Água Viva, Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

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ÁGUA VIVA

A esposa de Manuel Ribas

 

O Sr. Manuel Ribas, meu sogro, faleceu há trinta e quatro anos. Foi um dos mais ilustres jornalistas do Porto, exemplo de verticalidade e honestidade, tendo sido chefe de redação do Comércio do Porto, nos tempos áureos. A sua esposa, Emília Ribas, minha sogra, faleceu a semana passada, sendo sepultada na mesma campa do marido.

Seria uma história igual a tantas outras, que nunca são divulgadas, em detrimento das notícias que pululam nos média, mas que possuem um cariz que deve ser conhecido. Maria Emília Ribas, estava numa cadeira de rodas, com a companhia dos filhos, mas tinha um interesse especial na Missão 2010, não porque a conhecesse, mas no silêncio da sua dor e agonia, estava atenta aos sinais do mundo, por isso rezava. Não era de queixas, preocupada em não estorvar ninguém, rezava no silêncio do seu coração, esta era a grande missão que tinha agora na vida, rezar por todos, não esquecer ninguém, e o terço que levou para a cova, trazido do Brasil, era o seu trabalho diário. Para além da alegria que manifestava a todos os que se abeiravam dela, ainda cantava “a minha alegre casinha…”, ou estava horas ao telemóvel, que já não conseguia segurar nas mãos na fase final, sabendo das dificuldades e contagiando os que a ouviam com um som alegre, dum riso de esperança, duma força inimaginável, essa mesma que esteve sempre por trás do jornalista reconhecido pelos portuenses Manuel Ribas.

Nesta altura que falamos dos frágeis, dos débeis, dos doentes, não podemos esquecer exemplos destes, que no recôndito da sua debilidade, são Igreja, fazem-na, dão-lhe substancia, testemunham Jesus, e têm tempo para rezar, para falar com o Senhor, coisa que a grande maioria não faz, por isso mesmo, “não ter tempo”. A pessoa de Emília Ribas, e todos os outros que selvaticamente são esquecidos, por uma sociedade preocupada com as “crises”, são uma presença de Deus no meio da humanidade, porque se dão, mesmo nas suas fraquezas, na Fé do Ressuscitado.

 

Joaquim Armindo

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