Poema

Julho 29, 2012 by

vês aquele barco ali, no alto mar,
e as gaivotas em terra, anunciando
a torrente do amor.

são os teus seios envoltos, nas pétalas dos girassóis
ao vento, revolvendo os moinhos.

e assim, os teus beijos, são o sol, dentro dos meus,
não, não o eclipse,
porque a lua e as estrelas, testemunharam,
o sussurrar das fontes
lá da montanha.

e sabes: quando as línguas se cruzam, na dialéctica do arfar,
dos bombos e das gaitas de foles,
as bandeiras, hão-de dizer,
vejam, vejam, as bandeiras desfraldadas,
da liberdade, nos teus cabelos.

e é assim, que construímos as pontes, do sabor e do cheiro,
da maresia,
no calcorrear dum caminho, sem sono,
porque este não é o cantar dos pássaros,
nas esquinas da liberdade, que construímos.

e tu, e eu,
saberemos meu amor, construir, pedra a pedra,
o amor do perigo, que dá sabor ao nosso paladar,
e haveremos de cantar, a canção do único
barco que acalma,
o dedilhar das violas,
cantadas em teu ventre.

joaquim armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Julho 29, 2012 by

OS TRAPOS VELHOS

 

“…sobre Deus que se revela, a liturgia que O celebra, a Igreja que o testemunha e o mundo que O espera…”, embora não sinta muito movimento sobre a carta que os Bispos do Porto escreveram, não nos cansaremos de a refletir, e assim mais uma pequena frase, das grandes linhas que eles sistematizam na sequência do Concílio. A reflexão sobre este Deus que se revela, como e onde quiser, talvez não muito por nós cristãos ditos praticantes (de quê?), é celebrada numa liturgia viva, e se o não for, nunca será celebrante, nem a Igreja testemunho atuante e muito menos seremos as árvores que dão frutos ao mundo, sedente como se encontra!

Tenho encontrado neste Porto, de Portugal, quem discuta a vida, e se valerá a pena ou não, dados os custos económicos manter os “velhos”. Estes “velhos” são aqueles que deram a vida a uma geração que agora os discute, como se estivesse nas mãos de cada legislador, dizer que morre ou quem vive, dada uma idade, que só gasta dinheiro ao erário publico. E fazem as contas, como bons agentes económicos, que não políticos, querem gerir a velhice, ou melhor os trapos. Não sei bem, se um dia destes vamos ou não, discutir a necessidade duma incineradora para este fim. Confesso que fiquei pasmado quando vejo a discussão sobre o assunto a pretender saber quem morre, não devido à idade ou à doença, mas aos custos desta idade e desta doença.

Sabemos que muitos idosos até morrem sós, e depois de algum tempo descobre-se, e muitos mais não têm dinheiro para aviar os seus medicamentos, porque tudo está muito barato em Portugal, tendo em consideração outros países da União Europeia, a face de uma moeda, porque a outra não a mostram. Sabemos que aqueles que trabalharam uma vida e deram alento à sociedade portuguesa, lembro-me muito dos antigos combatentes das ex-colónias, são a partir de determinada idade um fardo pesado, porque economicamente não produzem e só gastam e chateiam. Por isso matemos, desliguemos as máquinas, saibamos até legislar sobre a idade em que as pessoas podem viver, e até os critérios para estarem vivos. E talvez se tudo for assim, se consiga pagar um dos subsídios a quem hoje trabalha e amanhã é velho!

Criminosa uma sociedade que assim pensa, e até age, desta forma. Conivente uma Igreja se consentir esta forma de vida. Porque na frase inicial se dizia que “o mundo O espera”, ora a esperança do mundo é naquele que dá o Amor transbordante a cada pessoa. O mundo O espera, através do testemunho da Igreja, de todos os cristãos, que O celebram, em comunidade.

Velhos são os trapos, e os trapos serão aqueles que podem pensar numa sociedade legislada sobre matérias destas. Deus revela-se como e onde quer, e não o deixará de fazer, também aqui. Levemos ao altar, trazemos do altar, não fiquemos lá, porque Deus está presente na história dos homens.

