Archive for Setembro, 2010

Ainda hoje: ouvindo música romântica

Setembro 30, 2010

Artigo de Jorge Bateira, no ladrões de bicicletas

Setembro 30, 2010

A caminho da destruição do euro?

Milhões de portugueses viram e ouviram ontem à noite nas televisões os formatadores de opinião com lugar cativo nos media – que tenho designado de “comentadores da economia doméstica” – dizer que estas medidas de austeridade eram inevitáveis porque os mercados assim o exigiam. Caso contrário, deixariam de nos comprar a dívida pública.

E para dar mais força ao argumento, diziam: “ponham os olhos na Espanha que não deixou apodrecer a situação e cortou a despesa logo em Maio. Agora pagam taxas bem inferiores às nossas.” E parecia que tinham razão.

Mas não tinham. Como temos explicado no Ladrões (mais recentemente aqui e aqui), quer a boa teoria económica – aquela que deixa a realidade questionar os seus pressupostos e as causalidades que propõe – quer a trajectória recente dos países do euro que aplicaram a política económica do FMI, dizem-nos que políticas de austeridade em períodos de recessão são contraproducentes, sobretudo quando não podem ser apoiadas por desvalorizações competitivas.

Ou seja, os países do euro que adoptaram a austeridade continuam a apresentar “fracas perspectivas de crescimento”, o que aliás levou a uma recente queda da notação da dívida irlandesa. Em consequência, a Irlanda já está outra vez a pagar juros proibitivos. Mas foi para acalmar estas agências que o governo da Irlanda tinha reduzido os salários dos funcionários públicos por duas vezes num total de mais de 20%.

Pois bem, a Espanha acaba de saber que também está na mesma espiral recessiva da Grécia, Hungria, países do Báltico e Irlanda. Hoje no Público (electrónico): “a agência de notação financeira (rating) Moodys baixou hoje a nota da Espanha em um nível devido às fracas perspectivas de crescimento económico, adiantando que a recuperação dos sectores de construção e imobiliário vai demorar vários anos.”

Recordo que a Espanha é o maior destino das nossas exportações.

Apesar da esmagadora propaganda que a SIC e a TVI fazem quanto à necessidade desta política, mais tarde ou mais cedo a maioria dos portugueses vai perceber que Portugal entrou numa espiral recessiva: em finais de 2011 teremos muito mais desemprego, um défice público que resiste à descida e uma dívida pública ainda maior. E mesmo com um orçamento aprovado/tolerado pelo PSD, as agências acabarão por dizer que o país tem “fracas perspectivas de crescimento económico” e decretarão que a dívida pública portuguesa é “lixo”.

E o Banco Central Europeu não terá outro remédio senão continuar a financiar os bancos portugueses, e os dos restantes países em dificuldades, enquanto a Alemanha não decidir mudar de orientação ou … acabar com o euro. Sim, este caminho foi uma decisão política da Alemanha. Recusou uma política expansionista de relançamento coordenado da economia europeia e entregou a nossa sorte aos humores das agências financeiras.

Paul De Grauwe, professor na universidade de Lovaina e especialista de economia europeia, explica tudo (aqui e aqui).

O problema é que em Portugal a esmagadora maioria dos actores políticos não sabe e/ou não quer ver. E, como se sabe, o pior cego é o que não quer ver. Até quando teremos de esperar por uma alternativa política?

PS: Sugiro aos nossos leitores que gravem os vídeos dos debates de ontem à noite e os revejam em finais de Janeiro do próximo ano.

À noite: ouvindo António Ferreira dos Santos

Setembro 30, 2010

D. Manuel Clemente defende Estado «de todos para todos»

Setembro 30, 2010

Causas da crise devem ser procuradas em razões mais profundas, diz Bispo do Porto

D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, defendeu a necessidade de se promover um “melhor Estado”, cada vez mais “de todos para todos, na promoção e motivação de cada um”.

O prelado falava num encontro promovido pelo Fórum para a Liberdade de Educação, intitulado “Humanidades, Ciência e Religião: Educar porquê e para quê?”, em Coimbra, a 29 de Setembro.

Segundo o Bispo do Porto, “não deve estar em causa o lugar e o papel do Estado como primeiro responsável do bem comum de cada povo”, mas “parece necessário retomá-lo de modo mais aberto, na relação internacional e intercultural”.

