Archive for Abril, 2008

Derrubar as barreiras da ignorância por meio do diálogo

Abril 30, 2008

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural é marcado por uma série de debates que servirão de base para definir a futura estratégia da União Europeia em prol do diálogo intercultural. Cada um dos debates reúne comissários europeus, deputados, actores da sociedade civil, membros de grupos de reflexão, jornalistas e estudantes em torno de um tema.

O próximo encontro, organizado a 14 de Maio, terá por tema o diálogo inter-religioso. Este diálogo é agora mais necessário do que nunca, dado vivermos numa época em que se exacerbam as afirmações de identidade e os fundamentalismos religiosos.  Como promover o respeito mútuo e a compreensão entre os povos e as religiões, como valorizar a nossa diversidade cultural e religiosa, e unir os cidadãos para além das convicções e credos serão as grandes questões do terceiro debate do ano.

Os dois primeiros debates tratam do impacto das migrações no diálogo intercultural e do papel da cultura e da arte na compreensão entre os povos. Estão já agendados quatro outros encontros para o resto do ano. O programa inclui o diálogo intercultural no local de trabalho, o multilinguismo, a educação e, por último, o papel dos meios de comunicação social.

Os debates estão abertos a todos e pode inscrever-se ou dar a sua opinião no fórum em linha uma semana antes e uma semana depois da data do debate.

O Ano Europeu do Diálogo Intercultural oferece uma ocasião para participar na construção de uma forma de «viver melhor em conjunto». Para além dos debates, serão realizados, durante todo o ano de 2008, projectos destinados aos jovens, projectos culturais ou sobre cidadania e ainda 27 projectos nacionais.

Amanhã estreia

Abril 30, 2008


«My Blueberry Nights», o último filme de Wong Kar-wai

REFORMA DAS RELAÇÕES LABORAIS

Abril 29, 2008

 

REFORMA DAS RELAÇÕES LABORAIS

 

 

Propostas para um novo consenso na regulação dos sistemas de relações laborais, de protecção social e de emprego do MTSS

Dia Nacional da Prevenção e Segurança no Trabalho 2008

Abril 28, 2008

CARTAZ

Crescimento da UE mais lento

Abril 28, 2008

De acordo com as previsões económicas da Primavera da Comissão Europeia, o crescimento económico deverá registar uma desaceleração no conjunto da UE, passando de 2,8% em 2007 para 2,0% em 2008 e 1,8% em 2009. A tendência na zona euro deverá ser idêntica, mas com uma taxa de crescimento ligeiramente inferior (1,5% em 2009).

Esta diminuição do crescimento deve ser vista num contexto de abrandamento da actividade económica mundial, caracterizado por perturbações persistentes nos mercados financeiros e pela subida vertiginosa dos preços dos produtos de base, com os EUA à beira de uma recessão. Todavia, a economia europeia deverá resistir a esta conjuntura, apesar dos choques externos, graças às suas bases sólidas.

Devido ao rápido aumento dos preços dos produtos alimentares e da energia, a inflação deverá atingir temporariamente 3,6% este ano (contra 2,4% em 2007), antes de voltar a descer para 2,4% em 2009. Uma vez mais, a zona euro deverá seguir esta tendência, embora a um nível cerca de 3 pontos percentuais mais baixo.

O mercado do trabalho deverá também ressentir-se. Todavia, prevê-se que sejam criados 3 milhões de novos empregos em 2008/2009, que se irão juntar aos 7,5 milhões de postos de trabalho criados em 2006/2007. Assim, em 2008, a taxa de desemprego deverá descer para 6,8%  no conjunto da UE e para 7,2% na zona euro.

Após vários anos de consolidação orçamental pelos governos dos Estados-Membros, as previsões apontam para um aumento geral dos défices orçamentais no período em causa, que deverão atingir 1,2% do PIB na UE e 1,0% na zona euro em 2008. Se não houver uma mudança de políticas, o défice deverá estabilizar-se na maioria dos países em 2009.

 

Deixo aqui este lindo pôr-do-sol visto da Arrabida

Abril 27, 2008

Globalizai-vos!