Joaquim Armindo

Moda Portuguesa

Julho 22, 2012 by

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Reflexão de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012 by

O ALIVIO

 

O alívio é “uma diminuição de carga, fadiga, de sofrimento”, e aliviar “desoprimir, dar alívio a, atenuar, suavizar, consolar (aquelas palavras aliviam-me…)” . Uma determinada pessoa, não sendo uma ilha, quer fisicamente, quer psicologicamente, que possui uma “carga”, a desagrabilidade de carregar, de estar afectada, mesmo que não possua o conceito do UNO e do MÚLTIPLO, ou seja, a sua vida não seja compartilhada com outrem, enquanto ENTE, mas só requeira o AMOR DE AMIZADE, se não consegue digerir por si, que a normalidade dos actos diz que é verdade, só pode desoprimir-se, aliviar-se, se compartilhar isso com o ENTE ou o amigo. Se, porém, o conto não se faz, dado que as palavras não aliviam, então isso significará a perda do UNO, ou melhor a sua nunca existência, ou do Amor de Amizade. Porque se o quotidiano, seja qual for, constitui uma profunda fadiga fazê-lo sentir a quem é ENTE, é uma negação da PESSOA enquanto vivencial, uma negação da vida.

Não é possível existir relação séria onde a partilha do SER é escamoteada, porque tradutora de mais sofrimento, estaremos perante uma contradição entre sentimentos que dizemos ter e a sua prática. Só a prática de uma teoria, leva a oferecer-nos enquanto dom ao outro, porque se este dom sofre de arritmia, enquanto movimento sofredor, traduz uma doença arterial, então o “coração” não bate, e acaba por morrer. Não se poderá afirmar, então, uma dualidade de procedimentos e de caracteres, porque levará à mentira e à obcecação. Isso é deprimente, e em vez do aliviar, estamos no castigo de falar disso a outrem, seja ENTE ou PESSOA, na sua diversidade. Por isso não existem matérias tabus, mas declarações que acalmam.

Se, porém, não aclamam, então a relação é inquinada, não existe alívio, e não será procedente a sobrevivência dos ENTES, ou até da AMIZADE, dado existir uma ocultação da vida que produz sofrimento. E se esse sofrimento é duplo, isto é, é dirigido vectorialmente em dois sentidos contrários, no que não se quer, e naquele que se quer, uma NEGAÇÃO é evidente, e pelas evidências confirmamos a verdade.

Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012 by

O GRITO!

 

“Que Deus, o Criador de todas as coisas, se digne abençoar seus filhos e filhas nesta nobre missão de “cultivar e guardar” a terra, lugar de vida para todos (cf. Gn 2,15)”, assim termina o comunicado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acerca da Conferência da ONU Rio+20, sobre o Desenvolvimento Sustentável, que decorreu no Brasil.

Este é o grito de toda a Igreja na defesa da Criação, que “carrega consigo a irrenunciável responsabilidade de responder aos anseios e expectativas mundiais em relação à defesa e promoção de toda a forma de vida”, e esclarece que “é urgente repensar a nossa relação com a natureza, que “nos precede, tendo-nos sido dada por Deus como ambiente de vida” e está à nossa disposição “não como um lixo espalhado ao acaso, mas como um dom do Criador” (Bento XVI – Caritas in Veritate, n. 48)”. Neste seu texto, de profunda riqueza, e de denúncia, lembra a V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe (2007), em que já se afirmava que “com muita frequência se subordina a preservação da natureza ao desenvolvimento econômico, com danos à biodiversidade, com o esgotamento das reservas de água e de outros recursos naturais, com a contaminação do ar e a mudança climática”.