“Reconheceu-se geralmente que, na «crise» sobrevinda, os Estados, mesmo os mais fortes, revelaram grandes limitações na capacidade de prever e tutelar a actividade financeira e não só”, recordou.

D. Manuel Clemente espera, por isso, um “acolhimento e estímulo da colaboração dos corpos intermédios (famílias e instituições não públicas), dentro dos princípios que as declarações universais têm afirmado quanto aos direitos humanos a promover”.

A “crise”, admite o prelado, “sentiu-se mais no campo financeiro, mas rapidamente alastrou à economia e à sociedade em geral, repercutindo-se na vida das famílias, tão atingidas por inesperadas restrições do crédito ou perdas de emprego”.

Neste contexto, o Bispo do Porto defende a importância de procurar “razões mais profundas, como são sempre as que se referem às pessoas e aos valores que as sustentam ou não: pessoas particulares, certamente, mas também públicas e administrativas, que pouco farão fora dos sentimentos gerais”.

D. Manuel Clemente lamenta que Estados e instituições hesitem “quanto ao lugar da religião – ou das religiões – no âmbito não individual, familiar ou confessional”.

“O verdadeiro desenvolvimento, como cabal e progressiva realização das inestimáveis capacidades humanas, só pode acontecer a partir da oferta de pessoas e grupos, no que tenham de mais mobilizador e sugestivo”, defende.

A intervenção do Bispo do Porto assinalou ainda que “cada aluno – como cada professor que continua sendo aluno – parte do que recebeu duma herança cultural e colectiva, que antes de mais deve conhecer no essencial dos diversos campos em que se manifesta”.

“A partir daqui, progredirá por si e com os outros, e tanto mais quanto crescer em humanidade e serviço”, observa.

A arte da tumulária nas Igrejas de Lisboa

Setembro 30, 2010

O Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa promove, dia 23 de Outubro, um itinerário pela arte da tumulária nas Igrejas de Lisboa que será conduzido por António Filipe Pimentel e Paulo Dias

A presente proposta temática constitui uma novidade, no âmbito da programação cultural do Patriarcado de Lisboa e é uma “oportunidade única para conhecer e explorar de perto a especificidade da Arte da Tumular”.

Na sua 7ª edição, os Itinerários Temáticos em Igrejas de Lisboa constituem, desde 2007, uma das ofertas culturais e formativas relevância do Patriarcado de Lisboa.

Com início no mosteiro de São Vicente de Fora, o programa tem a duração de um dia e inclui, durante a manhã, uma conferência, visitas guiadas e almoço e, durante a tarde, três itinerários a igrejas de Lisboa, representativas da temática proposta.

PROGRAMA
10:15h – Recepção dos participantes (Salão Nobre)
10:30h – Abertura
10:45h – «Tumularia de Lisboa: luzes, sombras e questões» por António Filipe Pimentel
11:45 h – Intervalo
12:00 h – Visitas guiadas em S. Vicente de Fora, por Paulo Dias
Panteão dos Bragança, Panteão dos Patriarcas, Capela dos Meninos de Palhavã
13:00 h – Almoço no Mosteiro de S. Vicente de Fora
14:30 h – Saída
15:00 h – Visita guiada à Sé de Lisboa
16:00 h – Visita guiada à Igreja de Santa Maria de Belém
17:00 h – Visita guiada à Basílica da Estrela
17:30 h – Regresso ao Patriarcado de Lisboa

Mais informações no Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa

«Ecce Homo» sobre «Esperança: Mortes cheias de vida!»

Setembro 30, 2010

O Projecto «Ecce Homo – Eis o Homem», proposto pelo Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, para uma reflexão sobre as várias dimensões da condição humana, retoma-se a partir do dia 20 de Outubro, no seu primeiro ciclo de realizações para este ano pastoral

Assumido e dinamizado pelo Secretariado Diocesano da Cultura, pela Universidade Católica e pela Pastoral Universitária da Diocese, tem lugar sempre à quarta-feira, na sede da Associação Católica do Porto,

Este ciclo, integrado no tema da Missão Diocesana para Outubro, que é a Esperança, é designado: «Esperança: Mortes cheias de vida!»

As três sessões habituais de cada ciclo têm as seguintes datas, temas e participantes:

1) Uma Leitura da Spe Salvi, 20 de Outubro, sendo orador D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga, Moderadora Maria Manuela Brito, com um Interlúdio Musical por Joana Moreira (Piano) e Fernando Costa (Violoncelo).