Abril 27, 2008

PS francês revê seu ideário e sepulta a esperança revolucionária em troca das promessas do mercado

Andrei Netto

As esperanças revolucionárias morreram – ao menos para o mais importante segmento do eleitorado francês que ainda as nutriam. O último sopro da luta de classes marxista que sobrevivia no ideário do Partido Socialista (PS) francês se esvaiu nesta semana, após 18 anos de sobrevida. O atestado de óbito – ou a nova Declaração de Princípios – foi apresentado ao público pela cúpula do PS, na terça-feira, em Paris, e marca a oficialização das convicções sociais-democratas de um dos mais importantes partidos políticos progressistas do Ocidente. Reescritos pela quinta vez em sua história secular, os cânones socialistas agora ignoram expressões plenas de significados no século 20, como “revolução”, “propriedade coletiva dos meios de produção” ou “operariado”. Em seu lugar, constam “desenvolvimento sustentável”, “economia mista”, “dinamismo privado”, ambientalismo e novas tecnologias.

A Declaração de Princípios pode ser entendida como a matriz do pensamento no Partido Socialista francês. Fundada em 1905, na efervescência dos movimentos intelectuais e trabalhistas que fervilhavam na Europa de então, a Seção Francesa da Internacional Operária (SFIO), gênese do PS atual, havia sido reformada em seus pilares ideológicos na esteira de quatro grandes eventos sociais do século 20: a ascensão dos movimentos operários, a 2ª Guerra Mundial e os primeiros sinais da Guerra Fria, as revoltas estudantis e trabalhistas de maio de 68 e a queda do Muro de Berlim, em 1990. Essa linha do tempo deixa um traço que se esvai: a fé na revolução. Dezoito anos depois da queda do comunismo real, vem à tona a ruptura entre os socialistas franceses e a transformação radical. O cenário, agora, é a globalização.

Os atuais 22 artigos da declaração trazem, cada um, o peso da história. Em 1905, o documento exprimia o desejo de mudança radical. “O Partido Socialista é um partido de classe que tem por objetivo socializar os meios de produção e de troca, ou seja, transformar a sociedade capitalista em uma sociedade coletivista ou comunista.” Hoje, 103 anos depois, “o sistema desejado (…) é de uma economia mista, combinando um setor privado dinâmico, um setor público com serviços de qualidade e um terceiro setor de economia social”.

Entre um e outro momento, o que se constata é o declínio – até a extinção – do apego revolucionário e sua substituição pela ambição da reforma. “O Partido Socialista é um partido reformista” define, com todas as letras, o artigo 13 das novasdisposições. “Ele não considera as relações de força de um momento como irremovíveis ou insuperáveis.” Este é o trecho no qual o texto mais se aproxima da idéia de “luta de classes”, que já não constava dos dogmas de 1990.

Publicado nesta semana para ser homologado na convenção do partido em junho, o documento mantém a crítica ao capitalismo, “criador de desigualdades, portador de irracionalidades, fator de crises que persistem até hoje, na era da globalização dominada pelo capitalismo financeiro”. O discurso, de matizes keynesianos, prega uma “sociedade nova, que ultrapasse as contradições do capitalismo”, mas em lugar da apologia à superação do sistema baseado na propriedade privada a proposta é a conciliação: “Os socialistas são partidários da economia social e ecológica de mercado, uma economia regulada pelo poder público, como também pelos parceiros sociais”.

O PS prega agora a renovação do “Estado social” – terminologia forjada pela social-democracia alemã -, realizável por meio da reforma, cautelosa, do Estado de bem-estar social. “Este privilegia o investimento produtivo em detrimento da renda. Assegura a seguir proteção contra os riscos sociais. E repousa sobre a redistribuição. “O Estado”, diz agora o texto, “deve ser regulador para conciliar a economia de mercado, a democracia e a coesão social”. E agrega: para que possa “privilegiar a educação, a pesquisa, a inovação e a cultura”.

Neste modelo, o crescimento deve ser baseado no princípio do desenvolvimento sustentável. Um dos primeiros objetivos do partido, assegura a declaração, é a “emancipação completa da pessoa humana e a salvaguarda do planeta”. Ambientalismo e defesa da inovação tecnológica são, aliás, temas recorrentes no texto, a ponto de novíssimas – e controversas – ciências serem citadas. “A expansão tecnológica, o desenvolvimento das nano e biotecnologias e da engenharia genética despertam questões essenciais para o futuro da humanidade.”