Bastantes críticos sobre o que os mais de 190 países e 130 chefes de estado e de governo aprovaram, e sobre a chamada “Economia Verde”, a CNBB declara “A Rio +20 indica uma resposta a essas questões com a chamada Economia verde. Se esta, em alguma medida, significa a privatização e a mercantilização dos bens naturais, como a água, os solos, o ar, as energias e a biodiversidade, então ela é eticamente inaceitável. Não podemos nos contentar com uma roupagem nova para proteger o insaciável mercado, que só tem olhos para o lucro, configurando-se como “lobo em pele de cordeiro” ao manter inalteradas as causas estruturais da crise ambiental”.

Um apelo grande a cada um de nós, nesta Diocese do Porto, e neste Portugal, quase silencioso sobre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos, e urgentemente reclama que todos nós assumamos que este “compromisso deve ser assumido por todos. Os cristãos, de modo especial, movidos pela solidariedade, que gera fraternidade e comunhão, são convocados a trabalhar pela preservação do meio ambiente e a colaborar na construção de uma sociedade justa, ecologicamente sustentável”.

Este é um grito, uma chamada dos cristãos, estaremos com a garra de nas nossas comunidades cristãs, respondermos ao desafio?

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Jornal Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 22, 2012 by

SERVOS DE TODOS?

 

Estava a ler dois documentos importantes e a meditar neles: “A Carta Apostólica – A Porta da Fé” e a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé”, quando de repente, parei. É que no ponto 22, desta Carta, os Bispos citando o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (Compêndio, 330), referem “O diácono, configurado a Cristo servo de todos, é ordenado para o serviço da Igreja sob a autoridade do Bispo, em relação ao ministério da palavra, do culto divino, da condução pastoral e da caridade”. Aqui eu disse para mim, Alto! E comecei a pensar, a pensar, e desculpem os meus colegas do diaconado, a pensar em nós. Eu, Joaquim Armindo, tenho sido o servo de todos? E o ministério da palavra, exerço? Do culto divino? Da condução pastoral? Da caridade? Onde e como?

A Carta Porta Fidei, (A Porta da Fé), tem sido “mastigada” já por diversas vezes, para me encontrar nela, para sentir em mim, aquilo que devo viver, e agora os Bispos da, minha, Diocese do Porto, vêm fazer uma intrusão na minha reflexão e logo lembrar-me questões, escritas em 2005, sobre o exercício da diaconia. Confesso que fizeram bem, é oportuno, tempestivo, como se diz “acertaram na muche”. Eu, servo de todos? Eu, a exercer o ministério da palavra? No culto divino, vá lá, estou, talvez não como deveria, mas estou! Condução Pastoral, onde exerço? Da caridade, do amor, onde? Bem, penso, lá vou escrevendo estas crónicas, e para alguma coisa devem servir (não que eu saiba, mas também não serão assim tão más, porque o Diretor do Jornal já me tinha tirado a palavra, e fazia bem!).

Eu sei, e já aqui o escrevi, o diácono deve sobre tudo, servir, levar ao altar as aspirações das mulheres e dos homens, e trazer de lá a certeza da fé, que move montanhas, para eles. Podem crer que sei isto, e o meu Bispo não se cansa de o repetir, quase à exaustão. Estamos numa situação grave no mundo, em Portugal e na Diocese do Porto, é necessário que nos deixemos apanhar pelo altar do Senhor, que a Força do Espirito nos cative, porque atentos a tantos sinais que recolhemos da vida, e por força desse Espirito, semear por aí, em todos os lugares as bem aventuranças, de que nos fala o Evangelho de Mateus. Ontem era tarde, para a perceção da Boa Nova, duma Humanidade outra, da ética de vida, da Nova Evangelização, no “Ano da Fé”.

Estou a pensar, na “crise”, naqueles que não têm voz, nem vez, nos milhões desempregados, nas filas para a “sopa dos pobres”. E penso, numa outra frase da Carta dos Bispos, “União a Cristo significa participação na sua missão, pois a vida é para todos. Ele inaugurou na terra aquele “reino” tão esperado…”. Então o reino está aí, aqui, em cada um de nós, mas os diáconos não podem andar só a pensar, têm de ser servos de todos, exercer o ministério da palavra, ser, também, parceiros do culto, da condução pastoral e da caridade, do Amor de Jesus. Levar ao altar, e trazer do altar!