2) Uma leitura poética, 27 Outubro, com Fernando Echevarría, Moderadora Paula Coutinho, e Interlúdio Musical pelo Coro do Departamento de Música da Escola de Artes (UCP).

3) Uma leitura sobre o morrer hoje, dia 3 Novembro, com o Padre José Nuno Ferreira da Silva, Moderadora Maria do Rosário Rodrigues, e com um Interlúdio Musical pelo Coro Anonymus.

E hoje? Solidariedade

Setembro 30, 2010

Por uma Nova Ordem Internacional

Setembro 30, 2010

Continuando…ouvindo João Afonso

Setembro 30, 2010

Defender a Natureza: o canto dos pássaros

Setembro 30, 2010

À quinta, um livro: Justiça Fiscal, de Saldanha Sanches

Setembro 30, 2010

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Ainda hoje: Canto Gregoriano

Setembro 29, 2010

Catarina Furtado discursa para uma assembleia de jovens e líderes mundiais

Setembro 29, 2010

A Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População fez uma intervenção onde falou sobre Jovens, Paz e Desenvolvimento, por ocasião do Dia Internacional da Paz.

Catarina Furtado e o Secretário-Geral Ban Ki-moon
Nações Unidas

catarina-furtado-e-o-secretario-geral-ban-ki-moon

Catarina Furtado, a Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População, encontra-se em Nova Iorque a participar nas iniciativas da Cimeira do Milénio. A apresentadora foi convidada pelo Secretário-geral das Nações Unidas, Ban-Ki-Moon, para estar presente na sede das Nações Unidas e fazer uma intervenção por ocasião das celebrações do Dia Internacional da Paz.

Catarina discursou para uma assembleia de 500 jovens e líderes mundiais sobre “Jovens, Paz e Desenvolvimento no contexto do ODM”. A embaixadora ficará em Nova Iorque até dia 23 de setembro, onde terá um almoço com o Secretário-geral e reunirá com vários responsáveis das Nações Unidas. A visita de Catarina Furtado culmina com a Gala de Encerramento da Cimeira.

Goedele Liekens, Catarina Furtado, o Secretário-Geral Ban Ki-moon com a mulher, Yoo Soon-taek, Yuna Kim e Midori Goto
Nações Unidas

Goedele Liekens, Catarina Furtado, o Secretário-Geral Ban Ki-moon com a mulher, Yoo Soon-taek, Yuna Kim e Midori Goto

Abaixo, leia o discurso de Catarina Furtado na íntegra:

“Estamos em contagem decrescente… a dois terços do tempo que separa a assinatura dos compromissos que substanciam os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio feita no ano 2000 e o prazo dado para o seu cumprimento, o ano 2015.

Tenho, no terreno, os mesmos anos de idade que os ODM e por isso entendo bem porque é preciso estabelecer ou impor prazos para que as coisas chocantes tenham um fim, ou uma redução à vista.

Gostava muito de vos poder contar tudo, o que tenho visto, ouvido e sentido ao longo destes dez anos a trabalhar enquanto Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População. Mas não consigo porque há realidades que calam as palavras. Preciso no entanto que entendam o quão importantes são, cada um de vocês, nesta Aldeia Global em que vivemos, uns mais privilegiados que outros, mas todos fundamentais para ajudar a contrariar o bater desigual e injusto do Mundo.

Ao visitar, por diversas vezes Moçambique, Guiné-Bissau , Timor Leste, Indonésia, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde tenho conhecido tantos e tão especiais jovens, com a vossa idade que não têm mesmo nada, muitos, apenas sentem fome e uma vontade indescritível de não deixar morrer as suas pessoas, e os seus países. Não sei de onde lhes chega a força mas dou por mim a pensar que tem de chegar obrigatoriamente de nós. Nós podemos ajudar a que compromissos se assinem e se ponham em prática.

Podemos falar tão alto que a voz se transforme num ultimato para que a humanidade proteja aqueles que são sempre os mais discriminados: as mulheres, crianças e jovens dos países em desenvolvimento, sobretudo os que vivem em situação de conflito ou pós-conflito como na Guiné-Bissau, onde tenho acompanhado o trabalho do UNFPA e da Cooperação Portuguesa sobre o ODM 5: Melhorar a saúde materna, reduzindo a mortalidade materna e neonatal em 75% e promover o acesso a cuidados de saúde reprodutiva.

