Ainda à Noite, Poesia Portuguesa: Francisco Rodrigues Lobo

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Cantigas coimbrãs


Mancebo do prado,
Não tragas espada,
Porque onde há tais olhos
Para que são armas?

Mancebinho louro,
Andai descoberto,
Tomareis mil almas
No vosso cabelo.

Tornai-me meus olhos,
Mancebo do verde,
Que andam trás de vós
E não sabeis deles.

Tornai-me meus olhos,
Mancebo do roxo,
Que vão da minha alma
Para o vosso rosto.

Não quero ser dama
Do dos olhos brancos,
Que tem mil amores
E nenhum cuidado.

Não quero ser dama
Do dos olhos negros,
Que tem mil amores
E nenhum segredo.

Vinde-vos, meus olhos,
Vinde-vos da serra,
Não vos queime o sol
Que vos tem inveja.

Pois fiquei na serra,
Vinde-vos do campo,
Quequem ama muito
Não espera tanto.

Fora-se o meu damo
A lavrar no monte,
Quero-me ir com ele,
Não venha de noite.

Fora-se o meu damo
A gradar no vale,
Quero-me ir trás ele,
Que outrém não lhe agrade.

Lume dos meus olhos,
Se fores à vila
Levai-me nos vossos,
Vireis mais asinha.

Pois ides à vila
Ninguém vos contente,
Que os rostos toucados
Muitas vezes mentem.

Francisco Rodrigues Lobo

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