Joaquim Armindo

Artigo publicado no Voz Portucalense, por Joaquim Armindo

Julho 22, 2012 by

A VIDA DAS PESSOAS

 

“…cada vigararia, cada unidade pastoral, cada paróquia, cada movimento, procure organizar e oferecer, a públicos indiferenciados ou específicos, um itinerário de formação na fé cristã, com incidência na vida das pessoas e das comunidades”, é uma das diretrizes que a “Carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, sobre o Ano da Fé” (ponto 31).

A chamada de toda a Diocese do Porto é um sinal que os Bispos colocam uma enfase muito especial no Ano da Fé. Em primeiro lugar dirigem-se a todos os cristãos, apelam às “bases”, para que o movimento seja imparável, com um fim muito claro de “formação na fé”, porque só esta é capacitadora do agir comungante de toda esta nuvem, que deve pairar sobre cada um e cada uma, como Filhos de Deus e Templos do Espírito Santo, no sentido de serem sinais vivos, duma Fé adulta, informada e formada, para que a grande novidade da Boa Nova, se torne Palavra compreensível, para as pessoas e as comunidades.

O pronuncio de uma Fé atuante, faz-se pela formação na fé, portadora dos sinais dos tempos, que se tornam realidade nas Vidas Vivas, e nas razões da nossa esperança. A este grande caminho não podemos ficar indiferentes, e contentarmo-nos a participar (muitas vezes a assistir) à missa, mas sermos portadores dessa mensagem que Jesus viveu, e nos mandou anunciar: a liberdade aos oprimidos, o pão aos famintos, a água aos que têm sede, a Vida a cada pessoa. Jesus é a Água Viva, que se dá, sem nada querer, como à Samaritana. Somos portadores dessa água, mas quantas vezes a sonegamos famintos que estamos da ignorância da humanidade em que vivemos. É de facto uma realidade factual, a necessidade deste “itinerário de formação na fé cristã”, e que mil flores desabrochem, de pensamentos, de ideias, de quereres, do movimento que carecemos para fermento da nossa Diocese.

Mas os nossos Bispos referem ainda, que este “itinerário de formação na fé cristã”, tem de possuir “incidência na vida das pessoas e das comunidades”. Grande palavra e grande desafio, colocar os moinhos a produzir farinha, desenterrar a persistente inércia de que somos possuídos, como se Deus não residisse em cada um de nós. Esta incidência não é unicamente pessoal, do foro do “eu”, mas como afirmam os Bispos também são dos “tus”, das comunidades famintas duma linguagem de amor, do Amor do Ressuscitado.

Quero ter fé, quero que Deus me conceda o benefício da fé, para acreditar, que todos nós vamos também querer como sua, essa fé. A partir de mim, e de ti, das nossas comunidades, dos movimentos, não podemos ser indiferentes a esta “Porta da Fé”. Seremos ou não?

Joaquim Armindo

Artigo publicado no jornal Voz Portucalense, de Joaquim Armindo

Julho 22, 2012 by

A BÍBLIA

 

“Desconhecer a Bíblia é desconhecer a Cristo”, esta frase lapidar de S. Jerónimo, citada na Dei Verbum, e agora lembrada, e bem, na revista “bíblica”, de julho/agosto do ano corrente, vem convocar-nos a todos para a grande necessidade do conhecimento, que devemos possuir da palavra inspirada. Não existe Ano da Fé, se este não for consubstanciado na Palavra, na Tradição e no Magistério da Igreja, este na procura da razão banhada pela água corrente do Espírito do Senhor. A carta dos Bispos aos Diocesanos do Porto, a propósito do Ano da Fé, reconhece isso mesmo, ao citar a Constituição Sacrosanctum Concilium, que afirma “Cristo…Está presente na sua Palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura”.