O que tenho visto não faz sentido nenhum: raparigas da vossa idade já casadas há muito tempo com homens de mais de 60 anos só porque sim; meninas da vossa idade já com duas gravidezes, umas forçadas, outras porque nunca ninguém lhes explicou nada… são raparigas, não têm esse direito, o direito a saber, a estar informadas, a decidir ; meninas, raparigas, mães que perdem automaticamente a oportunidade de irem à escola assim que engravidam e dão de caras com um portão de grades a fechar-se à frente do seu futuro; crianças, meninas e raparigas violentadas para sempre depois de serem sujeitas a uma mutilação genital feminina só porque a tradição assim o impõe, sendo que a tradição e os valores culturais podem salvar vidas se forem bem orientados; mulheres que se habituaram, numa dor silenciosa, a contar o número de filhos mortos e por isso continuam a engravidar em condições miseráveis sem acesso à contraceção ou ao planeamento familiar cuja existência desconhecem; mulheres mães a quem nunca ninguém fez uma consulta de saúde sexual e reprodutiva e que por isso, contaminadas pelo vírus da Sida, tantas vezes trazido pelos maridos, transmitem aos seus bebés, quando poderia ser tão facilmente evitável através dos testes e de medicamentos; meninas e mulheres que morrem a dar à luz todos dias quando, num país como o meu e como o vosso, isso é hoje impensável e faria abertura de telejornal para além de um inquérito parlamentar.

São aos milhares e eu vi muitas fecharem os olhos ao pé de mim ou porque não havia uma ambulância, ou porque não havia eletricidade ou porque chegaram tarde ao hospital já que a maior parte das vezes é o marido ou a família quem decide.

Vi, e não esqueço a menina de 12 anos, com corpo de oito, que às costas trazia o irmão de meses e enquanto o embalava tentando calar o seu choro, escondia as lágrimas pesadas por ver ao fundo, numa espécie de enfermaria, numa espécie de cama com colchões rotos e muito sujos, a irmã mais nova de cinco anos a morrer, devagarinho, nos braços de um pai impotente e de uma mãe descontrolada de uma dor insuportável. A menina morreu com paludismo porque chegou tarde ao hospital. Evitável.

Vi e não esqueço também a Mia, uma jovem Indonésia de Banda Ache que me levou ao buraco onde antes era uma casa de família . A sua, com os seus. Hoje começa tudo de novo, casando com um outro jovem a quem também o tsunami roubou tudo e todos. Agarrados à vida que têm as fotografias que resistiram, arregaçam a força da juventude e reconstroem uma casa, um país.

Shavi é um moçambicano com sorriso rasgado, dezoito anos que parecem trinta, tanta é a sabedoria das ruas, que me disse para confiar que ele e os seus amigos da ONG feita de e para os jovens iriam salvar o seu país do implacável vírus da Sida. Só precisava de uns computadores e de umas impressoras para se ligar ao mundo e o resto era com eles. Foi há 10 anos. Voltei a falar com o Shavi que não salvou o seu país mas que tem feito um trabalho insubstituível de prevenção, informação, e motivação dos jovens. Um orgulho.

E lá no Norte de Moçambique a enfermeira Laura trava uma batalha diária com as suas limitações físicas, ( a guerra roubou-lhe um pé) com uma muleta improvisada, há anos que as pedras das ruas de Tete não são para ela um problema. As milhares de crianças e jovens órfãs da sida que lhe aparecem à porta, que encontra à beira do rio, ou encostadas a lixeiras é que lhe tiram o sono mas não a capacidade de as salvar com o pouco que tem. Há poucos meses confidenciou-me, inchada de vaidade, que já conta pelos dedos das duas mãos os bebés ratados pelos bichos e que hoje se transformaram em jovens doutores. São os tais jovens que se empoleiram pela vida acima por saberem bem o valor que ela tem.