A nova matriz de pensamento socialista também preserva algumas antigas bandeiras, introduzidas por líderes históricos da esquerda ao longo do século 20, como Jean Jaurès e Léon Blum. São metas como pacifismo, internacionalismo, solidariedade para com países subdesenvolvidos, defesa dos direitos humanos, Estado laico e o pilar da França moderna, a República.

Embora consensual entre membros da cúpula do partido, o texto despertou duas polêmicas internas. A primeira, ao defender — pela primeira vez de forma franca – a União Européia. “O PS é um partido europeu”, enfatiza, para desgosto dos partidários do “não” à constituição européia, recusada pelos franceses em referendo realizado no ano de 2005. A segunda polêmica, na verdade, levou ao reconhecimento do feminismo, até hoje ignorado nos estatutos. Um novo parágrafo 14 foi escrito para aplacar antigas mágoas: “O PS é feminista e age em favor da emancipação das mulheres”.

Ao desfraldar a bandeira da reforma e sepultar os ossos da revolução, o partido quis emitir uma mensagem clara. “A nova declaração avança ao incorporar idéias e práticas do PS quando está no poder. Somos hoje um partido socialista reformista, que usa o poder para transformar”, reafirmou ao Estado Alain Bergonioux, historiador, secretário nacional da agremiação e um dos dois autores do texto. “Era preciso dizê-lo sem ambigüidades.”

Bergonioux acredita que seus contemporâneos de partido fizeram um inventário ideológico para encarar o século 21. Sustenta que a idéia de transformação social não está em contradição com a idéia de mercado, a ponto de negar qualquer incongruência conceitual entre “socialismo” e “propriedade privada”. “Há muito tempo renunciamos à revolução”, admite François Hollande, secretário-geral do partido, citando o presidente socialista François Mitterrand, eleito nos pleitos longínquos de 1981 e 1988. Abatido pela ausência de uma liderança clara e por derrotas em três eleições presidenciais sucessivas – uma delas no trágico abril de 2002, no qual Lionel Jospin obteve 16% do eleitorado – o primeiro desafio do PS com seu novo ideário será reconquistar corações e mentes na França. Tarefa dura. Se a esperança revolucionária de fato desapareceu, resta agora ao partido demonstrar quais são as propostas práticas da esperança reformista. Antes que vire desilusão.

Abril 27, 2008

Integração e participação


25/04/2008

Por Fábio de CastroAgência FAPESP – Pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) acabam de lançar o livro Promoção da Saúde e Gestão Local, cujo objetivo é divulgar estudos relacionados à gestão pública na área de saúde, numa perspectiva integrada e participativa. A obra toma como referência a iniciativa Cidades Sustentáveis, fomentada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O livro, que divulga seis estudos realizados por pesquisadores do Centro de Pesquisas e Documentação em Cidades Saudáveis (Cepedoc) da FSP, foi organizado pela professora da Faculdade de Medicina de Jundiaí Rosilda Mendes e pelo sociólogo Juan Carlos Aneiros Fernandez, doutorando da FSP. Ambos são pesquisadores do Cepedoc.

“O Cepedoc atua em vários projetos de pesquisa e intervenção, promovendo processos que viabilizem políticas públicas participativas integradas e a formação de lideranças visando à eqüidade e qualidade de vida. O livro reúne temas trabalhados pelo centro no decorrer dos últimos anos”, disse Fernandez à Agência FAPESP.

De acordo com ele, os pesquisadores contribuíram com o livro a partir de pesquisas específicas feitas em cada uma das linhas abordadas pelo Cepedoc, traçando um amplo panorama em torno do eixo da gestão na cidade.

“Poucos trabalhos enfocam a cidade na promoção da saúde. A maioria tem foco em doenças, sistemas de saúde, unidades de saúde ou serviços de saúde. Nós procuramos abordar, sempre pensando na cidade, o desenvolvimento dos serviços de saúde voltados para a melhora da qualidade de vida, além de tratar das formas pelas quais gestores e cidadãos podem participar desse processo”, afirmou.

Fernandez afirma que a proposta que está por trás do livro – e que é a origem do centro – é a inciativa Cidades Saudáveis, uma agenda lançada pela OMS que tem como pressuposto a gestão integrada de políticas de cultura, saúde e educação.