Temos todos de reconhecer que ao abrigo de práticas legitimas de piedade popular, nos esquecemos muito, e muito mesmo, que a Fé dada aos Santos, provém da nossa intimidade com Deus, na oração e na leitura diária da bíblia, e que a Igreja só o será, quando a sua missão for proclamar o Evangelho do Senhor.Por isso há um trabalho insanável para todos nós, convocados por Deus, nos diferentes ministérios, enviados pelo seu Filho, na comunhão do Espírito Santo, de ensino, de instrução, de leitura individual e coletiva, para descobrirmos que o Reino aí está, só que nós quais cegos de Jericó, não o vemos, não lemos a sua mensagem e prostrados, inanimados, quedamo-nos pelo facilitismo de que “eu cá tenho a minha fé”!

Viver o Ano da Fé é ser testemunha fiel de Cristo Ressuscitado, falar aos Homens em linguagem que nos entendam, e é tão fácil se for assumido o conhecer a Cristo, e para tal, também, conhecer e rezar a Bíblia; aprofundá-la e estudá-la, não fazer dela só o “livro da cabeceira”, mas da humanidade. Este livro sagrado não pode ser ignorado, porque se o for não alimentaremos a nossa fé, que só será alimentada quando vivida e proclamada. E se nós, com especialmente incidência nos bispos, presbíteros e diáconos, não o fizermos, somos responsáveis por uma fé ignorante e codificadora de matrizes, bem-intencionadas, mas que não respondem aos apelos incessantes do mundo onde devemos estar mergulhados.

Hoje, aqui e agora, haveremos de ser “porta estandartes”, de que meditar na Palavra do Senhor, é uma urgência sem igual, que sermos “muito católicos”, cumprirmos “regras”, que não nos farão mal, não é suficiente para o “Ide e proclamai o evangelho a toda a criatura”. Todos somos de menos, ninguém poderá ficar de “fora”, porque a Palavra é para ser meditada e proclamada. Cuidado, que se nos calarmos, “as pedras falarão”!

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 24, 2012 by

A CIMEIRA: RIO+20

 

Estamos no tempo em que realiza a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, conhecida por Rio+20, porque foi há 20 anos que no Rio de Janeiro se realizou a Conferência sobre a Terra. Temos também em consideração que foi no ano de 2000, que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou os “Objetivos do Milénio”, que pouco se conhecem, e muito menos se fez. Ao “falhanço político”, que têm sido estas conferências, onde se assinam muitos tratados, que não se cumprem, devem responder os cristãos com a ousadia da Esperança, e no espaço converterem em ações concretas o “pensar global, agir local”. Esta a tarefa de todos nós!

O documento base da conferência, que deverá ser aprovado, discute um novo pensamento, o da “economia verde”, com as boas intenções de erradicar a pobreza, promovendo a ética como base para uma nova civilização e ordem mundial. Mais de cem presidentes ou primeiros ministros, de quase 180 países, estarão presentes, para darem o seu “sim” a documentos, depois não cumpridos. A “economia verde”, de acordo com o documento, vem mitigar os efeitos da economia mundial, mas não resolve os problemas, as raízes das causas que os originam. Não seremos nós que julgaremos os bons propósitos dos países presentes, mas como podemos classificar quem defende uma “economia verde”, como ponto fundamental, e não respeita nos seus países o Ambiente e os Direitos Humanos?

A grande crise que vivemos terá uma resolução, quando através do conhecimento, formos capazes do desenvolvimento cultural, única forma de vencermos o ostracismo e a não participação das populações. O documento síntese, mas que contém dezenas de páginas, continua confinado aos três pilares do Desenvolvimento Sustentável: economia, ambiente e coesão social e vagamente coloca o fulcro na participação das populações livres e literatas. Não poderemos barricar a atuação, e esconder o desenvolvimento cultural, no social, porque aquele é de facto o motor essencial à presença dos povos e nações, livres, mas numa liberdade com pão! A Sustentabilidade, só o é, na medida do conhecimento e respeito pela democracia, numa vénia constante à Criação, que quotidianamente desprezamos.