Nestes outros países de que vos falo, mulheres, homens, rapazes, raparigas e bebés morrem porque lá o tempo e a urgência é outro…faltam tantas coisas simples e essenciais que aqui nem sequer damos por elas. E nos países em que existem conflitos armados, falta o diálogo para logo depois passar a faltar tudo. Cresce um mundo absolutamente cruel principalmente para os mais jovens. Elas são violadas, mutiladas, ficam seropositivas, com fistula obstétrica, banidas da escola e das famílias. E todos vêm os que amam fechar os olhos à sua frente. Ficam sem chão, sem tecto, ficam sem ar.

É urgente dar urgência ao discurso dos jovens de hoje. Dos jovens que sofrem muito e dos que não querem ver os outros sofrer mais. A comunicação intergeracional é inteligente, logo eficaz. O vosso potencial de Desenvolvimento, Saúde e Paz não tem limites e pode inverter o ciclo da desigualdade e do conflito. Acreditar é preciso! E vocês são muitos, são a maioria! Nunca o mundo teve uma tão grande geração de jovens…aproveitem a oportunidade, façam hoje a mudança porque não se podem adiar mais os Direitos Humanos.

Quando eu era adolescente sempre ouvi o meu pai jornalista, contar-me histórias humanas que vinham agarradas aos pedaços de artesanato que ele me trazia destes países. Quando me contava que eram crianças trabalhadoras, crianças que sobreviviam fingindo serem crescidos, oprimindo vontades e sonhos, eu pensava ” e se fosse eu a ter nascido neste país?”.

Este é dos exercícios mais difíceis de se fazerem. Custa muito colocar-mo-nos nos lugares dos que nada têm. Normalmente não nos damos ao trabalho, se calhar até ao dia em que esbarramos com a dor dos outros e ficamos contaminados pela urgência de fazer qualquer coisa que ajude a mudar a realidade desumana, uma realidade que lhes preenche os dias. Eu sinto-me contaminada por este vírus bom que me empurra para estes países; que me faz em Portugal ir a tantas escolas e universidades falar com jovens como vocês para os contagiar; que me obriga a falar em voz muito alta para que a imprensa e o público que assiste ao meu trabalho de apresentadora e atriz fique tocado com as mensagens importantes; que puxa pela minha imaginação de forma a que invente campanhas de donativos e campanhas informativas e deadvocacy mobilizando a sociedade civil, mas também os governos e os parlamentos; que me oferece uma força extra que me permite ter capacidade para estudar os relatórios, reunir com governantes com parlamentares e muito simplesmente dizer o que vejo e o que penso daquilo que vejo.

A indignação pode fazer a mudança e de certeza que vocês, alguma vez na vida já se sentiramindignados…usem essa indignação, sejam construtores da mudança de hoje que terá efeito amanhã.

A primeira vez que me lembro de sentir esse desconforto que traz alguma raiva dentro foi quando tinha 12 anos e o meu pai tinha ido fazer uma reportagem para a Nicarágua onde acabou por sofrer um atentado bombista. Ficou com o braço todo queimado. Ao seu lado morreram outros jornalistas. Fiquei sem ele durante longos e difíceis dias e estava zangada porque ninguém me explicava a razão de, no Mundo, se andarem a mandar bombas para cima um dos outros desvalorizando a vida. Falei com a minha professora de português e escrevi cartas ao meu pai para tentar colmatar a minha indignação. Percebi logo aí que existem valores, conceitos, crenças ou causas que fazem tanto sentido para uns e tão pouco para outros.

E para mim até hoje passou a fazer sentido, na medida das minhas possibilidades, promover a paz, ter uma intervenção útil enquanto profissional, mulher e mãe que ajude a pôr fim à guerra, à violência, à discriminação mas também apaziguar a dor sonora e a dor silenciosa e clamar pelos Direitos Fundamentais.

Assim, naquela altura enquanto adolescente não foi preciso dizerem-me que era poderosa. Foi preciso sentir que era de facto poderosa. Mas eu estava num país que me dava oportunidades de estudar, ter saúde e exercer os meus direitos. Comecei a trabalhar com outros jovens em associações de estudantes e a olhar para lá do nosso gigante umbigo. Imediatamente senti o retorno da entrega: uma maior segurança para encarar o mundo porque me obrigou a conhecê-lo melhor; uma maior capacidade para aceitar os outros e um espírito inquieto de sentido de cidadania. Até hoje.

