Ainda à Noite, Poesia Portuguesa: AL BERTO [RAPOSO PIDWELL TAVARES]

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REGRESSO À FUGA

 

a noite de escuros voos apanhou-me

com a cabeça acesa numa teia de tinta

é sempre uma mentira existir

fora daquilo que está no fundo de mim

abro

o livro das visões

e uma cidade são todas as cidades trituradas

na memória calcinada do homem nómada

 

canto

ó resplandecentes águas ó murmúrio quieto

das areias

um pulso que se abre e estremece violento

ó dor da árvore ó surdo ruído do coração

onde a seiva das bocas brilha derramando-se

sobre o corpo

que na asa do migrante pássaro navega

ávido de mundo e desolação.

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