Nós cristãos e cristãs, defenderemos a Criação, como emanação surpreendente de Deus, não poderemos nunca desconhecer o que o nosso mundo político decide, porque estamos no mundo, por mais lamacento que seja e deveremos defender todos os projetos aprovados, exigindo a sua real concretização, sabendo bem que o Espirito sopra onde e como quer, e que Deus está na história hoje, bem dentro dela, e será o Amor de Jesus, que iluminará as nossas ações locais. Não iremos esperar mais, pois não?

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 24, 2012 by

A NOSSA MISSÃO

 

“Missão é também a promoção do desenvolvimento, da justiça e da paz entre os povos. Missão não é só anúncio; é também presença, diálogo e partilha de valores entre os povos e religiões. Missão, é por fim e também, defesa da natureza e da criação, da terra, do ar, da água, dos recursos naturais, de um modelo de sustentável, respeitador da Natureza e das gerações futuras” (Editorial da Além Mar, junho de 2012).

“Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa”, está escrito no livro do Génesis (1,31), no poema épico da criação da humanidade. Tudo era bom! Só que existimos nós, com defeitos e virtudes, com pecado e omissão, a agarramos nesta liberdade e aspergimos com o sol tórrido da autosuficiência e da indignidade humana. Não toleramos, vestimo-nos com fatos domingueiros, bem dourados, mas sem a sustentabilidade do Espírito. Exigimos direitos, mas falta-nos o sonho da utopia, de vivermos como irmãos, de juntarmos o lobo e o cordeiro, na Paz de Jesus, que não é uma qualquer, mas o anúncio do perdão e da dignidade humana, da reconciliação e da justiça, do bem de cada um, só e quando existir o bem comum.

Estamos às portas de um acontecimento mundial, onde cerca de duzentos países estarão presentes, mais de cem chefes de estado, na Rio+20, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, na defesa da Natureza e da Criação, a que não podemos ficar indiferentes. Ao mesmo tempo e na mesma cidade, do Rio de Janeiro (Brasil), acontecerá uma conferência paralela, o Conclave dos Povos, onde milhares de pessoas representantes de ONG e outros organismos, discutirão e serão a denúncia, daquilo que por incapacidade os “chefes dos povos” não tiverem a suficiente coragem para defender.

Curiosamente, e por coincidência, celebramos o 50º aniversário desse grande Concílio do Vaticano II, convocado por João XXIII, e os nossos bispos reunir-se-ão, em Roma, para dar um novo folego à Evangelização, afinal para animar a nossa Missão. E Jesus foi tão simples ao expressá-la: “Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura, e batizai-os em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo”. Tão simples e nada complicada a nossa Missão, ela hoje neste Universo sem fim, e falando a todos, e, principalmente, aos senhores dos vários poderes, é a defesa dos povos, da liberdade, da justiça, da fraternidade, da criação, da natureza e desta sustentabilidade (económica, ambiental, social e cultural), até atingirmos a graça de sermos saudáveis e vivermos, com a bênção do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Cada um de nós é responsável por isso! No silêncio do teu quarto, unido a Jesus, pergunta-te o que tens feito para que tal aconteça.

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Jornal Voz Portucalense

Junho 14, 2012 by

A RESPOSTA!

 

Igreja da Trindade. Porto. Sábado. Vinte e uma horas e trinta minutos. Centenas de jovens encheram aquele templo. Repleto. Cantavam, balanceando os seus corpos ao som de “Eu estou aqui!”, com força e vigor perante o bispo da Diocese e alguns padres e diáconos, proclamavam que Jesus estava ali, “tão certo como o ar que eu respiro”. Ligados os pulsos com fitas de cores várias, impressionaram pela vivacidade e pela alegria, ao levantarem os seus braços, ligados entre si, balanceavam-se cantando. Não era um espetáculo, é a doação de si, que em tempos da “crise”, do desemprego, da fome, dos débitos que têm, não sabem como, apareceram de toda a diocese, para marcar a fulcral identidade dos valores cristãos, do trabalho e de uma sociedade outra, com água viva, saída de um “poço”, construído com os tijolos, que cada um lá colocou.

