Àinda à Noite, Poesia: Florbela Espanca

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In memoriam


		Ao meu morto querido


Na cidade de Assis, «il Poverello»
Santo, três vezes santo, andou pregando
Que o Sol, a Terra, a flor, o rocio brando,
Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo,
Tudo era nosso irmão! - E assim sonhando,
Pelas estradas da Umbria foi forjando
Da cadeia do amor o maior elo!

«Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água...»
Ah! Poverello! Em mim, essa lição
Perdeu-se como vela e mar de mágoa

Batida por furiosos vendavais!
- Eu fui na vida a irmã de um só Irmão,
E já não sou a irmã de ninguém mais!

Florbela Espanca, Charneca em Flor (1930)

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