“O eixo central do trabalho é a participação social e a gestão participativa voltadas para a busca de eqüidade e diminuição das desigualdades existentes, construindo propostas de gestão que sejam sustentáveis do ponto de vista ambiental e político – isto é, que ultrapassem as mudanças partidárias ao longo do tempo, configurando uma política de Estado”, declarou.

Segundo Rosilda, o livro é resultado de um trabalho coletivo de muitos anos. “Ele traz uma visão geral da construção das nossas ações. Os capítulos todos se conectam, já que estamos tratando da promoção da saúde e de qualidade de vida nas cidades”, disse.

A pesquisadora afirma que a obra era uma demanda dos profissionais da saúde e gestores locais que vivem em suas experiências cotidianas os problemas presentes nas cidades.

“A idéia é que o livro vá potencializar essas discussões, incentivando uma abordagem integrada das políticas públicas. O ponto fundamental é fazer a conexão entre todas as abordagens diferentes da saúde na cidade”, afirmou Rosilda.

O público-alvo são gestores e estudantes do tema, de acordo com a pesquisadora. “Isso está conectado com uma proposta mais ampla: vamos fazer agora uma plataforma para um curso de promoção da saúde para gestores municipais do país todo. O livro é uma base de dados para aprofundarmos a quesão da cidade, contribundo para a pesquisa no setor”, disse.

A obra reúne seis pesquisas: “Promoção da saúde e qualidade de vida”, “Gestão local e políticas públicas para a qualidade de vida”, “Participação social e cidadania em movimentos por cidades saudáveis”, “Intersetorialidade: reflexões e práticas”, “Território: potencialidades na construção de sujeitos” e “Descentralização: cálculo e axioma”.

  • Promoção da Saúde e Gestão Local
    Organizadores: Juan Carlos Aneiros Fernandez e Rosilda Mendes.
    Preço: R$ 18
    Lançamento: 2008Mais informações: (11) 3085-4760 ou www.hucitec.com.br

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Europa – sons e imagens

Abril 26, 2008

A maior parte dos europeus gostaria de receber mais informação sobre a União Europeia, de preferência através dos seus canais de televisão ou  estações de rádio favoritos. A Comissão concebeu uma nova estratégia para assegurar uma maior cobertura dos assuntos europeus nos média audio-visuais que prevê nomeadamente:

·         reforçar o serviço Europe by Satellite, que transmite informação televisiva sobre a UE, bem como o serviço audio-visual da UE;

·         aumentar a produção de conteúdos audio-visuais, nomeadamente no EU Tube; desde que foi lançado, em Julho de 2007, o canal da Comissão no YouTube tem sido um êxito: os vídeos divulgados foram vistos mais de 10 milhões de vezes;

·         apoiar o lançamento das EuroNews em árabe; este canal de informação internacional – o mais  difundido na Europa – cobre toda a actualidade mundial numa perspectiva europeia.

A Comissão deseja também criar uma rede de canais televisivos europeus, à semelhança da rede de rádios lançada em 1 de Abril último, que reúne já dezasseis emissoras nacionais e regionais de toda a União Europeia.

Esta estratégia constitui a última etapa de uma série de propostas sobre a comunicação. Desde o lançamento do Plano D, em Outubro de 2005, para suscitar o debate público sobre o futuro da União Europeia, a Comissão realizou um grande número de iniciativas para comunicar melhor, como a abertura do fórum em linha Debate Europe ou a definição de uma estratégia para a Internet.

A comunicação tem constituído um dos grandes domínios de actuação da Comissão de Durão Barroso, que se esforça por promover o diálogo em 23 línguas com todos os europeus.

Flexisegurança

Abril 25, 2008

C O N V I T E

FLEXIGURANÇA

EM DEBATE

SEXTA-FEIRA – Dia 16 de Maio de 2008

ÀS 21,00 horas

EM LOUROSA – NO CENTRO PAROQUIAL

ANIMADORES:

» JOÃO LOURENÇO – SINDICALISTA

MEMBRO DO CONCELHO GERAL DA CGTP

MILITANTE DA BASE-FUT E DA LOC/MTC

» JOAQUIM MANUEL MESQUITA – SINDICALISTA

MEMBRO DO CONSELHO GERAL DA CGTP

SINDICATO DOS PROF. LACTICINIOS DE AVEIRO

MILITANTE DA BASE-FUT E DA LOC/MTC

ORGANIZAÇÃO:

» EQUIPA REGIONAL DA LOC/MTC

» BASE-FUT – REGIÃO NORTE

Dada a importância de que se reveste, nesta hora, este assunto, para a vida e futuro dos trabalhadores, esperamos que ninguém falte.