Esta impressionante resposta dos jovens da diocese do Porto, é um ato concreto do Espírito Santo, na Vigília da Santíssima Trindade. A irreverência destes rapazes e raparigas, homens e mulheres do amanhã, é um veto a todos que julgam ou pensam que a Igreja está moribunda, porque estas mãos dadas são a prova indelével de que Jesus está com na Igreja, que construiu. “A Igreja não vem de si, mas de Cristo; não é para si, mas para Cristo e para o mundo para onde Ele veio, como Missionário do Pai, e por quem Ele se entregou em amor jamais igualado”, como refere o Padre Almiro Mendes (Revista Além Mar, número de novembro de 2011), por isso é missionária na sua própria casa, neste caso a grande diocese do Porto.

Este rio de água pura que encheu o Porto, cidade da Virgem, com as suas velas luminosas, num dia, a via-sacra, percorrendo, sem medos, as ruas da cidade, noutro, e a vigília de que vimos a falar, são respostas de Vida em Jesus. O sermos minoritários é uma bênção, se formos testemunhas da Igreja de Jesus, que percorre um caminho, um longo caminho, não se preocupando com a sua manutenção, porque isso é obra do Espírito Santo. “Olhai os lírios do campo” – diz Jesus. Eles florescem em cada esquina, são as flores que não se preocupam se vão murchar, porque sabem que é da sua semente, que morre, que multidões nascem, para percorrer o caminho em frente.

As mãos erguidas dos jovens, unidas por um só querer, “tão certas como o ar que respiro”, são, e têm de ser, os empurrões dados aos céticos, que, talvez pelas desilusões, estão cansados de caminhar.

Comunidades da diocese não estejam desiludidas, porque as bocas, os pés e as mãos, destes jovens, são a evidência do vento que sopra. Vamos lá a isso, Jesus está aqui!

Joaquim Armindo

Artigo de Joaquim Armindo, publicado no Voz Portucalense

Junho 10, 2012 by

AMAR A IGREJA

Amamos a Igreja tal como é, com os seus erros, nós os cometemos, com a sua santidade. Amamos esta Igreja Cristã, até damos a nossa vida por ela. Não estamos fora, mas dentro, como corresponsáveis por tudo o que nela acontece. A Igreja somos todos nós, por isso está adstrita a tantos artigos de um Direito Canónico, que muitas vezes, como todas as leis, foge do amor de Deus. Mesmo assim, é a Igreja de Jesus, o Ressuscitado, aquele que não abandona ninguém, e está sempre no Templo do Espírito Santo, que é cada homem e cada mulher.

No Pentecostes lembramo-nos da Maria (nome fictício), 42 anos, divorciada, porque o seu marido assim quis, cheia de fé em Jesus, no Deus incarnado, e que mandou atirar aquele que estivesse sem pecado, pedras a uma mulher. Ninguém o fez, foram-se embora e Jesus abençoou a mulher, e mandou-a em Paz, na sua Paz. Mas Maria, não é prostituta, e se o fosse o Senhor faria o mesmo. Ela é uma mulher, cheia de fé em Maria, a mãe de Deus e nossa mãe.

De repente Maria apela nas redes sociais para uma situação que vive na carne. Não era crismada, mas preparou-se para o ser, sente uma necessidade infinita de o ser, está convicta deste ato, e no desespero grita, porque o Sr. Padre da sua Paróquia não permite o seu crisma. E Maria ainda afirma, amar esta Igreja, estar nela, embora o desgosto no seu coração, e pergunta ao mundo, então que fazer. Muitos comentários nesta rede social, de vários matizes, perante alguém que cumprindo a lei diz não, a uma fé em Jesus!