Hoje com mais responsabilidades, claro, porque sou voz de um gigante número de pessoas que trabalha incansavelmente, porque cada pessoa conta. O Fundo das Nações Unidas para a População tem-me permitido estudar dossiers que chocam pelos números gritantes com muitos algarismos: as crianças e jovens que morrem a cada segundo que passa com fome, as mulheres que morrem a cada minuto que passa com complicações derivadas da gravidez ou parto…as vidas e as economias que a prevenção poderia salvar.

Quando vou para os terrenos fazer documentários filmados sobre a realidade destes países tudo se torna mais claro e mais duro. As estatísticas são afinal casos humanos com nome, idade e sexo. E logo faz toda a diferença. Passam a fazer parte da minha vida. Passo a ter a saudável obrigação de denunciar por um lado e de angariar não só mais financiamentos mas sobretudo mais parceiros cúmplices nesta caminhada. São estas redes ilimitadas que podem ser essenciais. E confiem em mim, as vossas podem ser invencíveis e não falo de internet e redes sociais!

A vossa dedicação, a vossa capacidade de entrega e de indignação pode mesmo fazer a diferença. Como eu vi fazer nestes locais onde nunca quero deixar de voltar, através da iniciativa e do envolvimento de rapazes e raparigas que não irei nunca esquecer.

O que nos comove, tanto pode ser uma dor forte como uma grande conquista: conquistem e reclamem o vosso direito a um mundo mais justo, solidário, responsável e com promessas cumpridas”.

Trabalhadores cristãos pedem rigor ao Estado

Setembro 29, 2010

A coordenadora nacional da Liga Operária Católica–Movimento dos Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), espera que “o poder político possa repensar a sua estratégia, não se ficando apenas pela abordagem teórica, indo de facto ao encontro daqueles que têm muito pouco para viver”.

Maria de Fátima Almeida falou à agência ECCLESIA numa altura em que o Governo se prepara para aprovar um pacote de medidas de austeridade.

O primeiro-ministro José Sócrates marcou para esta tarde uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, onde, para além da discussão do Orçamento de Estado para 2011, deverão ser aprovadas medidas como o aumento de impostos e o congelamento de salários na função pública.

“É lamentável que se continue a fazer cortes em determinados apoios sociais, como o subsídio de desemprego, e não se tomem medidas para cortar, por exemplo, nos salários escandalosos de certos gestores públicos e privados” afirma a coordenadora nacional da LOC/MTC.

A organização já admitiu que a actual situação económica do país precisa de medidas adicionais de austeridade. Defende, no entanto, que essas contribuam para a redistribuição efectiva da riqueza, e não para o aumento da desigualdade social.

“Deveria existir um maior rigor sobre as empresas, por parte do Estado, porque continuamos a ver muitas empresas que não pagam impostos sobre os seus lucros” exemplifica a coordenadora nacional daquele organismo católico.

Os movimentos sindicais portugueses associam-se à jornada de luta promovida pela Confederação Europeia de Sindicatos, exigindo que o Governo encontre outras alternativas para reduzir o desequilíbrio das suas contas.

Maria de Fátima Almeida considera o protesto uma forma normal dos trabalhadores lutarem pelos seus direitos.

“Não é só uma questão de Estado, é uma questão ética e moral, de cidadania”, sublinha.

Na sua acção diária, junto dos trabalhadores, a LOC/MTC tem vindo a detectar um descrédito, uma falta de esperança e de visão de futuro, dentro das famílias.

“As pessoas são confrontadas, diariamente, com o encerramento de empresas e com o desemprego. Já contactei com pessoas de 45, 50, 55 anos, que nem contratos precários conseguem obter”, lamenta Maria de Fátima Almeida.

Defender a adequada redistribuição da riqueza, a existência de ética, verdade e solidariedade dentro das relações económicas e laborais, é o único caminho possível para a LOC/MTC.

“Vamos continuar a participar activamente nas estruturas que contribuem para uma mudança efectiva na sociedade” conclui Maria de Fátima Almeida.

A jornada de luta, a nível europeu, contra as políticas de austeridade, deverão juntar hoje em Bruxelas, mais de 100 mil trabalhadores.

Faleceu D. Armindo Lopes Coelho

Setembro 29, 2010

Bispo emérito do Porto tinha 79 anos e esteve à frente da Diocese entre 1997 e 2007, após ter sido Bispo de Viana. D. Manuel Clemente sublinha «grande exemplo de serviço eclesial»

Faleceu esta Quarta-feira, 29 de Setembro, D. Armindo Lopes Coelho, Bispo emérito do Porto, com 79 anos de idade.