COMPARECE E TRAZ UM AMIGO

Para que tudo fique esclarecido…

Abril 25, 2008

Neste 25 de Abril, convém que fiquem esclarecidas duas questões, que nos corredores do PS da Maia correm, e dado que não tenho outro palco que este, dado não pertencer a qualquer orgão do PS da Maia,e a SEcção de Pedras Rubras nunca reunir:

1.- Não é verdade que em recente reunião política do PS da Maia onde estive presente tivesse advogado o voto contra o secretariado a ser proposto por Mário Gouveia;

2.- É verdade que um antigo vereador do PS da Maia tivesse levantado a voz defendendo a minha expulsão do PS.

Aqui fica a verdade!

«Boarding Gate»

Abril 25, 2008


pequenos crimes entre amigos

O cinema europeu, com especial ênfase no cinema francês, sempre foi capaz de criar objectos radicais, onde os seus autores se confirmam por uma linguagem própria. Essa é uma das características de um dos autores franceses mais “diferentes”, um conceito absolutamente essencial para entender a diversidade do cinema contemporâneo. Esse autor é o realizador francês Olivier Assayas, criador de filmes incontornáveis do actual panorama, como «Clean», «Demonlover» ou «Irma Vep». Estes filmes criaram uma aura de autor radical, já que os seus enredos se afastam da linguagem comum do cinema francês. O seu último filme – «Boarding Gate» – estreia esta semana em Portugal, trazendo uma presença no Festival de Cannes e a evidência de que Assayas gosta de objectos estranhos e, neste caso, de homenagens aos filmes série B.

A narrativa do filme assenta numa teia de conspirações, sob o pano de fundo das finanças internacionais. Sandra é uma ex-prostituta de luxo que regressa ao contacto com Miles, o seu amante e «chulo». Eles já estão afastados, apesar de Miles continuar a cortejar Sandra. Em pouco tempo percebemos que Miles está numa fase descendente da sua carreira como consultor de negócios internacionais. Sandra agora trabalha com um casal de chineses, Sue e Lester, num negócio de importação de mobiliário. Contudo, este negócio é também uma fachada para diversos negócios obscuros que transitam entre a Europa, os Estados Unidos e a China (e Hong-Kong). No final da primeira parte do filme, toda a trama revela-se: Sandra mata Miles, num assassínio encomendado. Lester, com quem Sandra tem uma relação escondida, ajuda Sandra a fugir para Hong-Kong, no sentido de obter uma nova identidade e uma nova vida. Contudo, esse passo apenas servirá para Sandra cair numa armadilha, da qual irá fugir numa cidade que não conhece.

«Boarding Gate» é um filme que demonstra as características essenciais do cinema de Assayas: uma linha narrativa bastante visível, com uma linguagem aparentemente invisível. Contudo, esta invisibilidade serve apenas para catapultar o jogo dos actores e a capacidade de Assayas surpreender com a sua câmara ao ombro. Em última análise, o que interessa ao realizador é a forma como as personagens de «Boarding Gate» estão totalmente sozinhas, perdidas num mundo que se tornou global. Na verdade, acaba por ser um filme sobre os pequenos crimes potenciados pelas lógicas internacionais do comércio. Daí que o espaço visível do filme seja lugares de passagem destas «mercadorias»: portos de mar ou aeroportos. Estes lugares anónimos são o que mais interessa ao olhar de Assayas, assim como o confronto de escalas entre a cidade e o corpo humano.

Curiosamente, «Boarding Gate» é um filme luminoso, ao contrário do negrume que o afecta. Mas essa luz serve apenas para ressaltar o lado asséptico da primeira parte do filme, em contraste com o mundo caótico de Hong-Kong. As geografias são, nesse sentido, algo essencial para confrontar as personagens com os seus próprios conflitos. Na verdade, estas personagens solitárias vivem a fugir umas das outras e não conseguem enfrentar as ilusões porque passaram. O seu estado permanente é de frustração e não há, nunca, nenhuma esperança em «regressar». É, por isso, uma história sem redenção. Apesar de ser um filme difícil, em certo sentido, «Boarding Gate» é um filme bem interessante para entrar no universo Assayas.

«Boarding Gate» («Boarding Gate»). Um filme de Olivier Assayas, com Asia Argento, Michael Madsen e Carl Ng. França, 2007, Cores, 106 min.
Site Oficial: http://us.imdb.com/title/tt0493402/

RECENSÃO: ESTEIROS

Abril 25, 2008

Título: Esteiros
Autor: Soeiro Pereira Gomes
Colecção: Livros de bolso Europa-América
Capa: Estúdios P. E. A.
Editora: Publicações Europa-América
5ª Edição – 1974

 

 

Há obras imortais que definem por si só a excelência do autor. “Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes, é exemplo disso.

 

Foi escrita num estilo realista que põe a nu a condição social precária de um grupo de gaiatos ribatejanos, sem quaisquer dramatismos e sem qualquer manto que escamoteie a vida cruel de uma educação sem escola e de uma adolescência de árduo trabalho.

 

Denuncia uma sociedade atroz, de costas voltadas para um povo que subsistia como classe operária, à qual esses rapazes reagiam com as armas que lhes estavam à mão, e que lhes alimentava a astúcia na mesma medida que a cólera.

 

Esta é com certeza uma história entre muitas outras, é a história contada da realidade de muitos que sobreviveram e pereceram aos Esteiros do rio e à constante agressão de uma sociedade sem dó e com uma autoridade senhorial.

 

Trata-se portanto, de um retrato comovente, simples como eram aquelas vidas, que os ia vencendo, fosse no rio, fosse na fábrica grande ou nos telhais do estio.

 

Hoje em dia, este livro figura na lista dos livros mais recomendados dada a qualidade da narrativa ímpar do realismo do autor. Os brilhantes diálogos entre os miúdos, repescam modos de falar antigos, ditongos e calão desaparecido, costumes e gestos típicos da região na época, aqui reavivados e imortalizados.

 

Importa reler hoje toda a obra de Soeiro Pereira Gomes (Baião, 1909-Lisboa, 1949) e redescobrir assim as veredas de um trajecto feito de grandes sofrimentos e torturas, desencantos e lutas desapiedadas, que não impediram a criação de uma obra de relevante qualidade que deve ser evocada, estudada e admirada.

Poesia de Abril

Abril 24, 2008

 

Aconteceu há 34 anos. Rasgaram-se as trevas, apanharam-se os cravos e um povo oprimido reconquista a liberdade e vem à rua cantar, canções há tanto amordaçadas e proibidas.

 Canto Moço

Zeca Afonso

Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

Noticias da Europa

Abril 23, 2008

De Dublim a Helsínquia, o seu diploma é reconhecido automaticamente graças a um novo sistema de equivalências.

Com o quadro europeu de qualificações (QEQ) será mais fácil comparar as qualificações obtidas no quadro de diferentes sistemas de ensino. Um diploma obtido num Estado-Membro terá assim equivalência nos outros Estados-Membros.

Quais são as vantagens desta medida?

Passa a ser mais fácil trabalhar no estrangeiro e continuar a sua aprendizagem ao longo da vida.

O QEQ concentra‑se nos conhecimentos de que as pessoas dispõem e na forma de os aplicarem, abrangendo o ensino para adultos, a formação profissional e o ensino superior. Por outro lado, está a levar muitos Estados-Membros a desenvolver quadros de qualificações nacionais.

Os países da EU são agora incentivados a registar, até 2010, os seus quadros de qualificações nacionais no QEQ. O objectivo é que todos os novos diplomas emitidos a nível do ensino pós‑secundário remetam, a partir de 2012, para um dos níveis de qualificação do QEQ.

Leia mais sobre o Quadro Europeu de Qualificações

 

Abril 22, 2008

MOSCADEIRO

E NO PS DA MAIA, NADA DE NOVO!