Maria, pertence a uma diocese deste Portugal (não, não é a do Porto), onde o preceito não conseguiu falar para uma pessoa de hoje. Se fosse Jesus, o que faria? Perante uma Maria banhada em lágrimas, que roga o crisma? Está faminta deste sacramento e reza para que os homens desta Igreja, compreendam que Jesus não condena, mas Ama. O grito de Maria é muito sério, é o de muitas Marias, e Maneis também, prontos a dar tudo o que possuem ao seu Jesus, mas que esbarram nas leis que nós, os cristãos, fizemos.

A Nova Evangelização, este Ano da Fé, que vamos viver, deverá ter, também, uma resposta para a Porta que Jesus abre a toda a humanidade, e a Maria também. Porque, Senhor Jesus, nos arreigamos tanto aos preceitos, e não conseguimos discernir que o Espírito Santo, atua como e onde quer? Quem seremos nós para entender, como queremos, o sopro do Espírito Santo?

Entretanto Maria não foi crismada, mas a sua fé, vai mover montanhas, porque para além das leis que estabelecemos, uma linguagem que as pessoas já não entendem, continua firme, muito firme, na sua convicção, para servir o Senhor, com crisma ou sem ele.

Dá que pensar, não dá?

Joaquim Armindo

Cimeira Rio+20

Maio 30, 2012 by

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Uma frase, para a vida!

Maio 27, 2012 by

“Ainda que a traição agrade, o traidor é sempre odiado.”

Miguel Cervantes

Nossa Senhora das Dores – Bernardo Sassetti

Maio 12, 2012 by

1.º De Maio de 1973: Emboscada mata 9 portugueses

Maio 1, 2012 by

 

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Fazem 39 anos, 1.º de maio de 1973, estrada Luso-Dala, mais ou menos por esta hora, 7 da tarde, que 16 militares, onde me encontrava (Joaquim Armindo), foram atacados por forças do MPLA.

Destes 16 militares, morreram 9 e alguns feridos. A força do MPLA era grande e os seus militares grandes atiradores, tanto mais que em plena estrada alcatroada, conseguem deter uma força militar, matar 9, ferir outros.

Não consigo deixar de referir estes 39 anos, e os meus camaradas de armas mortos! É com emoção que recordo um a um, e se ainda me trato medicamente, devo-o em grande parte a esta emboscada!

NÃO À GUERRA COLONIAL E À DITADURA! ESTES MOMENTOS NÃO SE ESQUECEM. VIVEM-SE PARA SEMPRE NAS NOSSAS VIDAS.

Hoje recordo com muita saudade este dia, O DIA DO TRABALHADOR, E O DIA DA LIBERDADE EM PORTUGAL!

Joaquim Armindo

Flores para ti!

Abril 27, 2012 by

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Milhares e Milhares nas ruas do Porto! Pela Liberdade, contra os senhores das guerras e do dinheiro!

Abril 25, 2012 by

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25 de abril, perdemos!

Abril 25, 2012 by

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Nós os que lutamos pelo 25 de Abril, perdemos!

Dizer que perdemos, é ter a lucidez de voltar a lutar, lutar pela dignidade, pelo pão, que tanta falta faz.

Na sociedade portuguesa, nós sabemos que as nossas ideias foram amassadas e chutadas, porque nós lutamos pelo amor, pelas ruas e vielas, pelas avenidas e estradas, do nosso país, e perdemos!

Mas sabemos que a força das ondas do mar, do vento que tanto amamos, “dos nossos cabelos ao vento”, hão-de vencer, porque nós estamos aqui, pela ressurreição da revolta e indignação, pelos atropelos aos homens e mulheres, às crianças e aos velhos, com os nossos braços e garra, de insurretos, seremos capazes de ver nascer as espigas no milheiral do nosso contentamento.

Até sempre Miguel Portas!

Abril 25, 2012 by

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Discuti com ele, bastante! Naquele dia na Praça da Liberdade, no Porto. De mangas de camisa e camisola pelas costas! Era assim Miguel Portas.

Sabes Miguel, estamos a perder todos, mas a confiança e a esperança, não nos faltam. Anda comigo para a luta, eu sei que vens, companheiro.


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