Por pobreza deve entender-se a condição de carência material – incapacidade de satisfação das necessidades básicas – falta de recursos económicos – ausência de rendimentos, de riqueza – de capacidade ou oportunidade para exercer os direitos de cidadania.
Na origem da pobreza podem estar factores de diversa índole entre os quais podemos destacar: os políticos-legais inerentes à corrupção, desigualdade de oportunidades; factores económicos; sócio-culturais decorrentes da baixa instrução, inerentes à exclusão social; factores naturais, os que são consequência de catástrofes naturais; problemas de saúde – consumo de drogas; factores históricos ou o clima de insegurança vivido por uma país de que é exemplo uma guerra.
A pobreza é um fenómeno social que se reproduz e deve ser entendida como um ciclo, sendo que as causas e consequências muitas vezes se confundem. Vejamos: a pobreza promove a fome, a diminuição da esperança de vida, o aparecimento de doenças, o desemprego, cria instabilidade política e económica, potencia a violência, a emigração, a descriminação, o aumento de pessoas sem abrigo. Mas, estas consequências são também causas da pobreza, formando-se assim um ciclo.
Dezanove por cento dos Portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza, tendo-se verificado nos últimos anos, um aumento significativo de risco de aumento de pobreza entre a população infantil, sendo que uma em cada cinco se encontra nessa situação. O nosso país é o segundo, a seguir à Polónia onde as crianças são mais pobres e correm maior risco de o serem.
A erradicação da pobreza passa sobretudo por medidas de carácter estrutural. O investimento no crescimento económico devidamente acompanhado de políticas sociais consistentes, é uma delas. Torna-se premente garantir habitações condignas e a preços acessíveis, investir na educação, garantir cuidados de saúde acessíveis a todos, promover o emprego e aqui podemos destacar o papel importante que poderá ter o recurso ao microcrédito que motivou a atribuição do prémio Nobel da paz ao seu criador – Muhammad Yunnus – mas é também fundamental incentivar a população a participar, a exercer os seus direitos e deveres de cidadania. Já ao nível de uma intervenção micro ou individualizada, a aposta no voluntariado e no trabalho social, são vertentes fundamentais para a ajuda na erradicação da pobreza e a este nível permitam-me sugerir que se invista na criatividade humana que distingue o homem dos demais seres vivos e que lhe permite ultrapassar obstáculos por vezes aparentemente intransponíveis.