Economia: Jorge Bateira, no Ladrões de Bicicletas

by

Quem é que os vai derrubar?

“Este grupo de políticos tem em comum o entusiasmo que não consegue inspirar nos eleitores dos seus países respectivos. Não parecem acreditar com grande firmeza em qualquer conjunto coerente de princípios ou políticas. …

Beneficiários dos Estados-providência que põem em causa, eles são todos filhos de Thatcher: políticos que superintenderam ao recuo nas ambições dos seus antecessores …

Convencidos de que pouco podem fazer, pouco fazem. Deles o melhor que pode ser dito, como tantas vezes sucede com a geração baby boom, é que não defendem nada em particular: políticos light.

Já sem confiança em pessoas assim, perdemos a fé não só nos deputados e congressistas, mas no próprio parlamento e no congresso. Nessas alturas o instinto popular ou é ‘mandar os malandros para a rua’ ou então deixar que façam o pior. Nenhuma das reacções é promissora: não sabemos como mandá-los para a rua, e já não nos podemos dar ao luxo de deixá-los fazer o seu pior. Uma terceira reacção – ‘derrubar o sistema’ – é desacreditada pela sua inanidade intrínseca: que partes de que sistema, e a favor de que sistema substituto? De qualquer maneira, quem é que o vai derrubar?” (Tony Judt, Um tratado sobre os nossos actuais descontentamentos, Edições 70; p.133-4).

Se os partidos do chamado “arco da governação” – aqueles que até hoje nos desgovernaram ocupando a Administração do Estado para proveito próprio e dos amigos dos negócios – estão a preparar-se para um entendimento pós-eleitoral, para um «governo de pilhagem partilhada», então não podemos fugir à questão que preocupa Tony Judt: quem é que vai derrubar este sistema predador?

Para mim, a resposta é a formação de um movimento «Convergência e Alternativa» que se apresente às próximas eleições com uma política de relançamento do crescimento da economia, em alternativa à política depressiva dos PECs.

Em seminários de trabalho, eventualmente com o apoio de economistas estrangeiros a convidar, os economistas do PCP, do BE e independentes,(1) fariam um esforço de concretização de uma política económica exequível que, distribuindo com justiça os sacrifícios que forem inevitáveis, evite o desastre financeiro, económico e social que um «governo de pilhagem partilhada» nos vai apresentar como inevitável e merecedor da nossa resignação. Esse esforço de convergência deveria culminar com a candidatura unitária «Convergência e Alternativa».

Será pedir demasiado? No estado em que nos encontramos, fazer este esforço de convergência é um imperativo moral. A última palavra pertence ao PCP e ao BE já que independentes não faltam para dar um contributo desinteressado. A começar por mim.

(1) E os militantes do PS desiludidos com a sua actual orientação.

Uma resposta to “Economia: Jorge Bateira, no Ladrões de Bicicletas”

  1. Zé da Burra O Alentejano Says:

    Eleições: nova maioria / Novo Governo
    Aproximam-se novas eleições que irão ditar o rumo que Portugal irá tomar para enfentar a crise criada pelos políticos e economistas do sistema. Foram pouco séries ou erraram todos nas suas previsões. E agora tudo se perfila para que voltem a ganhar os mesmos que se têm alternado no poder desde há 30 anos. Os meios de informação “opinion maker” têm a máxima responsabilidade na formação da opinião pública que se irá formar e, em consequência, no resultado eleitoral. Se repararem, as únicas soluções apresentadas pelos meios de informação mais importantes (em especial a televisão) são as do PS/PSD, quem apontam para um maior aperto de cinto sempre e apenas dos mesmos, com retirada de direitos adquiridos na saúde, educação, apoio no desemprego, redução dos salários e das reformas, aumento da idade da reformas (que etc…). Qualquer aumento da comparticipação das Empresas que mais lucram neste país fica sempre excluída, por exemplo da criação de um imposto suplementar sobre os lucros dessas Empresas, que até foram privatizadas a preços simbólicos e hoje dão muitos milhões de lucros para os seus acionistas. As entidades que lucraram com a situação que levou ao despoletar da crise também ficam salvaguardadas. Todos os partidos situados à esquerda do PS são silenciados e não será por puro acaso. Nem sequer se leva em linha de conta o grande aumento de votação num partido como o Bloco de Esquerda. Porque têm medo de apresentar aos portugueses o confronto das soluções dos partidos do sistema (PS/PSD/CDS) com as dos partido à esquerda do PS? Depois existem as sondagens de intenção de voto que orientam o voto aos mais indecisos, favorecendo os partidos que as sondagens apontam como vencedores e que depois nunca são tão vencedores como as sondagens indicavam, levando a suspeitar que essas sondagens também não são imparciais. As sondagens deveriam ser proibídas e são-nos em alguns países, porque dão orientação de voto ao eleitorado, o que adultera a democracia.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: