportar preferencialmente por quem tem mais, sejam normalmente pagos pelas classes médias ou por quem têm menos”, salientou.

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