Crónica publicada hoje no Primeiro de Janeiro

by

ÁGUA VIVA

A LIBERTAÇÃO

A Páscoa, festa celebrada desde tempos imemoriais, sempre teve o sentido de libertação, para os pastores que a celebravam, muito antes dos judeus, de regozijo pelo nascimento das crias dos rebanhos, aspergindo sangue de cordeiros para obterem a fecundidade dos rebanhos, para os judeus, depois da saída do Egipto, pela libertação de todo o povo das mãos dos opressores, usando o sangue de cordeiro, como sinal de preservação da sua identidade, dado que o faraó controlava o nascimento das crianças hebreias, para os cristãos a libertação de todos os homens e mulheres da escravidão, e assim inaugurando uma nova época, aquela que conduz a uma nova terra, onde não mais existam escravos e senhores. A Páscoa, como festa de libertação, introduz, assim, no povo uma dinâmica humana e fraterna, construída na comunhão. É este o sinal mais incómodo para uma sociedade que persiste em viver, sob o signo dos senhores da guerra, sejam eles políticos ou religiosos, porque ela é antípoda do conformismo e da indiferença. Dirigida a todo o ser humano, introduz a indignação da vida vivida atrás de grades vinculadoras dum universo prendido ao poder.

Resta às cristãs e aos cristãos descobrir hoje onde não existe libertação, e serem os fazedores da justiça e da paz. Os sinais, esses descobrem-se onde existe a amargura, a solidão e o esmagamento dos direitos fundamentais das criaturas humanas. Eles são visíveis na economia neo-liberal que teima em subjugar a criação, na política que não é serviço à coisa pública, na injustiça perpetrada pelos possuidores do poder, na religião que esmaga a vida humana, com leis e preconceitos, no desprezo ambiental pelas grandes empresas multinacionais do dinheiro, na cultura subtraída a cada pessoa, no forjar da guerra como ditame principal do abafar a voz dos povos. Mas a Páscoa é o contrário disso, sendo uma festa, liberta para a libertação e dá-nos o direito da insubmissão, deste dizer bem alto,”sobre os telhados”, que a Vida é o dom supremo de todos, soprada pelo Criador e logo merecedora do respeito íntegro, e quando assim não é, devemos fazê-lo, em nome daquele que inaugurou um novo mundo: Jesus, o Senhor.
Joaquim Armindo

Mestrando em Saúde Ambiental e Licenciado em Ciências Religiosas

jarmindo@clix.pt

http://www.bemcomum.wordpress.com

Escreve no JANEIRO quinzenalmente.

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