Ainda à Noite: Poesia de ALBERTO DE SERPA (1906-1992)

by

Mar Morto

A noite caiu sobre o cais, sobre o mar, sobre mim…

As ondas fracas, contra o molhe, são vozes calmas de afogados.

O luar marca uma estrada clara e macia nas águas,

mas os barcos que saem podem procurar mais noite,

e com as suas luzes vão pôr mais estrelas além …

O vento foi para outros cais levar o medo,

e as mulheres, que vêm dizer adeus e cantar,

hoje sabem canções com mais esperança,

canções mais fortes que a ressaca,

canções sem pausas onde passe uma sombra da morte…

Velhos marítimos — a terra é já a sua terra —

olham o mar mais distante e têm maior saudade…

Pára o rumor duns remos…

Não vão mais às estrelas as canções com noite, amor e morte…

Penso em todos os que foram e andam no mar,

em todos os que ficam e andam no mar também …

E a luz do farol, lá longe, diz talvez…

 

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