Os seus restos mortais estarão na Sé do Porto a partir desta tarde, sendo celebrada Missa Exequial amanhã, Quinta-feira, às 16 horas.

Em comunicado oficial enviado à Agência ECCLESIA, o actual Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, refere que “o Senhor D. Armindo foi um fiel e generoso pastor da Igreja, com abnegada dedicação à causa do Evangelho em todos os importantes cargos que lhe foram confiados”.

“A todos nos deixa um grande exemplo de serviço eclesial, que nos cabe agradecer e continuar”, acrescenta, pedindo a Deus “a feliz recompensa dos seus muitos méritos”.

D. Armindo Lopes Coelho residia na “Casa da Mão Poderosa”, em Ermesinde, pertencente à Diocese do Porto, onde faleceu esta manhã.

A partir das 21h30 de Quarta-feira, há uma vigília de oração, presidida por D. Manuel Clemente, na Sé do Porto.

No dia 18 de Outubro de 2006, o falecido Bispo sofreu um acidente vascular cerebral, o que viria a levar à nomeação de D. João Miranda Teixeira como Administrador Apostólico da Diocese.

A resignação ao cargo foi aceite por Bento XVI a 22 de Fevereiro de 2007, data em que D. Manuel Clemente foi nomeado como novo Bispo do Porto.

D. Armindo Lopes Coelho nasceu a 16 de Fevereiro de 1931, em Regilde (Felgueiras), Distrito do Porto. Foi ordenado presbítero na Sé Catedral do Porto a 1 de Agosto de 1954. Frequentou a Universidade Gregoriana, em Roma, até 1959, tendo-se licenciado em Filosofia e em Teologia.

Em 1959, foi nomeado Professor e Prefeito no Seminário Maior do Porto, onde leccionou até 1974. A 10 de Julho de 1970 é nomeado Vice-Reitor do Seminário Maior do Porto com exercício pleno da Reitoria, num período de uma certa agitação e expectativa sobre aquilo que ia ser o Vaticano II.

Foi também durante alguns anos professor de Religião e Moral no Liceu Rodrigues de Freitas, professor de Moral no Instituto de Serviço Social do Porto e Professor de Teologia Dogmática no Centro de Cultura Católica.

A 21 de Julho de 1962 foi nomeado Assistente Diocesano da JUC, tendo exercido o cargo até 1965. Dedicou-se também à Pastoral Familiar, às Equipas de Casais de Nossa Senhora e à Escola de Pais Nacional, de que foi co-fundador em Portugal.

No dia 11 de Abril de 1971 é nomeado Cónego Capitular da Sé Catedral do Porto. Em 19 de Fevereiro de 1975 é nomeado Reitor do Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Seminário Maior) do Porto.

Em 19 de Abril de 1975 é nomeado Vigário Episcopal para o Clero e Renovação do Ministério Eclesiástico e em Março de 1976 torna-se Pró-Vigário Geral da Diocese.

A 5 de Janeiro de 1979 é nomeado Bispo Titular de Elvas e Auxiliar do Porto, sendo a Ordenação Episcopal realizada na Sé Catedral do Porto a 25 de Março de 1979 e presidida por D. António Ferreira Gomes.

Desde 27 de Outubro de 1982 até 1997 foi Bispo de Viana do Castelo. A 13 de Junho de 1997 foi nomeado Bispo do Porto, tendo tomado posse da Diocese em 29 de Julho desse mesmo ano.

Ocupou esse cargo até Fevereiro de 2007, numa tarefa que D. Armindo Lopes Coelho considerava como “uma honra”.

Entre os seus pares era admirado pela sua inteligência, capacidade de diálogo e sentido de humor. Tinha como lema ser “servo de todos para exercer o ministério episcopal”.

Dossier AE sobre D. Armindo Lopes Coelho

Entrevista nos 50 anos de ordenação sacerdotal e 25 de ordenação episcopal

À noite…ouvindo Paco Bandeira

Setembro 29, 2010

E hoje? Solidariedade

Setembro 29, 2010

Por uma Nova Ordem Internacional: ouvindo Lula

Setembro 29, 2010

Os Descamisados

Setembro 29, 2010

Continuando…ouvindo a voz de GERALDO VANDRÉ

Setembro 29, 2010