Era natural que o vencedor das eleições para a Comissão Política da Maia, mantivesse as suas posições iniciais. Até porque no seu panfleto de apresentação, porque não é um programa, afirmava “Durante as últimas semanas percorri o Concelho, conheci as bases do Partido, falei com praticamente todos os militantes e até independentes sensíveis ao estado do nosso Partido”, quando li estas palavras percebi existir um equívoco em Mário Gouveia, porque ele pode ter ouvido muitos “independentes”, mas não falou com as bases do Partido, e se o fez afirmo, como sempre afirmei, foi uma candidatura clandestina, apócrifa, pois só falou com quem lhe dava jeito. Mas existiam outras afirmações, já não escritas, de Mário Gouveia, a primeira era de que se ganhasse seria a sua “tropa” a liderar, e nunca abriria as portas a qualquer diálogo, posição forte, de quem entende a política partidária de certa forma, em nada condizente com os tempos de um partido democrático, aberto às minorias, como ainda hoje afirmava José Sócrates nos Açores. A segunda, eram os proscritos, isto é, aqueles que à partida sempre seriam irradiados de qualquer sequer pensamento, porque minoritários, e não obedientes aos senhores governantes do partido na Maia. A recente informação de quem vai compôr o secretariado da Comissão Política, é, pois, sintomático, duma jarra de flores, onde as ordens de uns poucos são para ser seguidas sem qualquer discussão. É que para além dele próprio, do José Manuel Correia e de Rogério Rocha, não se vislumbra no secretariado algo de novo, serão eles a ditar as “leis” e a prosseguir uma política de razia e depuração, tão ao gosto de alguns. Irá existir assim, se a comissão política lhes for favorável, uma cadavérica forma de agir, bem contra as causas e os ideais socialistas, mas bem ao jeito de outros partidos. Gostaria de estar enganado, mas a condução de tal estratégia política virá a ditar o silêncio do PS da Maia, e a continuada perda das próximas autárquicas. Eu sei que a unidade não se faz em jantares, mas na discussão política e nos consensos dela derivantes, mas também não se realiza em musculadas formas de actuação, tão ao sabor de Mário Gouveia.

Costuma-se dizer “dêem tempo ao homem”, e vai tê-lo, porque esta escrita não está eivada de uma verdade imutável, acontece, porém, que as sua palavras, as omissões, os erros, e agora a composição do secretariado, são sinais mais claros, do percurso suicida da actual gestão do PS da Maia. Dizia Mário Nuno Neves, porta-voz da maioria, e da direita na Maia, que o futuro do PS da Maia passava por três pessoas, Dr. Jorge Catarino, José Manuel Correia e Miguel Ângelo (cuja esposa fará parte do novo secretariado), e que teria todo o prazer em derrotá-los nas próximas autárquicas, e eu queria lhe dizer, que não vai ser um prazer assim tão grande, pois como muito bem sabe, são eternos perdedores dessas eleições, não lhe gabo o prazer. Curioso é que MNN retira daqui Rogério Rocha, que fará parte do novo secretariado, talvez por este já não ser o cabo mor de Barca, ter perdido a junta de freguesia, e o seu potencial eleitoral estar perfeitamente derrotado. Assim sendo Mário Gouveia, com um ano de socialista, deve retirar as ilações devidas para não sofrer as pesadas derrotas de outras eleições, e isso passa pela sua palavra “todos”, serem todos os militantes e simpatizantes do PS, e não só “todos” aqueles que o apoiaram, mas para isso o seu paradigma tem de se transformar, e passar a ouvir as pessoas e não só as que ele quer. Mário Gouveia, por quem tenho um homem inteligente, deve ler os números com que ganhou, e verificar que nos outros lados também existem ideias, lutadores por causas e princípios, porque se assim não fizer, pode, e terá certamente, muitos amargos de boca. E para começar como vai votar na Assembleia Municipal, o Presidente do PS da Maia, o Relatório de Actividades da Câmara e Orçamento, dado que os vereadores votaram contra. Esperemos para ver!

Joaquim Armindo

Militante do PS

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve esta coluna quinzenalmente.

Espaço POESIA – XIII

Abril 22, 2008

Mais uma vez, e sempre, com a poesia nas palavras de Eugénio de Andrade.


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
 
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
 
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
 
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Abril 21, 2008

No próximo dia 28 de Abril assinala-se o Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho, uma data que pretende envolver e chamar a atenção dos empregadores e dos trabalhadores para a prevenção dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais.

 

Desde 1996 que é comemorado em todo o mundo o dia 28 de Abril, como forma de homenagear as vítimas de acidentes de trabalho e doenças profissionais.

A primeira cerimónia teve lugar em Nova Iorque, na Organização das Nações Unidas, onde foi aceso um memorial para recordar todos aqueles que perderam a vida enquanto trabalhavam ou adquiriram doenças relacionadas com a sua actividade profissional. Com esta primeira Jornada de Luto, estava consagrado o Dia Internacional de Luto pelas Vítimas de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais.

A data foi escolhida para coincidir com as Jornadas Nacionais de Luto do 28 de Abril, previamente adoptadas pelo Congresso Canadiano do Trabalho.

Em 2001 esta comemoração foi reconhecida e apoiada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e, actualmente, é celebrada oficialmente em inúmeros países.

 

Em Portugal, o dia 28 de Abril foi instituído como o Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho, por Resolução da Assembleia da República n.º 44/2001.

 

Pode ler, agora em português, o Relatório da OIT sobre o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho – AQUI

 

Organizações e estratégias

Abril 20, 2008

Sabe quem são os principais agentes que contribuem para a concretização de um quadro de segurança e saúde no trabalho moderno, eficaz e eficiente na Europa?

 

Em toda a Europa, existe um grande número de agentes envolvidos na segurança e saúde no trabalho. Além das autoridades competentes na matéria a nível comunitário e dos Estados Membros, os parceiros sociais, várias redes e organizações profissionais de SST, ou ainda organizações internacionais, como a OIT e a OMS, desempenham um papel importante neste domínio, contribuindo para a concretização de um quadro de segurança e saúde no trabalho moderno, eficaz e eficiente na Europa.

 

Aceda a ligações directas às principais organizações e redes envolvidas no desenvolvimento, aplicação e promoção da regulamentação, das estratégias e das melhores práticas SST na Europa.

Parceiros sociais europeus

Organizações internacionais

Redes e organizações profissionais

 

Crónica publicada no Primeiro de Janeiro de hoje

Abril 20, 2008

ÁGUA VIVA

OS MENINOS DE LUANDA

Da janela deste meu quarto, em Luanda, já não os vejo, a noite caiu e os meninos de Luanda recolheram às suas casitas, com algum do dinheiro que arrecadaram na venda de jornais, ou de tantas e tantas bugigangas, vendidas por entre as filas dos carros. Eles sabem que isso é perigoso, andar a vender por entre os veículos, mas a sua vontade de sobreviver é mais férrea que a desses perigos. É por isso que hoje peguei no computador para escrever sobre eles, e a esta hora olhando para o céu de Angola, me lembro de cada estrela, e de ver nela os meninos que enfrentam a vida sem saber o que é brincar, ou até talvez saibam, porque esta é a forma de encarar a vida, de a viver e de a não chorar. Os meninos de Luanda, despidos ou meio vestidos, sabem ler nas caras do sofrimento uma forma de aprender a vida, e sem as lágrimas que seriam naturais, dão a cara para como sabem e aprenderam, virar a vida, construindo uma outra forma de a sentir.

Os mesmos meninos também encontra-mos no Porto, ou em Lisboa, a dormir onde podem, a brincar como sabem, a vender para terem comida. Não são só os de Luanda, só que aqueles ainda têm uma sociedade ocidental caduca que os vai protegendo, e que a estes os deixou órfãos para melhor os dominar. Só que a sociedade que alguns querem hão-de saber que não dominam nada, porque o seu poder é efémero, e a verdadeira justiça, o verdadeiro Jesus de Nazaré, está no corpo de cada um destes meninos, mesmo na indignação que sentem. É que Ele também foi menino, desobediente das leis então estabelecidas, para inaugurar uma nova humanidade, que custa a compreender. Estará aí, no entanto, um dia quando das janelas de todos os quartos das Luandas espalhadas pelo mundo, se erguerem as vozes das meninas e dos meninos, que farão estremecer os senhores que usam dos poderes para subjugar tantos interesses, a favor de uns muito poucos. É isto que leio neste céu, da cidade bela que é Luanda, nesta noite.

Joaquim Armindo

Licenciado em Ciências Religiosas e Mestrando em Saúde Ambiental

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve no JANEIRO quinzenalmente.